Ainda bem que existe a anestesia.


Pequenas luzes que se acendem no caos, nem sempre indicam a salvação. Às vezes é só placebo. Lembro da quantidade de vezes —quando eu era criança—  e passava as férias do colégio na casa da minha vó. A casa da minha vó era tão melhor que a minha própria casa que, toda vez que chegava […]


Pequenas luzes que se acendem no caos, nem sempre indicam a salvação. Às vezes é só placebo.

Lembro da quantidade de vezes —quando eu era criança—  e passava as férias do colégio na casa da minha vó. A casa da minha vó era tão melhor que a minha própria casa que, toda vez que chegava a hora de retornar, eu caía no choro. Minha mãe, na sua tentativa maternal e amável, arranjava sempre um jeito de comprar alguma coisa que impedisse aquelas minhas lágrimas de rolarem por horas a fio. Ela dizia ao meu pai: é um choro sentido, doído, que parece revelar um desolamento antanho.

Aos quinze anos, se tivessem me falado sobre o clichê da valorização na falta, eu daria de ombros na minha ignorância jovial. Argumentaria da minha bolha ignorante alguns dos motivos infames para discordar, apenas pelo egoico prazer de se afirmar como a detentora da verdade. É ridículo, eu sei, mas te juro ser honesto.

Pois é, ele existe. E é dele que surge a idealização do que poderia ser se não fossem tantos motivos que impedem a sua realização. Criação nossa? Talvez. Essa sequência de “porquês” não é compreendida com o olhar externo, pois tudo que vem dele é pessoal e intransponível. O olhar que eu enxergo o mundo não é o mesmo olhar que me olha nos olhos.

Acho que o que a minha mãe comprava, na verdade, era uma anestesia que blindava o contato com a dor. Para ela, não havia contraindicações. Pena que ela, ainda que fosse a minha mulher maravilha, não possuía o poder de me blindar de todo sofrimento que vez ou outra me acomete.

Se não fosse essa esperança irritante que insiste em permanecer, talvez aceitaríamos complacentes o desfalecer diário das nossas maldições internas. Se não fosse a arte e toda a sua representação, estaríamos todos emergidos num imenso tanque de slime, grudento de uma realidade cheia de pesares. Se não fossem as infinitas formas de distração, estaríamos aceitando nossa loucura e se entregando a ela, de tal forma, que acreditaríamos não haver salvação.

Se não fosse a música, estaríamos todos deitados no solo do Brasil, chorando de dor pungente. E sim, inutilmente.

Porque a vida parecia melhor antes da pandemia.

E a vida parece melhor depois da pandemia.

O meio disso é que fode tudo.

E é no meio disso é que se vive.



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