Quando uma mulher foi condicionada a ser mãe na infância, um homem não precisou se preocupar. Dito isso, percebemos a importância do contato de crianças do gênero masculino com brinquedos, até então, dirigidos somente ao feminino. O brinquedo, que transita entre o concreto e o simbólico, aparece como um meio de resistência diante das estruturas patriarcais responsáveis por sustentar a carga mental feminina tão presente na vida de mães solos e, também, de mulheres que vivem com seus parceiros mas se encontram sobrecarregadas e adoecidas devido à ausência de uma divisão de tarefas justa. Embora possa soar bobo, o seu filho ter contato com a cozinha da casa, com panelinhas, vassoura e brincar de colocar o (a) bonequinho (a) para dormir pode ser um gatilho para algo positivo em suas relações futuras.

Boa parte dos homens cresce com o aval do patriarcado para errar e ser prontamente acolhido; que tal, de agora em diante, conversarmos com eles sobre responsabilidades e respeito? Vamos combinar: toda mulher que se relaciona com um homem cis precisa enfrentar diariamente entraves que o machismo estrutural ainda exerce na sociedade, especialmente nos lares que são cuidados por casais compostos por um homem e uma mulher – se houver uma criança, então, o caos está feito.

Uma vez ouvi algo que ficou na cabeça: “se uma casa tiver dez pessoas, nove delas homens e uma mulher, e alguém chegar nessa casa e ela estiver com coisas domésticas por fazer, culparão a mulher”. Para alguns pode parecer algo que já não existe, mas não se engane, boa parte das dinâmicas domésticas que conheço são norteadas por mulheres. Por que, então, somos índice maior de desemprego? Precisamos falar sobre formalização do trabalho doméstico também. O machismo estrutural é, ainda, alicerce de grande parte do nosso meio.

É em nossa casa que poderemos fazer a diferença ou não no futuro das próximas gerações. Converse com seu filho sobre divisão de trabalho doméstico, cooperação e diálogo para resolução de problemas; essa relação saudável pode começar por você, mãe, pai, cuidador. A luta contra o machismo e contra todas as opressões coloniais não é esporádica, é diária. Mas de uma coisa eu sei: juntos seremos mais fortes para fazer a diferença.

Sabiá

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