Administração de Biden confirma que irão continuar com o processo de extradição de Julian Assange.

O Departamento de Justiça do presidente Joe Biden planeja continuar o caso contra o co-fundador do WikiLeaks, Julian Assange, que foi lançado sob o ex-presidente Donald Trump. “Continuamos buscando sua extradição”, disse o porta-voz do Departamento de Justiça, Marc Raimondià Reuters, hoje, terça-feira (9) – um dia após uma coalizão de entidades defensoras de direitos humanos enviarem uma carta ao Departamento pedindo o fim desse processo.

Em 4 de janeiro, a juíza distrital britânica Vanessa Baraitser rejeitou o pedido de extradição do governo dos Estados Unidos e concluiu que a condição mental de Assange era “tal que seria opressor extraditá-lo para os Estados Unidos da América”. Ela aceitou que Assange provavelmente seria preso em uma prisão de segurança máxima nos Estados Unidos sob medidas administrativas especiais (SAMs) e encontraria uma maneira de cometer suicídio. Baraitser também definiu 12 de fevereiro, sexta-feira, como o prazo final para apelação do Departamento de Justiça sobre a decisão.

No entanto, o Departamento de Justiça de Biden planeja contestar a conclusão do juiz de que Assange não deve ser extraditado porque provavelmente cometeria suicídio.

A declaração representa um afastamento do governo atual para o do ex-presidente Barack Obama, que se recusou a processar Assange. Funcionários do Departamento de Justiça ficaram preocupados com a ameaça que isso representaria para a liberdade de imprensa, de acordo com a Reuters.

Durante o primeiro discurso de política externa de Biden em 4 de fevereiro, ele proclamou : “Acreditamos que uma imprensa livre não é um adversário; ao contrário, é essencial. Uma imprensa livre é essencial para a saúde de uma democracia.”

No entanto, no último ano de mandato de Trump, ele assinou um documento de estratégia de contra-espionagem [PDF] que agrupava “vazamentos” e “organizações de divulgação pública”, como o WikiLeaks, com a Rússia, China, Irã, Coreia do Norte, Cuba e grupos terroristas, que as agências securitárias dos Estados Unidos veem como “ameaças significativas”. Esse documento estratégico, que tem validade de 2020 até 2022, está em forte conflito com a afirmação de Biden de que o governo dos Estados Unidos acredita que a imprensa não é um adversário. A informação sobre esse documento foi tirada da reportagem de Kevin Gosztola sobre o caso.

Isso mostra que as agências de segurança dos Estados Unidos acreditam que devem monitorar organizações de mídia que possam empregar as práticas semelhantes ao WikiLeaks.

O tom da nova administração liberal de Joe Biden pode soar mais educado com os jornalistas, sobretudo aos da elite como o Washigton Post ou New York Times, mas ao insistir em abrir esse perigoso precedente a classe jornalística, o Departamento de Justiça de Biden está sinalizando que, infelizmente, seu governo não leva a liberdade de imprensa a sério, tão pouco como seu antecessor, Donald Trump. Como ressaltei em minha última atualização sobre o caso, Biden já chegou a chamar Assange de terrorista “high-tech” enquanto era vice-presidente de Barack Obama.

A ameaça diante Assange já foi motivo de Especial e diversos artigos aqui, na Sabiá. Diariamente, ao ler uma atualização sobre o caso, me choco o quão pouco a mídia brasileira fala sobre o caso, sobretudo, enquanto o Brasil é o sexto país mais perigoso para ser um jornalista.

Se essa perseguição ocorre com um ativista australiano, não entra na minha cabeça quem busca se convencer de que a mesma perseguição não ocorreria com um jornalista latino. Os Estados Unidos já interferiram na política e legislação brasileira diversas vezes ao longo da história do país, como na Lava-Jato, ou na Ditadura Militar. O que garante que o país não interferiria novamente em busca de uma perseguição imoral a um jornalista brasileiro?



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