Filha de ex escravos, professora, jornalista, feminista, a terceira mulher a entrar para a política brasileira e a primeira parlamentar negra do Brasil, essa é Antonieta de Barros.

“Educar é ensinar os outros a viver; é iluminar caminhos alheios; é amparar debilitados, transformando-os em fortes; é mostrar as varedas, apontar as escaladas, possibilitando avançar, sem muletas e sem tropeços; é transportas às almas que o Senhor nos confiar, à força insuperável da Fé.” (Antonieta de Barros)

Nascida em Florianópolis, Antonieta era filha de uma escrava liberta, que sustentava seus três filhos com seu trabalho de lavadeira, seu pai não aparece em seus registros de nascimento. Desde cedo, aprendeu a lidar com barreiras impostas pela pobreza em que se encontrava, além do preconceito por sua cor.

Foi alfabetizada aos cinco anos em uma escola particular, porém, sem conseguir manter os estudos dois anos depois teve de largar os estudos e ingressou na Escola Normal apenas aos dezessete anos. Foi assim, que nasceu o sonho de se tornar educadora, acreditando que a educação era o caminho certo para o futuro, assim, fundou seu curso primário de alfabetização, que nomeou com o seu próprio nome e funcionou até 1964, com o objetivo de combater o analfabetismo de adultos carentes.

Antonieta rompia todas as barreiras que apareciam em sua frente, como militante, atuou na Liga do Magistério, sendo sua bandeira política o poder revolucionário e libertador da educação para todos. A partir disso, começou a ocupar as páginas dos jornais e assim, se tornou jornalista e oradora, ouvindo cada vez mais que mulheres não deveriam opinar e que sua única finalidade era gerar filhos. Quanto mais afrontada pelos homens brancos da elite, mais ela escrevia defendendo seus ideais.

Como parlamentar, escreveu capítulos da Constituição Catarinense sobre Educação, Cultura e Funcionalismo. Em 1827, dom Pedro I sancionou a primeira grande lei educacional – a qual restringia o ensino de matemática para meninas – no dia 15 de outubro, Antonieta então, criou um projeto de lei que declarava o dia 15 de outubro, o Dia do Professor sendo ele um feriado escolar, sendo oficializado apenas vinte anos depois, durante o governo do presidente João Goulart.

“A grandeza da vida, a magnitude da vida, gira em torno da educação”

(Antonieta de Barros)

O Dia do Professor, desde sua criação, marcada por uma mulher, negra, feminista e líder, mostra o que realmente significa a educação: Luta.