Cento e cinquenta. Esse é o número dos bombardeios aéreos de Israel neste domingo (16), causando a morte de trinta e três palestinos, incluindo oito crianças. O objetivo do ataque era atingir a casa de um líder do Hamas, partido político palestino.

De acordo com alguns, esse foi o ataque mais violente desde a segunda ‘intifada’ – revolta civil palestina contra a política de colonização e ocupação israelense.

Quase a metade dos foguetes tinham como alvo o distrito al-Wehda, na Faixa de Gaza, onde casas residenciais, infraestrutura e estradas foram destruídas.

O Ministério da Saúde Palestino confirmou as trinta e três vítimas durante a noite. Equipes de resgate ainda estão trabalhando para encontrar vítimas sob escombros e dizem que há possibilidade de encontrar pessoas vivas.

Um membro da equipe de resgate relatou à Al Jazeera seu depoimento sobre a madrugada de hoje. “Nós ouvimos gritos de uma menina pequena. Também ouvimos o toque de um telefone celular. Seguimos o som e por horas, usando uma escavadeira e outros dispositivos de luz, chegamos até a garota, que está viva ”, disse. “A mulher, junto com seus filhos – dois meninos e duas meninas – estão mortos. Essas crianças estavam disparando foguetes? Não é suficiente que eles tenham negado a alegria do Eid? Estas são crianças! O mais velho estava na quarta série. ”

Eid al-Fitr é uma comemoração muçulmana que marca o fim do Ramadã.

Equipe de resgate busca por vítimas em meio aos escombros, na cidade de Gaza. | Fotografia por: Associated Press.

Raji al-Sourani, chefe do Centro Palestino para os Direitos Humanos, disse à Al Jazeera que Israel está alvejando intencionalmente civis. “O que aconteceu aqui em al-Wehda é uma evidência clara de que Israel está cometendo crimes contra a humanidade e visando civis propositalmente”, disse. “Os militares mais desenvolvidos e poderosos da região estão atacando edifícios residenciais, bancos, jornalistas e famílias. É claro que este exército criminoso não pode vencer a resistência e, em vez disso, 80 porcento de seus alvos são civis.”

Esse intenso bombardeio veio horas após o exército israelense atacar um campo de refugiados, matando dez pessoas, entre elas, oito crianças. As tropas israelenses afirmam que a casa era usada por oficiais antigos do Hamas, o que foi negado pelos residentes do campo.

Não só isso, no mesmo dia, forças israelenses atacaram um prédio que continha organizações de imprensa nacional e internacional, além de um banco de sangue. Associated Press e Al Jazeera tinham escritórios no prédio.

Nesse momento, o hospital de Gaza está saturado com feridos do bombardeio. A região também sofreu com um aumento de casos de coronavírus, já que, mesmo com a população de Israel estando totalmente vacinada, o governo se recusou a vacinar palestinos. O constante fluxo de pessoas estrangeiras na região também impulsiona o aumento de casos.

Shaima Ahmed Qwaider, uma enfermeira de vinte e três anos no hospital al-Shifa, descreveu cenas horríveis dos centenas de feridos chegando ao hospital. Muitos deles com membros decepados por bombas ou destroços.

“Eu nunca vi algo assim em toda a minha vida”, disse ela ao Al Jazeera. “Existiam partes de corpos coletadas em camas hospitalares e cenas insuportáveis”.