Estudantes da Federal da Bahia são detidos após fazerem divulgação ao ato de 19 de junho.


Dois estudantes da Universidade Federal da Bahia e militantes do Movimento Correnteza foram detidos na última quarta-feira (16) em Salvador. Matheus Portela e Ícaro Vergne, integrante da equipe da Revista O Sabiá, foram levados a Central de Flagrantes da Polícia Civil da Bahia após fazerem colagens na área externa do metrô da capital. Os estudantes […]


Dois estudantes da Universidade Federal da Bahia e militantes do Movimento Correnteza foram detidos na última quarta-feira (16) em Salvador. Matheus Portela e Ícaro Vergne, integrante da equipe da Revista O Sabiá, foram levados a Central de Flagrantes da Polícia Civil da Bahia após fazerem colagens na área externa do metrô da capital.

Os estudantes estavam fazendo colagens na área externa da passarela do metrô Rodoviária, em busca de propagandear o ato que ocorrerá neste sábado (19), contra o presidente da República e sua condução da pandemia. 

Inicialmente, policiais militares queriam associar os estudantes a grupos criminosos – facções – ou usuários de drogas. Após ter acesso aos documentos de ambos os homens, as autoridades chegaram a comparar o rosto dos estudantes no documento de identidade com o atual, alegando que eles estavam ‘acabados depois que entraram na Universidade Federal da Bahia’. 

Um dos policiais militares agrediu um dos estudantes, o segurando pelo pescoço para ir até o banheiro da Central de Flagrantes do bairro Iguatemi, para conduzir uma revista sem a presença do advogado, em local privado e de maneira individual. Ambos os estudantes tentaram impedir que isso ocorresse até que seus representantes legais chegassem, mas sem sucesso. Após muita resistência, aceitaram que fossem revistados no banheiro do local com as portas abertas.

Já na delegacia, policiais militares colocaram os estudantes em cadeiras separadas e distantes para que não houvesse contato entre os dois. Eles esperaram uma hora no local até serem atendidos pelo delegado, e nesse meio tempo, foram questionados pelos policiais militares sobre suas motivações políticas. De acordo com um dos estudantes, as autoridades defendiam fervorosamente o presidente da República, Jair Bolsonaro, alegando que ‘eles não sabiam nem pelo que estavam protestando’. Quando eles tentavam responder, eram ridicularizados ou silenciados.

Durante o tempo que passaram na delegacia, os estudantes também viram outros detidos sendo tratados de maneira truculenta, sendo ridicularizados ou agredidos.

Um inquérito foi aberto contra Matheus e Ícaro, sob a acusação de ‘dano ao patrimônio público’, considerado um crime de baixa letalidade.

“Fomos tratados com muita truculência por parte da Polícia Militar e isso reflete o nível de repressão e criminalização aos movimentos sociais que estamos vivendo. Com isso, pensaram que iriam nos amedrontar, mas muito pelo contrário, só reforça ainda mais a necessidade de lutar contra esse sistema capitalista e esse governo fascista do Bolsonaro. É preciso dizer que lutar não é crime!”, afirma o estudante e integrante da equipe Sabiá, Ícaro Vergne.

A condução das autoridades foi vergonhosa. É com pesar que podemos afirmar que isto ocorre diariamente e em muitos casos, de maneira mais truculenta. Caso os estudantes permitissem a revista individual, com portas trancadas, não poderíamos afirmar com precisão que esta história teria o mesmo final. Se manifestar politicamente não é um crime.


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