Sempre houve algo de estranho no dia de Finados para mim. Céu nublado, às vezes um chuvisco, algum famoso falecido 2 ou 3 dias antes para completar a “funebricidade” daquele feriado. Desde o falecimento da minha vó, católica ferrenha assim como a data, decidi que era necessário entender a morte de forma diferente, mas isso tem a ver com traumas; e não é sobre isso a crônica de hoje.

O ato de morrer tem centenas de interpretações nas mais diversas religiões: a vida eterna no catolicismo, o passaporte para a verdadeira vida no espiritismo, o renascimento no budismo, entre muitas outras. Fato é que todos nós temos opiniões e crendices , e não desejamos um final para aquilo que vivemos diariamente.

Quando digo “enfrentar o desencarne de forma diferente”, não é como os mexicanos e seus festejos, mas sim sobre o provável maior medo do ser humano: morrer. Peço licença a Gil e a Caetano pelo trocadilho, mas a discussão é interessante. Admita ou não, temos medo do inevitável, do amanhã, e daquilo sobre o qual não temos controle (Por isso teria sido inventado Deus? Não vou entrar nesse assunto, isso é discussão para outro dia).

Passamos todo o tempo da nossa existência sem nos prepararmos para o momento de morrer, e talvez seja por isso que acabemos nos amedrontando tanto. A humanidade em geral, historicamente, preferiu buscar a vida eterna (Falo de matéria) a se manter em paz com o inevitável. Dessa questão, surgem os questionamentos: o que seria a vida eterna então?

Para mim, após tanto tempo de reflexão, a vida eterna mora na memória e no sangue. Carrego, em mim, todo o ensinamento e herança de troncos familiares e a história de centenas de pessoas que condicionaram a minha existência. Dessa forma, mesmo jovem, conforto-me com a ideia de morrer e, sinceramente, viver é muito mais gostoso sem esse peso nos ombros. Depois de mim, haverá mais e, nesse mais, também morarei, indiscutivelmente.

“Sou o rastro de um bisavô, vim na alma que não acalmou, com voz pra sempre evocar o amor”

Ser quem sou – Pedros