Material escrito pela colunista Luíse Rocha e o ex-colunista Wendell Sá.

Explicar o que é ciência não é tão simples, pois, ainda que seja fácil definir o seu conceito em sua forma de maneira ampla, usando algumas poucas palavras, o processo pelo qual ela é feita não é muito conversado. Apesar de utilizarmos diariamente vários de seus produtos -como este computador ou celular que você está usando para ler este artigo – costumamos não entender o seu método.  

A palavra ciência vem do latim scientia, que é um conhecimento baseado em dados reproduzíveis e experimentados. Um processo de investigação que considera experimentos e observações da natureza, cujo objetivo é entender como o universo funciona. Mas como ela é feita? Onde é feita? Por que existe método científico? E por quê podemos confiar nela?

Primeiramente, um pesquisador, a partir de uma observação que o intriga no mundo natural, elabora uma pergunta a ser respondida sobre esse tema. Esse questionamento deve ser relevante para a sociedade, pois é para ela que este conhecimento é produzido. Feito isso, é preciso pensar em como responder essa pergunta. São feitas experimentações com testes exaustivos, seguindo métodos rigorosos.  

Esse processo vai gerar um resultado que é o mais próximo possível da verdade. Mas como assim não é a verdade absoluta? Um ponto muito importante da ciência é que trabalhamos com a verdade pragmática. Em outras palavras, podemos chamá-la de “quase verdade”. Partimos do princípio que uma coisa é verdade até que se mostre o contrário. Essa característica é tão essencial porque a ciência se preocupa em não ser dogmática. Ela não tem medo de mudar de ideia, por isso mencionamos que ela é “falseável”. Por isso, optamos dizer que algo foi “cientificamente corroborado” e não “comprovado”, pois o que já foi dito como verdade pode mudar. Mas como esses resultados podem ser mudados? A partir de novas evidências, como o avanço tecnológico que permite a execução de novos testes que poderiam ainda não estar disponíveis na época que algum estudo foi feito.

Você pode se lembrar do grande alvoroço público quando cientistas norte-americanos conseguiram reproduzir, pela primeira vez fora da Via-Láctea, testes sobre a Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein, corroborando o que o autor defendia. Esse acontecimento só foi possível devido às novas tecnologias, que ainda não eram conhecidas quando a teoria foi postulada. Por isso é muito importante que um estudo científico detalhe bem a maneira como foi feita, para que qualquer cientista consiga replicar e fazer sua análise crítica.

Dito isso, querido(a) leitor(a), você consegue perceber que a ciência não é feita por gênios solitários? Se assim fosse, jamais seria possível replicar os testes de Einstein ou qualquer outro feito por outro pesquisador. A comunidade científica participa ativamente na construção desse conhecimento. Isso porque o resultado de um trabalho é sempre aberto à discussão e julgado por vários pesquisadores. Por isso ela tem que ser pública e passível de replicação, permitindo que a comunidade analise criticamente. Desta forma, a ciência é feita coletivamente.

Essas discussões podem alcançar um consenso científico. Neste ponto, é importante explicarmos que não estamos falando de opiniões. Um consenso científico não é alcançado por meio de votações, mas sim de estudos, testes exaustivos, replicações e discussões críticas. Bons exemplos de consenso científico são as vacinas e o aquecimento global. 

Assim, a ciência não é feita baseada em emoções ou cargas pessoais, nem é construída baseada em opiniões. É por tudo isso que podemos confiar nela, porque a ciência funciona.