A favela não tem direito de sonhar


Seu João era um cara conhecido na comunidade, morava ali desde moleque. Acordava todo dia às quatro para vender lanche, café e distribuir sorrisos para quem quer que fosse. Foi pai cedo, mas uma vez só, seu filho teve sorte de ser alfabetizado em um projeto social que acontecia perto de sua casa, ao contrário […]


Seu João era um cara conhecido na comunidade, morava ali desde moleque. Acordava todo dia às quatro para vender lanche, café e distribuir sorrisos para quem quer que fosse. Foi pai cedo, mas uma vez só, seu filho teve sorte de ser alfabetizado em um projeto social que acontecia perto de sua casa, ao contrário de seu pai que seguia analfabeto. João sonhava em dar uma vida digna à sua mulher e ver seu filho formado, só queria dar outra realidade aqueles que amava, e todos que o conheciam sabiam do quão grande era seu coração e sua esperança.

Rafael herdou o coração do pai, queria virar professor para ensinar no projeto social que o acolheu e ensinar a molecada a ler e escrever. Se apaixonou pela leitura cedo e imaginava que um dia, quem sabe, poderia vira um grande autor, com milhões de livros vendidos e adaptados para obras cinematográficas. Antes do luxo, Rafael queria só fazer a diferença dentro do mundo em que ele nasceu, sair de lá, infelizmente era lucro.

Dona Laura era a mulher de João, o conheceu num baile desses qualquer, foi paixão a primeira vista. Quando tinha 17 já tava grávida do Rafael (Mal sabia o que era camisinha), fugiu com o João, virou empregada doméstica na casa da burguesia e com muita sorte conseguiram um lugarzinho para eles. Hoje em dia toma conta do filho e ainda trabalha na casa da burguesia, sem carteira assinada e com um eterno sentimento de insegurança. Segundo eles, ela é da família.

Tudo mudou em uma tarde, um ambulante voltava para casa e acabou sendo atingido por uma “bala perdida”, corpo frio no chão, sangrando esperança. Naquele dia a favela acordou mais triste, ainda havia café sendo vendido na rua, mas o sorriso de Seu João jamais iluminaria o morro de novo. Dona Laura entrou em depressão, foi demitida (Ou seria deserdada?) por não render mais no trabalho. Sem nenhuma renda, Rafael largou a escola e passou a ser aviãozinho no morro, ganhava 50 reais para levar uns pinos de uma rua para outra. Passou a vigiar algumas ruas, fogos de artifício e quando deu por si, já tinha virado traficante. Foi da caneta ao cano em tempo recorde.

João morreu sem proporcionar sonhos a sua família, Rafael jamais lecionaria e Dona Laura definharia depois de perder seu marido e seu filho. Aquela bala não levou só uma vida, levou sonhos (Se bem que Dona Laura não teve o direito de sonhar) e uma família inteira. A favela não tem direito de sonhar.



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