Organizações entram com um novo pedido a favor de Julian Assange ao Departamento de Justiça.

Uma coalizão de organizações responsáveis pela defesa dos direitos humanos entraram com um pedido nesta segunda (2) para encerrar as dezoito acusações contra o co-fundador do WikiLeaks, Julian Assange. Essas acusações, que se baseiam na Lei de Espionagem de 1917, deram início ao julgamento de extradição do ativista, onde sua extradição foi negada no dia 4 de janeiro. Enquanto o Departamento de Justiça não apela a decisão, o ativista continua preso. 

Nessa sexta (6), se encerra o prazo para o Departamento enviar sua petição ao tribunal em Londres. Os promotores responsáveis pelo caso devem explicar em detalhes o motivo de apelar a decisão que bloqueia a extradição de Assange. Entretanto, o promotor federal responsável, Zachary Terwilliger, afirmou um dia após o julgamento que ele está “incerto se o governo do presidente eleito Joe Biden continuaria com o esforço de extradição”

O prazo de sexta-feira também força a administração Biden a cogitar se irão tratar a imprensa da mesma maneira que a era de Trump, já que todo o processo legal de extradição envolvendo Assange foi criado na administração do ex-presidente. 

Entretanto, Democratas não são fãs do ativista, muito menos da plataforma. Em dezembro de 2010, o então vice-presidente Joe Biden chamou Julian Assange de “terrorista high-tech”. Membros do partido também acusam a organização de ser responsável pela vitória do republicano Donald Trump em 2016, pois, foram responsáveis pelo vazamento de milhares de e-mails do Partido Democrata no mesmo ano. As acusações são centradas, entretanto, nos vazamentos de 2010, providos pela ex-analista de inteligência Chelsea Manning.

A perseguição do ativista gera implicações mundiais, levantando o questionamento de se a imprensa é de fato livre, ou somente subordinada a alguns. Como a própria carta afirma: “Embora nossas organizações tenham perspectivas diferentes sobre o Sr. Assange e sua organização, compartilhamos a opinião de que a acusação do governo contra ele representa uma grave ameaça à liberdade de imprensa nos Estados Unidos e no exterior.”

A coalização também afirma que as acusações contra Assange estão entre os maiores problemas de liberdade de imprensa mais desastrosas dos Estados Unidos. Atestando que:

"A acusação do Sr. Assange ameaça a liberdade de imprensa porque grande parte da conduta descrita na acusação é uma conduta que os jornalistas praticam rotineiramente - e que eles devem praticar para realizar o trabalho que o público precisa que eles façam. Os jornalistas das principais publicações de notícias falam regularmente com as fontes, pedem esclarecimentos ou mais documentação e recebem e publicam documentos que o governo considera secretos. Em nossa opinião, tal precedente neste caso poderia efetivamente criminalizar essas práticas jornalísticas comuns."

“A maioria das acusações contra Assange diz respeito a atividades que não diferem daquelas usadas por jornalistas investigativos em todo o mundo diariamente”, afirmou o diretor da Human Rights Watch, Kenneth Roth. Em outra declaração, também atestou que “o presidente Biden deve evitar abrir um precedente terrível ao criminalizar as ferramentas-chave do jornalismo independente, essenciais para uma democracia saudável.”

Até o momento dessa publicação, o Departamento de Justiça se comprometeu a apelar a decisão no prazo, buscando reverter a decisão da juíza Vanessa Baraitser. Essa declaração foi dada por um porta-voz, Marc Raimondi, ao New York Times.



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