“Acordei animado naquele dia. Eu era bem moleque ainda, devia ter uns 13 anos, e era dia de jogo do Brasil na Copa do Mundo. Pela primeira vez, eu poderia assistir a um Brasil x Argentina em pleno mundial, todos estávamos ansiosos, exceto por uma coisa, na verdade, alguém: Diego Armando Maradona.”

“Lembro bem meu pai, Flamenguista ferrenho, reclamando a todo momento do Lazaroni, técnico da seleção naquela época, mas ainda assim esperançoso com uma vitória brasileira. Ele torcia para que aquela fosse a copa de encerramento do jejum de títulos mundiais do Brasil. (Estava 4 anos adiantado, mas não vou criticar o “véio”)”

“Chegou a hora do jogo, fomos eu e meu pai para a casa de um amigo dele que tinha televisão. Tudo como manda o figurino, samba alto, cerveja trincando e todo mundo cantando vitória, exceto por uma coisa, na verdade, alguém: Diego Armando Maradona.”

“Bola rolando, jogo pegando, Brasil desperdiçando uma oportunidade no fim do primeiro tempo. Até o momento, aquele parecia o melhor jogo da seleção em toda copa, mas, como o próprio Galvão Bueno contou anos depois “O Pelé, que era meu comentarista na época, chegou no meu ouvido e disse: Entende, o Brasil desperdiçou a chance do jogo, nós estamos bem. Mas para o segundo tempo eles têm Maradona, entende?”. Não à toa, o rei profetizou, aos 86 minutos, Maradona recebe a bola cercado de 4 brasileiros, dispara sendo perseguido pelo volante canarinho, que exclamava “Quebra! Quebra!”, os três beques brasileiros prontamente chegam duro no atacante argentino, que elegantemente rola a bola para Caniggia driblar Taffarel e fazer o gol da classificação “hermana”.”
“O samba virou chorinho, a cerveja esquentou e todos praguejavam apenas uma coisa, na verdade, alguém: Diego Armando Maradona”

A morte de Maradona é, sem dúvidas, um soco no estômago de todo fã de esporte. Rival atemporal do rei Pelé e amado por todo o mundo devido ao seu imensurável talento e personalidade irreverente, hoje o futebol mundial perdeu um de seus gigantes. Deus na Argentina, rei na Itália e mito na Espanha, grande figura dentro e fora dos gramados por conta de sua postura política ativa. Você agradeceu à bola em sua lápide, mas eu, mero mortal, digo: O futebol que te agradece, Diego.