As eleições para o chamado Bundestag, o parlamento alemão, foi o tema da minha coluna da última semana, e algumas novidades aconteceram ao decorrer dos últimos dias. Novas pesquisas mostram que a candidatura de Olaf Scholz pela SPD continua avançando, enquanto a CDU de Laschet perde eleitores.

O drama dos conservadores aumenta com as pesquisas mostrando que, se os alemães fossem escolher diretamente um nome, Laschet não seria nem mesmo o segundo colocado, ficando atrás de Baerbock, a candidata do Partido Verde. É importante ressaltar que a votação é pelo partido/coalizão, e não diretamente no nome desejado para chanceler.

A má escolha tomada pela CDU fica ainda mais clara quando se compara a popularidade de Laschet, o candidato escolhido, com a de Söder, que atualmente ocupa o cargo de ministro-presidente da Baviera e disputou com Laschet numa espécie de primárias dos conservadores. Enquanto Laschet tem 11% da preferência, frente a 29% de Scholz, Söder teria uma liderança folgada: 39% a 22%.

A má escolha tomada pela CDU fica ainda mais clara quando se compara a popularidade de Laschet, o candidato escolhido, com a de Söder, que atualmente ocupa o cargo de ministro-presidente da Baviera e disputou com Laschet numa espécie de primárias dos conservadores. Enquanto Laschet tem 11% da preferência, frente a 29% de Scholz, Söder teria uma liderança folgada: 39% a 22%.

Essas discrepâncias acontecem pois apesar de ser representante a União, a coalizão de Merkel, Laschet lembra pouco a chanceler e não é visto como alguém de continuidade a suas políticas, sendo alguém que nunca participou diretamente do governo de Merkel, enquanto Scholz é atualmente seu Vice-chanceler e já foi o Ministro do Trabalho e Assuntos Sociais, passando ao povo alemão uma imagem de moderado e de sucessor natural de Merkel, apesar de estar mais à esquerda no campo político.

Scholz também tem como vantagem sua atuação nos debates, se saindo claramente melhor que seus adversários, em especial Laschet, que parece já não acreditar em sua candidatura após tantos erros cometidos no processo. A estratégia da CDU vem sendo algo clássico da direita global, apesar da imagem de moderação que o partido conservador alemão tem construído com Merkel ao longo dos anos: associar o adversário da esquerda moderada à política de extrema-esquerda, ao descontrole de gastos e à irresponsabilidade no trato econômico. O fato de Scholz não descartar uma coalizão com o partido mais à esquerda, o DIE LINKE, que é herdeiro dos comunistas da Alemanha Oriental vem sendo a principal arma, até mesmo Merkel se posicionou, algo que não é de seu costume fazer nas eleições e pode influenciar os resultados: a chanceler tem 89% de aprovação dos alemães, algo incrível de se conquistar após 16 anos no cargo. Merkel declarou em entrevista: “Há uma enorme diferença entre mim e Scholz”, justamente pelo fato da possibilidade de coalizão com A Esquerda, que é muito rejeitada pela população alemã.

Apesar da propaganda, a coalizão não é a mais provável, sendo possível negociar. Quem não deve ficar fora de um governo do SPD são os Verdes, a questão é que as pesquisas não indicam ser possível um governo comandado apenas pelos dois partidos. Nessas polêmicas, o FDP, partido liberal, se fortalece e abre brecha para uma possível coalizão semáforo – SPD (vermelho), Verdes (verdes, é claro) e FDP (amarelo).

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