Por volta de agosto deste ano, tive pela primeira vez contato com a obra de Stefan Zweig, com o livro “Brasil, País do Futuro”. A leitura me foi indicada por um professor e seria usada para a preparação de um artigo, mas, de cara, não me agradou nem um pouco. Zweig romantizava aspectos da história brasileira sem maiores imersões, ignorando profundos problemas e desigualdades existentes em nosso país, tratando questões graves como meras casualidades, que poderiam resolver-se de maneira breve, previsões essas que não poderiam estar mais erradas.

Terminei o livro mais por obrigação do que por vontade. Apesar de artisticamente ser muito bem escrito, não me interessava ter maior contato com a obra do escritor austríaco. Falei sobre isso ao professor que me orientava e fui encorajado a conhecer mais do autor, ressabiado, mas confiante no que me recomendava, encontrei em promoção uma obra que talvez pudesse gostar, o nome dela era “Êxtase da transformação”.

A leitura me foi um tapa na cara. A obra é simplesmente fantástica e rica em cada uma das linhas, Zweig tem uma escrita única e contempla cada um dos sentidos, inserindo o leitor no ambiente como poucos autores são capazes de fazer, tudo isso sem a monotonia que grandes descrições poderiam causar, além dos aspectos técnicos, mostra a evolução do pensamento do autor em decorrência dos acontecimentos reais: começada após o fim da Primeira Guerra Mundial, a obra só foi terminada em meio a segunda, tendo uma mudança de tom e direcionamento incrível, sendo praticamente dois livros em um.

A experiência que tive foi mais do que ler um bom livro, pois me fez refletir sobre segundas chances. Eu, sem uma indicação, jamais me dedicaria a ler uma segunda obra de um autor que discordei tão vorazmente ao primeiro contato e, com isso, teria perdido a experiência que tive. Expandir suas fronteiras, seja na literatura ou seja em quaisquer outras áreas, requer certa coragem em enfrentar o diferente, o indigesto, o novo, mas tal atitude pode dar-lhe novos rumos e diminuir o que talvez possa ser posto como preconceitos ou opiniões de fundamentos frágeis, que permaneceriam intocadas. Estou ansioso para conhecer novos escritos de Zweig, e buscarei me lembrar deste momento ao recear abrir-me a novas experiências. Quem sabe o que podem vir a ser?