França proíbe manifestações em Paris em conexão com a escalada de conflitos no Oriente Médio


O Ministro da Defesa francês, Gérald Darmanin, anunciou na última quinta-feira (13) que manifestações em conexão com a escalada de conflitos no Oriente Médio, sobretudo na região Palestina, estão proibidas em Paris, capital da França. Em sua rede social, o ministro afirmou que, sete anos atrás, ocorreram protestos em solo francês em revolta a situações […]



O Ministro da Defesa francês, Gérald Darmanin, anunciou na última quinta-feira (13) que manifestações em conexão com a escalada de conflitos no Oriente Médio, sobretudo na região Palestina, estão proibidas em Paris, capital da França.

Em sua rede social, o ministro afirmou que, sete anos atrás, ocorreram protestos em solo francês em revolta a situações semelhantes, os quais geraram “desordem pública” em sua opinião. Os protestos a que ele se refere ocorreram em Paris contra as ações de Israel na Faixa de Gaza. Tumultos ocorreram nas ruas parisienses e grupos de extrema-direita aproveitaram a situação para realizar ataques antissemitas – houve um ataque a uma sinagoga e a vários negócios de rua cujos donos eram judeus.

Darmanin indicou que pediu à polícia da prefeitura de Paris que proíba tais manifestações e que representantes políticos estejam “atentos” às possíveis marchas e protestos nesse sábado, que é a data histórica do êxodo palestino, conhecido como Nakba – o nome significa “catástrofe” ou “desastre” em árabe. Nesse dia, mais de setecentos mil palestinos foram expulsos de seus lares em razão da Guerra Árabe-Israelense. O êxodo também marca o início histórico do genocídio palestino.

Também é necessário relembrar que, neste ano, o Senado francês votou a favor da proibição do uso do hijab – uma vestimenta ligada à religião islâmica – para meninas menores de idade. A justificativa dos parlamentares é de que dogmas religiosos não devem ser impostos aos jovens.

Uma mulher usa o hijab em frente a Torre Eiffel, em Paris. | Fotografia por: Gonzalo Fuentes, para REUTERS.

A decisão do Senado francês vem como parte da pressão de Paris para apresentar um projeto de lei chamado “anti-separatismo”, que afirma ter como objetivo fortalecer o sistema secular do país. Mas os críticos denunciaram, argumentando que exclui a minoria da população muçulmana. Enquanto debatiam a proposta de lei em março, os senadores aprovaram uma emenda ao projeto de lei pedindo a “proibição no espaço público de qualquer sinal religioso conspícuo por menores e de qualquer vestido ou roupa que significasse inferioridade das mulheres sobre os homens”.

O lugar da religião e dos símbolos religiosos usados ​​em público é um assunto de longa controvérsia na França, um país fortemente secular e lar da maior minoria muçulmana da Europa. O país proibiu o uso de lenços islâmicos em escolas públicas em 2004. Em 2010, proibiu o niqab – o véu islâmico completo – em locais públicos como ruas, parques, transporte público e prédios administrativos. A emenda aplica-se a todos os símbolos religiosos, embora os oponentes digam que tem como alvo os muçulmanos.

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