As manifestações no último sábado, dia 29 de maio, marcaram o início de uma comoção nacional —  e sem lados partidários — contra a gestão genocida e anticientífica atual. As recomendações dos organizadores pelo uso de máscara PFF2 e evitamento de aproximação social não foram o suficiente para impedir discordâncias entre a própria oposição, por estar indo contra os protocolos sanitários definidos pela Organização Mundial de Saúde. Todavia, ao pôr em uma balança moral, cabe a nós observar o óbvio: os impactos sobre a pandemia vão ser muito maior se ficarmos parados. É preciso agir, e é preciso ser agora.

O nosso atual presidente, Jair Messias Bolsonaro, não só desrespeita todas as recomendações da OMS diariamente, como zomba. São diversas aglomerações promovidas, se tornando corriqueiro vê-lo sem máscara ao redor da multidão de seus apoiadores, provando — mais uma vez — não dar a mínima para o vírus. Em um contexto de aproximadamente 3 mil mortes diárias, é desumano as atitudes sem escrúpulos de Jair, como cidadão, como chefe de Estado e como ser humano.

Não bastasse isso, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid nos trouxe à tona a certeza de que Bolsonaro está sendo um dos principais aliados do coronavírus no mundo, fazendo jus ao cargo ao qual frequentemente é acusado: genocida. A criação de gabinetes paralelos, a recusa de compra de vacinas (Pfizer e Coronavac) e até mesmo a tentativa de enfiar cloroquina na guela do povo brasileiro, disposto a cometer o crime de mudar a bula do remédio, segundo o depoimento do ex-ministro Luis Henrique Mandetta, nos dá a sensação de que o país está como um navio sem rumo afundando cada vez mais, só que o capitão dele, não está ausente, ele trabalha incessantemente como um covarde para perfurar cada vez mais as últimas estruturas da embarcação.

O quadro mais grave nos alcançou: mês passado, foi apresentado um levantamento com números do fim de 2020 nos revelando que 19 milhões de brasileiros estão em situação grave para condições de acesso à alimentação. Sim, milhões de brasileiros estão passando fome, nesse exato momento em que escrevo. Além disso, os dados do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar em Contexto de Covid revelam que mais da metade de nossa população sofrem alguma ameaça ao direito aos alimentos. Vale lembrar, que o valor máximo do auxílio emergencial atualmente é de 375 reais. Quando criticado, o presidente rebateu, dizendo que quem quer receber um valor maior que este, deveria “ir no banco e fazer um empréstimo”. Porém, Bolsonaro se esqueceu por um momento de que nem todos neste país possuem o privilégio da primeira dama Michelle Bolsonaro, que tem boas lembranças dos cheques de Queiroz.

Os riscos da reprodução do vírus pelas manifestações existem. Mas há de se levar em conta dois fatores: esta ocorre em espaços abertos e seus manifestantes prezam pelo uso de máscara — PFF2 que inclusive bloqueia 95% das partículas transportadas pelo ar —reduzindo drasticamente o risco de contágio, que ocorre principalmente por essas partículas, já que o risco de contrair covid-19 por contato é cerca de 1 em 10.000. Um último ponto de discussão seria sobre o abarrotamento dos transportes públicos, que não seria novidade para nenhum trabalhador médio, que usufrui de mais de um transporte público lotado diariamente.

Uma coisa é certa: estamos vivenciando um evento histórico, e todos nós moldamos este. A situação é drástica e necessita de medidas emergenciais e bem elaboradas. É preciso fazer pressão, para que a CPI ganhe cada vez mais força, para que o impeachment vire realidade e para que Jair se afrouxe cada vez mais em sua cadeira presidencial. Não é fácil esse pedido, mas é preciso coragem, pelo nossos irmãos; pelas nossas vidas. Assim, de fato, o Brasil verás que um filho teu não foge a luta.