Quando bate aquela saudade

Saudade… Não vou começar com aquele clichê de “palavra que existe somente na Língua Portuguesa” e bla bla bla porque, apesar de ser um grande adepto dos clichês, não quero falar sobre a palavra em si. Então vamos começar, o que é saudade para você? Não precisa responder agora, pode deixar para quando terminar de ler, não vou te dar uma resposta, mas preciso prender sua atenção até o final, né?

Eu gosto muito dessa música do Rubel que está no título; na verdade, toda vez que pego um violão, faço questão de tocá-la. Acontece que ela faz você sentir saudade, como se sempre estivesse ali, sabe? E até o final do clipe você está melancólico e nem sabe o motivo, só sente falta de algo.

Além disso, ela me dá a impressão de que a saudade não é só um momento… Ela está sempre ali comigo: na fila do mercado, na lotérica, na sala de aula… Todo lugar, ela só vai se transmutando em pessoas, coisas e, às vezes, nem tem forma, só está ali, não machuca, convive. Pode ser de algo que nem aconteceu (juro que não estou citando o Neymar aqui) e isso acalma um pouco a ansiedade, sei lá.

Mas esqueça-menum pouco, voltemos a você… Eu sei que sente saudade, pode não ser do jeito que eu descrevi (ainda), mas eu sei que você sente. Está bem ali! Atrás da fumaça desse teu cigarro, na mensagem que você não envia, bem no meio do seu orgulho…, o próprio Rubel fala na música: “A gente fica longe, a gente até se esconde, e volta a namorar depois” (Ai ai, carência que me mata). Mas me diz aí, o que que tu faz com isso? Como que você lida com a tua saudade? Sem desespero, não precisa chorar agora, se precisar, me manda uma mensagem. Só quero que você reflita um pouco e esqueça a velocidade do mundo.

Acontece que, às vezes, ele te coloca no automático e você se fecha para algumas sensações, te desconecta de você. É triste e, com certeza, te machuca um pouco; a vida infelizmente funciona dessa forma, você deixa a sua mente de lado e só deixa o corpo trabalhar, não vive, existe. Mas aí é que entra a grande salvadora do seu lado humano, adivinha? (Quem falar qualquer droga não tá completamente errado) A saudade. Sei que em alguns momentos você sente falta de si mesmo, e está tudo bem, às vezes pode ser difícil se encontrar e isso é um pouco desesperador.

Enquanto você se recupera aí do choro, eu volto para mim (já enxuguei as lágrimas do teclado). Bom, como eu falei, eu convivo com a saudade o tempo todo, então, para mim, nem sempre ela machuca, claro que volta e meia dá vontade de espernear ou sair correndo pela avenida ACM sem rumo até bater no Rio Vermelho (a boemia é opcional), mas, às vezes, ela só coloca um sorriso no meu rosto. Danada essa tal de saudade né? Maltrata, mas, quando quer, aquece, dá vontade de viver de novo e de novo, de sair na chuva e bater naquela porta.

Sinto falta da loirinha do bairro distante, daquela sala, da minha véia, da moça de Barreiras… E nem tudo eu precisei viver, só me resta vontade. É tudo saudade, continuidade, doce condenação de eternidade. Mas e aí, pra você, o que é saudade?



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