Venezuela afirma que pagamentos ao sistema internacional de vacinas COVAX foram bloqueados

Autoridades venezuelanas disseram na quinta-feira que o governo do país não conseguiu completar o pagamento exigido para receber as vacinas contra o coronavírus porque as transferências para o programa internacional de vacinas COVAX foram bloqueadas.

Em 10 de abril, a vice-presidente afirmou ter pago 64 milhões de dólares para receber vacinas através da mesma organização. “Você sabe que o mecanismo COVAX exige um avanço e a Venezuela até dobrou o avanço necessário”, disse a vice-presidente Delcy Rodriguez, acrescentando que o governo havia depositado “59,2 milhões de francos suíços nas contas da GAVI”, co-líder do programa COVAX que visa melhorar o acesso dos países de baixa renda às vacinas.

Em seu anúncio, Rodriguez afirmava que as autoridades de saúde venezuelanas estavam avaliando quais vacinas o país aceitaria, especialmente considerando as novas variantes do coronavírus, particularmente a variante que se originou no Brasil.

O governo do presidente Nicolas Maduro disse durante meses que não poderia pagar o programa por conta das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos. Em março, afirmou ter feito quase todo o pagamento inicial de 120 milhões de dólares.

Entretanto, na última quinta-feira (10), a vice-presidente afirmou em uma transmissão pela televisão que o governo não foi capaz de pagar os 10 milhões restantes porque quatro operações foram bloqueadas. “O sistema financeiro, que também se esconde atrás do lobby dos EUA, consegue bloquear recursos que podem ser usados ​​para imunizar a população da Venezuela”, disse Rodriguez.

O comunicado em que a organização informa o bloqueio desses fundos foi posteriormente divulgado pelo chanceler Jorge Arreaza no Twitter, onde explica que o Executivo recebeu uma notificação detalhando os depósitos feitos pela Venezuela e também reflete a retenção de mais de 10 milhões de dólares pelo banco.

“A Venezuela pagou todos os seus compromissos com o mecanismo Covax para adquirir vacinas. No entanto, o banco bloqueou arbitrariamente os últimos pagamentos e estão sob investigação. Um crime!”, escreveu o chanceler na rede social.

Semana passada, os Estados Unidos, através do embaixador James Story, afirmou que não enviariam vacinas para a Venezuela porque o país apresenta uma ‘falta de transparência’. A declaração do embaixador veio depois que o presidente Joe Biden anunciou que seu governo doará 80 milhões de doses de vacinas para as nações que precisam “liderar o mundo no fim da pandemia”.

Entretanto, observou que tal decisão dos Estados Unidos de excluir a Venezuela da lista não é permanente e que o país poderia ser incluído em futuras doações, caso se adapte as necessidades estrangeiras. “É só neste primeiro turno que a Venezuela não entra nesta lista porque falta transparência na entrega das vacinas aos necessitados”, disse.

O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, respondeu declarando que as ações de Washington “demonstram seu ódio contínuo ao povo venezuelano”. “As restrições desumanas de suas sanções ilegais em meio a uma pandemia e o roubo de fundos e ativos da Venezuela não são suficientes para eles. Com esse tipo de opinião, eles apenas demonstram seu ódio contínuo ao povo venezuelano. Muita miséria de espírito ”, disse Arreaza.



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