Águas de março


Não podia reclamar do momento: eram as águas de março fechando o verão.


Fim de verão e sítio: talvez essa fosse uma das combinações de que eu mais gostasse – além de uísque e um velho amigo. Mas, se tinha algo que não combinava, era eu e obra. A casa estava passando por uma pequena obra (Apenas mais um de meus eufemismos), então eu e a Teresa resolvemos ficar no barraco número 2, ali no mesmo terreno.

Era pau, pedra, resto de toco, tudo que você pudesse imaginar, jogado aos montes para todos os lados no estado mais simples possível. Nesse mesmo dia, tentei entrar naquele projeto de casa. Vãos e vigas a torto e à direita, queria buscar uns papéis em que havia feito algumas anotações para um projeto que estava em progresso. Busquei tudo de que precisava e retornei a meu querido barraco. Outra dose de uísque e violão em mãos: eram o melhor material que podia ter para tentar terminar logo esse projeto. Pensei em chamar o João para gravar comigo depois, quem sabe.

Só sei que todos os meus planos foram por água abaixo, literalmente. Choveu muito forte. Preocupado, subi para ver o que acontecia na obra. Era lama, era lama! Ao chegar à casa, deparei-me com uma cena de guerra: de fato, o único contraste vinha dos pedreiros que se abrigaram embaixo de uma das vigas junto a alguns passarinhos e riam entre si de algo que eu não sabia (Talvez felizes com a pausa no trabalho ou apenas achando graça da minha cara de bobo vendo a situação). Não podia reclamar do momento: eram as águas de março fechando o verão.

Depois daquele fundo de poço, o sol já se abria pouco a pouco. Meu caminho de volta ao barraco número dois foi marcado por aquele momento de reflexão: altos e baixos, longo e curto, claro e escuro (Barroca volta ao barraco: isso dá uma letra…). De fato, foi isso que pude ver durante todo o dia. Havia algo de lindo em toda aquela feiura, algo de complexo em toda aquela simplicidade de elementos, ou será que só estou pensando demais? Não sei.

O que sei é que minha volta foi o oposto de tudo que havia acontecido: petricor e euforia. A pequena estrada de terra me guiava, enquanto a mata gritava sua sinfonia em meus ouvidos, meus pés cansados e felizes quase que sapateavam lembrando minhas antigas composições, o fim de frio que acalentava meu rosto acostumado com o calor do Rio de Janeiro antes da viagem. É, acho que isso vira canção… Realmente, promessa de vida no teu coração.



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