Fim de verão e sítio: talvez essa fosse uma das combinações de que eu mais gostasse – além de uísque e um velho amigo. Mas, se tinha algo que não combinava, era eu e obra. A casa estava passando por uma pequena obra (Apenas mais um de meus eufemismos), então eu e a Teresa resolvemos ficar no barraco número 2, ali no mesmo terreno.

Era pau, pedra, resto de toco, tudo que você pudesse imaginar, jogado aos montes para todos os lados no estado mais simples possível. Nesse mesmo dia, tentei entrar naquele projeto de casa. Vãos e vigas a torto e à direita, queria buscar uns papéis em que havia feito algumas anotações para um projeto que estava em progresso. Busquei tudo de que precisava e retornei a meu querido barraco. Outra dose de uísque e violão em mãos: eram o melhor material que podia ter para tentar terminar logo esse projeto. Pensei em chamar o João para gravar comigo depois, quem sabe.

Só sei que todos os meus planos foram por água a baixo, literalmente. Choveu muito forte. Preocupado, subi para ver o que acontecia na obra. Era lama, era lama! Ao chegar à casa, deparei-me com uma cena de guerra: de fato, o único contraste vinha dos pedreiros que se abrigaram embaixo de uma das vigas junto a alguns passarinhos e riam entre si de algo que eu não sabia (Talvez felizes com a pausa no trabalho ou apenas com a minha cara de bobo vendo a situação). Não podia reclamar do momento: eram as águas de março fechando o verão.

Depois daquele fundo de poço, rosto de desgosto e limpar tudo sozinho, pude retornar ao que agora parecia lindo: o barraco número 2. Eu devia estar irritado ou algo do tipo, mas a verdade é que eu estava inspirado. Eu amava estar na natureza e todos aqueles altos e baixos, contrastes e “lados bons” me deram a inspiração suficiente para terminar aquilo que precisava.

Realmente, promessa de vida no teu coração.