“Finalmente era o fim daquele ciclo de 15 anos. Era meu último dia de colégio, todos vivíamos aquele misto de alívio por podermos finalmente descansar e medo da incerteza do futuro. Afinal, dali a alguns dias, estaríamos todos fazendo vestibular. Nos preparamos todos esses anos para essa prova e ela sem dúvida marcará nossa passagem para a vida adulta. Mas será mesmo?”

“O que mais me aflige, sinceramente, é a vida. Depois de tantas fórmulas matemáticas e escolas literárias, após esses 15 anos, é provável que eu esteja, de fato, preparado para aquela prova, mas e todo resto? E a minha vida financeira? Será que estou realmente preparado para ser cidadão?”
“A verdade é que somos diariamente bombardeados com conteúdos acadêmicos e postos à prova até a exaustão. Aprendemos a escrever e, ano após ano, somos duramente cobrados, em linhas gerais de conhecimento, a bater certo coeficiente de produtividade, apenas. Nessa estrada, ficam, ao caminho, nossa saúde mental e gênios que não se encaixam em provas e redações subjetivas ou em horas sentados em uma sala contra sua vontade.”

“São três matérias de Física, três de Química, três de Matemática, duas de Literatura, uma de Redação… E 15 anos para uma prova. Saímos da escola sabendo Bhaskara, mas sem saber como funciona uma conta de banco e, àqueles que não bateram seus coeficientes na prova para a qual estudaram durante 15 anos, bem, boa sorte.”

“A maior dificuldade do aluno é o próprio sistema. Na verdade, a maior dificuldade do aluno é ter acesso a ser educado e, mesmo quando incluso, vive à margem da exclusão de inteligência, do processo de emburrecimento com relação a sua percepção de sociedade e “inconsciência” de classe. Mas não se preocupem, sabemos que Epg=m.g.h.”

“Enfim, acho melhor não pensar nisso agora, tenho que aproveitar meu último dia por aqui, afinal, apesar de tudo, sentirei falta das pessoas, convivência e rotina, e que todo esse discurso seja só fruto da ansiedade em fazer a prova, aquela que estudei 15 anos para fazer.”