Quase todos os dias, naquele mesmo local, os sentimentos se afloravam captando então a essência do sentir. Havia mais coisas a serem ditas e a serem dolorosamente sentidas. É que esse momento não é involuntário, precisava existir “aquela coisa” que depois de ter acontecido remetia a essa “segunda coisa” que agora chamarei de sentir, ou precisamente não sentir.

Você o amava, e nem de longe isso alterava algo. E se agora se atentar, verá que acabei por chamar de “isso” o que, quem sabe, seria o motivo que te impulsiona a seguir. Não que ele não tenha lhe dito sobre o quanto admirava a sua coragem em dizer o que ele mais sonhava em ouvir. Ele queria, mas não de você. Atormenta-o ser as suas noites mal dormidas e as suas projeções de eterno amor, e nele, tudo soar levianamente prazeroso. Porque é um prazer egocêntrico, distante da vontade estar perto e bruscamente mal. Como é que se entra na vida de alguém para não ser recíproco? Não se pode não ser recíproco, deveria ser proibido e passível de morte a aqueles que negam aos outros aquilo que buscam ali nas outras esquinas. Faz tempo que ele sabe sobre o que sente e sobre o que não sente, e para o seu pavor, ainda não mudou nada. Continua tudo igual. Complicado, cínico, doente. Para que tenha mudanças é preciso que exista incômodo. É preciso que exista o gostar e o não gostar, pois ambos te obrigam a alguma escolha. Ele não escolheu nada. Segue chamando de instinto, ainda primata, diferente da soberania encantada do amor, que é docemente puro por ser de uma simplicidade quase extinta, longe dessas teses decifráveis e que se encontram aos montes deploráveis do íntimo humano. Eu te desejo esse amor que ele não pode te dar e que você, por resignação, ainda doa.

E mesmo repetindo essas mesmas palavras que podem te causar algum efeito, eu nunca minto quando digo que você merece muito mais.

Mas por favor, só mais uma coisa: não se contente apenas com isto.