Passeios despretensiosos levam para dentro.


Na semana passada, no Uber, vi um senhor que vendia churros conversar com um pombo que estava à espreita de algumas migalhas. O trânsito estava parado e eu, cansada do celular, tentava observar o que me restava naquele momento. Confesso que, por vezes, não é tarefa fácil manter-se no presente diante de tantas notificações que […]


Na semana passada, no Uber, vi um senhor que vendia churros conversar com um pombo que estava à espreita de algumas migalhas. O trânsito estava parado e eu, cansada do celular, tentava observar o que me restava naquele momento. Confesso que, por vezes, não é tarefa fácil manter-se no presente diante de tantas notificações que parecem tão mais interessantes que as profundas reflexões sobre a nossa atuação nesse dilema que é viver.

Não acredito que o mundo seja tão ruim quanto à questão que ele anda fazendo em apropriar-se desse “ruim”. Quem é que conversa com um pombo em meio a tempos tão sombrios? Quisera, um pombo foi meu contraponto naquele instante. É comum criarmos um mundo paralelo em que pessoas que conversam com pombos se perpetuam? E que ninguém pergunte em intervalos intrínsecos: em que mundo vocês vivem? E que responderemos em tom de desentendimento do ponto da dúvida: – Nós vivemos aqui!

Eu sei que a percepção da realidade é relativa e que cada ser humano neste planeta interpreta a vida e os fatos que discorrem de formas completamente diferentes. Eu não sei exatamente quais caminhos nos trouxeram até aqui. O que eu sei é que dá para escolher ser melhor quando há uma comparação com si mesmo e que é interessante pensarmos nessa lógica socialmente. Outra coisa que eu sei é que não há formas de encontrar essa “melhora” quando não se tem o mínimo de percepção sobre a própria existência. Diria que pode até ser maior que isso: O mundo, o país em que vivemos, até chegar à própria existência.

Vejo pessoas tão agressivas por aí, nas ruas, na internet. Não querem falar sobre o motivo de estarmos todos juntos, falam de ódio e disseminam esses sentimentos com uma pseudopropriedade que, certamente, revela imensos conflitos do íntimo humano.  Às vezes, prefiro não enxergar muito, para não perder a esperança na minha espécie e na mudança que almejo para esse mundo em que eu nasci.

Por isso que, nos dias em que mentalidade virtual torna-se insustentável, prefiro observar as pessoas que conversam com pombos e abraçam árvores e choram em comoção pelo seu próximo. Aquelas que tentam, ainda que com uma enorme dificuldade, demonstrar que há beleza, que há amor e que há, também, pessoas que se importam. E, quem sabe, ocorra de você também parar no trânsito e por instantes se fixar numa cena dessas que mude a sua percepção de mundo ainda que por minutos. E te dê uma certa paz.

Quem sabe, de tanto observar e acreditar que existem pessoas assim, o mundo todo se contamine e realmente se transforme. Se todo mundo estivesse fazendo o que realmente deseja, não estaríamos todos fazendo algo diferente?

Por enquanto, quero ser a pessoa que conversa com pombos.

Amanhã, quem sabe?



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