A artista plástica suíça radicada no Brasil Mira Schendel é, hoje, considerada um dos expoentes da arte contemporânea brasileira. Foi desenhista, pintora e escultora. Na década de 1930, estudou artes e filosofia em Milão, na Itália. Teve de abandonar os estudos durante a Segunda Guerra Mundial e, em 1949, obteve permissão para mudar-se para o Brasil. 

Sua família, então, passou a morar em Porto Alegre, onde trabalha com design gráfico, pintura, esculturas de cerâmica, poemas e restauro de imagens barrocas. Suas criações são marcadas pela constante experimentação, experiências bastante diversas quanto a formato, dimensões, suportes escolhidos e técnica adotada. Em algumas séries, testou caligrafias, diferentes materiais de escrita e vários tipos de papéis.

Em suas séries de desenhos em papel arroz (ver imagem abaixo) podemos observar alguns só com linhas, outros com letras, palavras ou frases, símbolos ou caligrafias, configurando uma investigação sobre as potencialidades plásticas dos elementos da linguagem, ao mesmo tempo em que explora a liberdade e a delicadeza do gesto com que traça formas abertas e imprecisas.

Suas obras geralmente não têm títulos, mas as séries eram nomeadas funcionando como apelidos aos trabalhos. Ela participou da 1ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1951. 

Teologia

Vista à maneira que fazia Mira Schendel: uma possibilidade de viver a fé, não de ir ao encontro de uma.

O pragmatismo acredita que o ser humano, em sua realidade mundana e concreta, não é um ser vocacionado para a aventura da verdade, mas sim para a aventura da vida. Em outras palavras, os pragmatistas dizem que o homem não nasceu nem vive direcionado para a busca das verdades da vida, mas sim, para experimentar e gozar os prazeres dos eventos mundanos.

E, se você pressupõe que experienciamos as trocas por meio das linguagens, a arte é uma maneira de pensar sobre as coisas para as quais ainda não temos nenhuma outra linguagem.

Mira aborda a expressividade da caligrafia, fluxo do pensamento, expressão do pensar e sentir. Sua maior inspiração: as próprias palavras.

Nas cavernas, o que era pintado não criava arte, criava uma conexão com o universo. Boa sorte para a caça.

Aos egípcios – cuja busca pela inovação, novidade, nunca encontrou saciedade e cujos sarcófagos estão enterrados em museus de arte moderna – pouco importavam sua própria cultura à criação do novo. Apenas com dificuldade se difere uma geração de obras criadas de outra.

Escrever em papel, (re)memorar, invocar aquele conhecimento. Beber da fonte de seu poder de uma margem a outra. Redesenhar as palavras, pedir seus poderes para si. Pensamentos desorganizados harmonicamente colocados em sintonia. Poesia visual.