Colecionador de histórias


Eu fazia isso todo ano: sempre, no início de dezembro, eu ia ao correio no fim da avenida de minha casa buscar uma daquelas cartinhas de papai noel feitas por crianças. Dessa vez, não seria diferente (Será?); terminei de tomar meu café, peguei o elevador, dei boa tarde ao porteiro e fui correndo até a […]


Eu fazia isso todo ano: sempre, no início de dezembro, eu ia ao correio no fim da avenida de minha casa buscar uma daquelas cartinhas de papai noel feitas por crianças. Dessa vez, não seria diferente (Será?); terminei de tomar meu café, peguei o elevador, dei boa tarde ao porteiro e fui correndo até a agência, já que estava atrasado para o trabalho.

Empurrei as portas de vidro meio emperradas e entrei. “Opa seu Gabriel, tudo bem? Veio buscar a cartinha de todo ano, né?” Ofereci um sorriso, mesmo com todas as preocupações sempre gostei de transparecer tranquilidade. “E aí Marcão, já sabe né?”, seu Marcos aparentava ter uns 40 anos, mas, pelas nossas conversas, deve ter 40 anos só de correio. Era casado, tinha dois filhos e tocava viola como ninguém. Peguei o envelope e segui meu dia.

Dia intenso no escritório, saí do prédio após o fim do meu expediente e dirigi-me até o ponto de ônibus. Sentei-me, envelope em mãos, abri e passei o olho no conteúdo. “Querido papai noel, meu nome é Maria Clara e esse ano eu gostaria de ganhar uma caixa de lápis de cor.” Guardei a carta, entrei no ônibus e descansei até minha rua.

Desci no ponto de minha casa e rumei até a papelaria. “Oi, seu Gabriel, quanto tempo não te vejo!” Mais uma vez, ofereci um sorriso, mesmo cansado gostava de ser simpático. “Oi Florinha, como vai sua mãe?” Flora é filha da dona da papelaria, deve ter uns 18 anos, realizou o sonho de entrar na faculdade de medicina esse ano e ajuda a mãe na loja quando pode. “Vai bem, precisa de mais um pacote de canetas?”, agradeci e pedi pela caixa de lápis de cor. Saí da loja e finalmente fui para casa.

Entrei, deixei a cartinha e a caixa de lápis na mesinha próxima à porta e sentei-me no sofá. Já descansando e fora do “piloto automático” do dia a dia, questionei-me “Só isso?”. Durante todos esses anos, eu tive duas motivações para pegar essas cartas: Fazer uma boa ação e ler as histórias. Toda carta tinha uma história, as crianças falavam de suas vidas, contavam de seus sonhos e, por fim, pediam algum brinquedo, mas Maria Clara foi diferente. Sem história e sem brinquedo, no meio daqueles desajeitados garranchos, apenas uma caixa de lápis de cor.

Aquele pedido passou a martelar minha cabeça e criatividade pelo resto da noite. Será que Maria Clara sonhava em ser pintora? Isso talvez até explicasse a falta de expressão através das palavras, ou será que era apenas material escolar do próximo ano? Fato é que Clarinha, através daquela banalização, deixou-me extremamente intrigado. Aparentemente, seríamos quase como dois agentes secretos, um pacote por outro pacote, sem perguntas, e acho que havia algo de excitante naquele mistério para ambas as partes. No final das contas, Maria Clara que havia me presenteado.

Acordei cedo no outro dia, mesmo sendo minha folga, fui até o correio entregar o presente e talvez tomar um café com seu Marcos. “Veio cedo, seu Gabriel! Já trouxe o presente?”, Marcos, surpreso, me perguntou se eu não enviaria uma carta junto, como fazia todo o ano – sempre gostei de humanizar mais o processo de entrega dos presentes –, mas aquele ano seria uma nova experiência. “Um mistério por um mistério, Marcão.” Ele riu “Um mistério por um mistério”.



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