“Fé no processo”: servindo tudo, collab Malik+Turví tem o afrofuturismo como conceito para a nova coleção


Conforto, elegância e origem são as palavras-chave para resumir a mais nova coleção Malik + Turví, uma colaboração feita pela marca Malik e pelo artista visual Turví. A surpreendente coleção foi lançada dia 4 de junho deste ano, e vem sendo estudada desde janeiro pelos mesmos, e até então está se concretizando como um experimento […]


Conforto, elegância e origem são as palavras-chave para resumir a mais nova coleção Malik + Turví, uma colaboração feita pela marca Malik e pelo artista visual Turví. A surpreendente coleção foi lançada dia 4 de junho deste ano, e vem sendo estudada desde janeiro pelos mesmos, e até então está se concretizando como um experimento inovador, cheio de cor, afeto e identidade.

Com o lema “Fé no processo”, a Malik é uma marca natural da cidade de Aracaju-SE, criada por Elisa Sabino e Mylena Rodrigues, duas mulheres negras. Nascida no meio de um carnaval de rua, o termo “Malik” remete-se à realeza, pois ambas as co-criadoras enxergam a comunidade preta como excelência tendo seu próprio reino. E, além disso, trazendo inquietações acerca do movimento fast fashion, a Malik nasce da urgência de confeccionar roupas que se encaixem na necessidade e no corpo da pessoa, sem perder o conforto. A marca possui um estilo próprio de fazer moda, e para Mylena a marca “é muito mais do que só uma representatividade”, para ela a Malik é um arauto do protagonismo preto, seja na moda ou em qualquer lugar.

Elisa e Mylena (respectivamente). Fonte: instagram.com/usemalik

Já o Turví, é uma identidade artística, também localizada em Aracaju-SE, que começou a fluir na sua arte a partir do que as pessoas enxergavam como pequenas turvas, e com o passar do tempo surgiu o nome “turvissimo”, e logo mais abreviando para “Turví”, consolidando como tal. A sua arte é composta de elementos psicodélicos e afrofuturistas, ligados à ancestralidade e preterimento, usando o seu perfil no Instagram para divulgar e enaltecer seu trabalho. Turví consegue, através da sua arte, evocar sensações. É um artista que não tem medo de se arriscar e está sempre em movimento, “quero poder a cada dia ser um pouco mais”, disse ele.

Turví. Fonte: instagram.com/turviartes

A parceria entre ambos produtores iniciou em janeiro deste ano, a partir de especulações sobre como seria a junção de duas formas de trabalhos totalmente distintas. A Malik tinha um tom mais sóbrio, com cores terrosas e suaves, enquanto o Turví possui uma vertente mais forte, psicodélica, então o conceito da coleção em si, seria reunir os aspectos de cada e produzir algo único, a partir desta dualidade de concepções. Nesse aspecto, as peças são criadas, pensadas e estudadas a partir de um conforto ligado à elegância dos corpos pretos. Ligada ao afrofuturismo, a coleção Malik + Turví carrega a importância de mostrar a suas origens e ancestralidades, através das vestimentas, cores, formas, texturas, peças e as nomenclaturas de cada. Peças como a “Afroá”, ou como a exclusiva “Mangue”, são algumas das várias expressões daquilo que o povo negro consegue vislumbrar a partir de um futuro.

Tapeçaria Afroá. Fonte: instagram.com/usemalik

Elane Abreu, mulher negra e doutora em Comunicação e Cultura (ECO-UFRJ), fala sobre o afrofuturismo com um olhar voltado para o futuro do povo negro: “a gente tem sempre que pensar essa especulação do futuro negro, é uma relação de também criar protagonismo para esses corpos negros, no que tange o futuro”. Como pessoa que sempre esteve atrelada às questões de imagens e fotografia, o afrofuturismo possui muitos atravessamentos sobre a mesma, principalmente sobre a moda, que deixa claro a sua experiência como observadora na área. Elane percebe que “como essa questão especulativa do futuro, das tecnologias, da ancestralidade, estava vinculada a uma estética afrofuturista, a gente percebe que a expressão estética da moda também pode criar repertórios de vestuário, inspirados nesse tipo de referência. Então podemos ver do ponto de vista da elaboração de um figurino, de uma elaboração de uma coleção, quando ela se dá nesse terreno afrofuturista, ela necessariamente precisa está vinculada a essa estética especulativa, esses dados da ficção científica, essas noções de um futuro em que a pele negra ela está presente e ela é que é a comunicante.”

Elisa Sabino, uma das criadoras e sócias da Malik, vislumbra a noção afrofuturista não apenas como parte de um conceito de coleção, mas desde o nascimento da marca, segundo ela “nós somos o passado, nós somos o presente e nós somos o futuro, nós enquanto pessoas pretas e eu sinto que tudo o que a gente produz, tudo o que a gente tá fazendo agora de certa forma também é afrofuturista, então, porque não nossa coleção não ser também, uma coleção cheia de cor, de movimento, e que, ao mesmo tempo, é muito leve. Eu acho que não participa só apenas da coleção, mas a Malik é em si um movimento afrofuturista, o que estamos fazendo é inovador, e isso para mim, é afrofuturista.”

Camisa Mangue. Fonte: instagram.com/turviartes

Africanizando a moda, Malik + Turví trouxeram um novo modo e exercício de ver a realidade, um papel fundamental para a construção de projetos futuros, formações de novos conceitos, novas parcerias, novas produções e novos pensamentos acerca da área fashion. O futuro da moda é preto, afrofuturístico e ancestral, e é preciso estarmos sempre em constância de delineamento de espaços e processos.



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