O interesse por algo ou alguma coisa pode levar a lugares inusitados, como, por exemplo, num piscar de olhos, encontrar-se no meio de um fandom de um desses sites bem legais (?) que existem na internet. E, se você não sabe o que é fandom, talvez seja de uma geração à frente deles, ou não seja ligado a essas coisas.

Sim, o interesse que nos faz querer olhar mais de perto, que é capaz de prender nossa atenção genuinamente, que acontece ao ter contato com algo novo e, ressoando, nos vemos gostando do que, até então, não conhecíamos. Isso também é ir se conhecendo, claro. Como se chama esse contato com as coisas que geram o gostar? Esse ponto invisível que, ao menor sinal de proximidade, volta para nós mesmos como agradável. Como surge senão pelo experimentar da vida? Pelo se jogar no mundo na tentativa de descoberta e de encontrar sentido.

Não vou dizer que não sei que, para muitos, tentativas e erros não são tão fáceis como escrever essas palavras, pois sei que também podem ser muito apavorantes. Mas eu estava falando do fandom, sim, cheio de jovens afoitos pela vida, com todas as sensações em ebulição e sem esquecer do meu clichê de sempre: uma flor prestes a desabrochar. Jovens que falam rápido (eu quase não entendo nada), eles me chamam de “véia” e acham que eu tenho um jeito muito peculiar de “Luizar” porque, sempre quando questionada sobre algum assunto do grupo, eu respondo que não entendi. Eu aceito, quase não consigo acompanhar as gírias, os pensamentos, os memes (eu juro que tenho me esforçado). Eles riem da minha forma de rir com ‘hahaha”, da minha forma de falar com um quê de terceira idade (risos), das figurinhas que eu acho incríveis. Eu sorrio de volta como quem descobre que achar graça cabe bem no mesmo lugar que caberia, quem sabe, uma corriqueira crítica.

Ao mesmo tempo em que há o limbo de vida que nos separa, há o deslumbramento pelo passado e pelo quanto havia poesia na descoberta. Elas perdem tempo com coisas com as quais eu também perdia (eu falei “perdem tempo” daqui, de um lugar futurístico em que se descobre que muitas coisas são perdas de tempo mesmo ou, então, entende-se a necessidade de perder tempo para aprender outras novas coisas e o erro, parecendo erro, volta como acerto). Elas importam-se muito, apaixonam-se rápido e sentem, sentem tanto que às vezes eu sinto inveja de todo esse sentir.

Não quero pensar na solidão da vida adulta e no encanto que deve ser criado diariamente se você não quiser se tornar um sério de galocha (desculpa por essa expressão, jovens, estou falhando miseravelmente na minha tentativa de camuflagem entre vocês). Elas me fazem gargalhar até chorar, me fazem querer ser o mais jovial possível (aí, tá vendo, não tem jeito.); tudo pela leveza, pelo esquecimento em minutos de distração de todas as obrigações cotidianas. Por que a gente perde isso, hein?

A vida é mesmo a arte do encontro, como disse muito bem o poeta, e que bom que eu encontrei vocês que, desde que apareceram confundindo a minha voz com alguém familiar, trazem alegria, descoberta e uma infinidade de sentimentos bons. Vocês que falam engraçado aos meus ouvidos, que são perspicazes, que quebraram meus preconceitos de quando eu jurava que pessoas da idade de vocês não sabiam nada. Olha, eu estou aqui dizendo que vocês sabem sim e sabem mais que muitos outros adultos e fazem mais que o presidente da República com o conhecimento que possuem. Vocês são a esperança no mundo melhor e certamente nessa hora, mais um “mas é veia mesmo” tá rolando.

Que se dane! Vocês são incríveis na individualidade de cada uma, com os gostos, as risadas, as conversas, a voz, e isso tudo eu consigo perceber. E ainda que soe anacrônico, eu juro que a minha gratidão nasceu em 2021 e é novinha em folha.