Certa feita, aula comum de ensino médio, questionei os alunos sobre suas escolhas de cursos. Choveram respostas como medicina, direito e as mais diversas categorias da engenharia; já era algo comum para mim. Porém, mais corriqueiro que isso era ouvir os sonhos ao final da aula: professores, músicos, artistas plásticos, esportistas e as mais diversas áreas “não tradicionais”. Sonhos… Muitas vezes ceifados por questões familiares ou meramente insegurança; nunca foi e nunca será fácil escolha.

    É preciso coragem para ser feliz, não nego, e todos aqueles que diariamente se sentam em carteiras com futuro incerto devem saber disso. Ainda assim, não esfomeie a alma, obviamente que a matéria também não. Em meio a todos esses tons de luz, nesse prisma colorido, moram a plenitude e a tranquilidade. Acordemos todos os dias visando sermos autênticos, chega de terceiros em nossos sapatos! É preciso coragem para ser feliz, e ela vem do fundo do teu âmago.

    De certa forma, foi isso que me fez escolher estar em cima desse tablado e na frente desse quadro branco. Queria ser uma espécie de jardineiro de sonhos, por assim dizer, seguir cultivando e os mantendo vivos, regar suas escolhas e adubar seu onírico de desejos. Sigo com esperança na ponta do piloto, e na frente de meu respeitável público em formação faço meu circo de confiança, munido de acolhimento. Mas vou de dono do circo a palhaço em questão de segundos, centésimos, milésimos, pois também é necessário sorrir. Como é bom sorrir…

    De certa forma, foi isso que nos fez escolher. Entre as facetas dos professores, os acordes dos músicos, os pincéis dos artistas e o suor dos atletas, arde paixão daquela que é possível se ver – desculpa, Camões, mas, quando fazemos o que amamos, é visível, palpável. Não há papel moeda com falsos valores capaz de comprar esse sentimento, é cabal; se sentir completo deveria ser direito universal. Diante dessas escolhas, nos sentimos deuses de nossa vida, escritores do próprio destino.

    Enfim, diante de todo esse discurso romantizado, reitero, escolhas nunca serão fáceis. A balança dos fatores econômicos e sentimentais é traiçoeira, mas não indomável. Tradicionalidades são construções sociais e não regras absolutas. Valores, afinidades e vocação sempre falarão mais alto com relação a quem você realmente é. Portanto, não esqueçamos nossos desejos, e nunca troquemos a felicidade por papel, afinal, “Ao vencedor, as batatas!”.