Vertigem é a sensação de falta de equilíbrio e desorientação causada por inúmeros motivos e foi assim que o cantor irlandês EDEN nomeou o seu primeiro LP oficial, lançado no ano de 2018.

Duas músicas de um total de treze serão escolhidas para serem abordadas neste texto e terem suas letras trazidas à tona de uma forma que o autor espera que seja única. Não se falará das letras por completo, mas do que for julgado ser o ponto principal das canções. Todavia, sintam-se à vontade para escutarem o álbum completo e tirarem suas próprias conclusões.

01. start//end

Porque eu estive olhando para o céu para descobrir onde eu errei
Estive olhando para o céu como alguém que olha para baixo
Mas continua chovendo em mim
Quando eu estive olhando para o céu desde que eu tinha cinco anos de idade
Estive procurando pelas estrelas, mas parece que elas todas se foram
E isso quebra meu coração, você sabe
Mas eu acho que é tempo de ir

Assim começa a terceira faixa do álbum, já em seu título colocando em pauta um questionamento sobre o tempo em si: qual a diferença entre o começo e o final? Vários filósofos (Nietzsche foi o principal) já abordaram a questão do tempo cíclico e infinito, em que não se pode distinguir o início do fim. Tal profundidade é entregada ao ouvinte sem ele ao menos ouvir a música, apenas olhando o título dela.

Sobre a letra, há esse pequeno trecho que serve como a “ponte” da faixa, sendo repetido duas vezes. Afinal, o que isso significa? Nesta análise, trataremos a ponte com sua função estrutural: te levar de um caminho a outro, simplesmente.

Primeiramente EDEN nos conta sobre o que ele tem feito desde que tinha cinco anos de idade: procurando por respostas para seus erros no céu de seu próprio lugar de reflexão, assim como o chão é para muitos.

Ao mesmo tempo, ele deixa claro que é o que vem fazendo até o presente momento, mas suas angústias continuam chovendo nele.

Por fim, vem a conclusão. Ele esteve procurando esse tempo todo, nas suas respostas, aquelas que brilhavam e confortavam seu coração, mas parece que todas elas se foram e seu céu arde agora em escuridão. Isso quebra o coração de qualquer um, não é mesmo? É o final ou o começo de algo, é tempo de ir.

02. forever//over

Porque não está tudo bem
E nós estamos caindo
Mas isso é só a vida
Sem alguns baixos, não há altos
E tudo vai ficar bem
Apesar de todos estarmos nos machucando
Porque o tempo voa rápido
E você sabe, nenhuma dor é para sempre

Novamente, o compositor brinca com as palavras no mero início da sua composição. O título estabelece o contraste firme entre o que é para sempre e como ele acaba. A nona faixa do álbum fala de finais, mas não é o final. Assim como a música que foi tratada anteriormente, que tratava de pontos de partida, mas não era um deles. O enfoque da vez, falando em termos gerais, é o fim de um relacionamento que já não existe mais e como se lida com isso.

Porém, se você restringe essa música estritamente aos relacionamentos (e ninguém te culpa se você o fizer, é extremamente tocante), você perde algo que pode se tornar muito maior. Fala-se de todos os ciclos em que nos encontramos; quando não estamos bem, mas vamos ficar bem (apesar da dor). Fala-se dos altos e baixos pelos quais se passa, mas que está tudo bem, pois a vida é assim.

O tempo voa rápido, somos um estalo no tecido do espaço-tempo que constitui o Universo, apenas uma pequena amostra do que foi e do que está por vir. Nesse sentido, nenhuma dor é para sempre, porque o “para sempre” sempre acaba para os meros humanos que habitam este planeta. Mas a dor é temporária por outro motivo muito maior. É com ela que se aprende, se evolui e se torna uma pessoa melhor: a dor é só um obstáculo que se repete muitas vezes, mas o caminho adiante sempre vai se encontrar bem ali.

Conclusão

Tendo falado isso, é esperado que vocês aprendam com a dor dos versos de cada uma dessas músicas do álbum vertigo, aprendam com a dor dos versos de outros cantores, de outros poetas e, por fim, apreciem, porque, se de um lado temos que tudo que é bom passa, tudo que é ruim também. Assim, nos restam nossas próprias respostas, nossos próprios céus.