Paulo Freire nasceu em Recife no ano de 1921. Seu pai era capitão da Polícia Militar, e sua mãe, dona de casa. Mesmo sendo de uma família de classe média, desde sempre teve contato com a pobreza e as injustiças sociais – principalmente durante a grande crise de 1929. Após a morte de seu pai, sua mãe teve que sustentar seus quatro filhos sozinha e Freire completou os estudos por meio de bolsas em escolas.

Em 1943, entrou para a Universidade do Recife, cursando a Faculdade de Direito, mas nunca deixou de se dedicar aos estudos de filosofia de linguagem. Freire nunca exerceu sua profissão; preferiu trabalhar como professor, lecionando Língua Portuguesa para o segundo grau.

Com toda essa experiência, entrou para a política, integrando o Partido dos Trabalhadores. Fez parte da Diretoria Executiva da Fundação Wilson Pinheiro e foi secretário de Educação da Prefeitura Municipal de São Paulo na gestão de Luiza Erundina.

De volta ao Recife, tornou-se Diretor de Extensões Culturais da Universidade do Recife, realizando, junto à sua equipe, as primeiras experiências de alfabetização popular. Ainda preocupado com a pobreza de outras pessoas, Paulo empenhou-se em ensinar mais de trezentos adultos e idosos a ler e escrever em quarenta e cinco dias. Desenvolveu assim, um novo método de alfabetização, estando seu projeto educacional vinculado ao nacionalismo desenvolvimentista do governo de João Goulart.

Após esse sucesso, Goulart empenhou-se em multiplicar essa experiência em um Plano Nacional de Alfabetização, visando à formação de educadores em massa em todo o país. No entanto, o Golpe Militar de 1964 interrompeu todo esse esforço.

Durante a Ditadura, Freire foi encarcerado como traidor por 70 dias e, logo em seguida, passou por um exílio na Bolívia. Como consequência, trabalhou no Chile por cinco anos, ajudando o Movimento de Reforma Agrária da Democracia Cristã. Aproveitando o exílio, publicou seu primeiro livro, “Educação como Prática de Liberdade”, que foi baseado em sua tese sobre Educação e Atualidade Brasileira – da época em que concorreu à cadeira de História e Filosofia da Educação pela escola de Belas Artes da Universidade de Recife.

“A educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem. Não pode temer o debate. A análise da realidade. Não pode fugir à discussão criadora, sob pena de ser uma farsa.”

(Paulo Freire)

Freire sempre se destacou por não esconder suas posições políticas e sua luta por uma sociedade mais justa, defendendo uma educação como um direito para todos, ou seja, independentemente de classe social. Para isso, porém, o oprimido deveria se libertar; e a única maneira de isso ocorrer seria através do ensino.

“Nenhuma pedagogia que seja verdadeiramente libertadora pode permanecer distante do oprimido, tratando-os como infelizes e apresentando-os aos seus modelos de emulação entre os opressores. Os oprimidos devem ser o seu próprio exemplo na luta pela sua redenção”

(Paulo Freire)

A educação é um Ato Político. A pedagogia deve ser crítica.