A pressão do Reino Unido está aumentando para que os Estados Unidos rescindam seu pedido de extradição de Assange. Um grupo multipartidário de 24 membros do Parlamento britânico escreveu ao presidente Joe Biden na última sexta-feira (11) pedindo-lhe que retirasse todas as acusações contra o co-fundador do WikiLeaks, Julian Assange. Para o grupo, retirar as acusações seria “um ato que seria um toque de clarim para a liberdade, que ecoaria em todo o mundo”.

Juntos, os legisladores apontaram que, embora na época em que os principais documentos vazados – e que compõe a acusação contra o jornalista – Biden fosse vice-presidente, ele havia desempenhado um papel importante ao escolher não processar Assange por causa da publicação do WikiLeaks de documentos confidenciais relacionados às guerras no Afeganistão e Iraque; conhecidos respectivamente como Kabul War Diary e Iraq War Logs, bem como às condições na Baía de Guantánamo. Apesar disso, acrescentaram, Biden – que estava no Reino Unido para participar da cúpula do G7 – optou por não retirar as acusações feitas contra Assange durante a presidência de Donald Trump.

“O caso contra Assange também mina a confiança pública em nossos sistemas jurídicos”, escreveram os legisladores na carta aberta. “Nossos países também estão cada vez mais confrontados com a contradição de defender a liberdade de imprensa no exterior enquanto mantém Assange por anos na prisão mais famosa do Reino Unido a pedido do governo dos Estados Unidos.”

O jornalista foi acusado de dezessete violações a Lei de Espionagem e uma acusação conspirar para cometer intrusão de computador com o objetivo de ajudar Chelsea Manning a ganhar acesso de informações privilegiadas as quais ele pretendia publicar no WikiLeaks.

Em janeiro deste ano, deu-se início ao primeiro julgamento de extradição do jornalista. Por conta de sua saúde mental defasada diante anos de perseguição, a juíza responsável decidiu não extradita-lo – mas deu direito ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos de protocolar apelação da decisão.

Consequentemente, passou a ser utilizada contra whistleblowers ou funcionários estatais que vazassem qualquer tipo de informação para a imprensa. Um dos casos mais notórios dessa perseguição é o caso de Daniel Ellsberg, whistleblower dos Pentagon Papers, durante a década de setenta. Acusações foram feitas – que chegariam a uma possível sentença de cento e quinze anos de prisão – mas foram retiradas pouco tempo após o ocorrido diante pressão popular e jornalística.

É extremamente provável que a perseguição e o assassinato de reputação do co-fundador do WikiLeaks se perdure por mais um ano já que se torna cada vez mais claro que administração Biden não demonstra o mínimo de interesse em se diferir da anterior, no que tange a perseguição da imprensa, a violação da liberdade individual de jornalistas e o respeito a liberdade de imprensa em si.