Era noite de sexta-feira, dia 27 de novembro, quando a polícia belga interrompeu uma orgia gay regada a álcool e drogas, na capital Bruxelas, por conta das restrições impostas após a chegada da segunda onda da Covid-19 na Europa, que castigou o país entre o mês de outubro e novembro. A ação da polícia é de certa forma comum e não se tornaria uma notícia de destaque se não fosse por um detalhe: um homem que tentava fugir pela janela.

Esse homem não era uma figura qualquer. Seu nome, József Szájer, figura conhecida em toda a Europa: é parlamentar europeu desde 2004. Mais do que isso, Szájer é húngaro e fundador do Fidesz, partido de extrema-direita que abriga o primeiro ministro do país, Viktor Orbán, que utilizou-se da pandemia para expandir seus poderes e hoje contra o judiciário e governa o país por decreto, asfixiando a democracia húngara, fato que vem sendo questionado pela União Europeia.

A orgia contava com a presença de 25 homens, muito álcool e drogas, que inclusive entre os pertences do eurodeputado alguns comprimidos de ecstasy. Szájer, após renunciar a seu cargo, declarou: “Peço desculpas à minha família, aos meus colegas e aos meus eleitores. Esse passo em falso foi estritamente pessoal, sou o único responsável por isso. Peço a todos que não o estendam à minha pátria ou à minha comunidade política”, afirmando também que não havia feito uso de drogas.

Szjáer é um conhecido homofóbico e apoiador de ideias como uma reforma da Constituição para proibir a possibilidade de modificação legal do sexo atribuído no nascimento, proposto por seu partido.

Não é novidade para ninguém que o que mais existe entre moralistas é a hipocrisia, mas a reflexão que fica é: quão comumente o preconceito é fruto de auto repressão? Quantas pessoas destilam seu ódio sobre grupos dos quais, na verdade, gostariam de fazer parte, mas algo os reprime? E, sabendo disso, qual nosso papel em libertar quem oprime?

É claro que não se pode usar o discurso simplista de que todo homofóbico é na verdade alguém reprimido, porém, essa característica talvez seja mais comum do que imaginamos, e cabe a nós refletir sobre isso, junto a psicólogos e outros cientistas, que buscam explicar o fenômeno.

Esperamos também que o deputado mude sua postura sobre a homossexualidade, e que aguarde o fim da pandemia para participar das próximas orgias.