Perto da fronteira entre o Líbano e Israel, um jovem libanês foi baleado e morto por tropas israelenses enquanto participava de uma manifestação pró-Palestina. A agência de notícias estatal do Líbano, NNA, também informou que outra pessoa foi ferida no mesmo ocorrido. A vítima se chamava Mohammad Tahhan e tinha vinte-um anos. Ele faleceu em decorrência dos ferimentos. Não se sabe o estado de saúde do outro ferido.

Os militares israelenses disseram que as tropas dispararam contra o grupo após sabotar a cerca e cruzar brevemente, confirmando no Twitter que seus tanques “dispararam tiros de advertência contra uma série de manifestantes que cruzaram o território israelense”. Os manifestantes, alguns carregando bandeiras palestinas e do Hezbollah, se reuniram a algumas dezenas de metros da fronteira, disse um fotógrafo da Agence France-Presse. Posteriormente, eles incendiaram a área, com as chamas se espalhando “por todo o caminho até a fronteira”, acrescentou. Após o pôr do sol, uma dúzia de manifestantes ainda permanecia perto da cerca, jogando gás lacrimogêneo do lado israelense.

Manifestantes libaneses perto da cerca da fronteira, agitando bandeiras, incluindo a bandeira palestina e a bandeira do movimento paramilitar libanês Hezbollah, que é apoiado pelo Irã. | Fotografia: Jalaa Marey / AFP.

Os manifestantes foram dispersos posteriormente pela Força Interina das Nações Unidas no Líbano, que é responsável por fazer a segurança na fronteira. Andrea Tenenti, porta-voz da força de paz, disse em um comunicado: “Estamos cientes de relatos de que um civil libanês foi morto ao longo da Linha Azul perto de Kafer Kila hoje durante um confronto com o exército israelense. O Chefe de Missão e Comandante da Força, Major General Del Col, está em contato direto com as partes para evitar uma nova escalada”. A organização também pediu para que todos permanecessem calmos para evitar mais conflitos.

O conflito entre Israel e o Hezbollah é extremamente complexo. O grupo possui uma vasta organização – com filiados ao redor do mundo – incluindo a América Latina – e capital econômico. Diferentemente do Hamas, a organização não envolve fatores de sobrevivência ou qualquer outro fator cultural de resistência em si, ele é paramilitar e combativo, sendo considerado um grupo terrorista. Eles dominam o país e ainda possuem apoio do Irã, potência da região. Esses fatores tornam a situação na fronteira do Líbano extremamente mais complexa, transformando a região em um barril de pólvora.

O presidente do Líbano, Michel Aoun, foi a público condenar veementemente o ato cometido pelas forças israelenses. Aoun também designou o Ministro das Relações Exteriores, Charbel Wehbe, para informar as Nações Unidas sobre o ataque israelense e suas consequências, em preparação para “tomar as medidas necessárias”.