Por dentro dos planos da CIA contra o WikiLeaks e Julian Assange


O padrão de comportamento da CIA revela como o assassinato é utilizado para limitar a liberdade de expressão.


Eles estavam vendo sangue. A colocação vem de um ex-oficial de segurança da administração de Donald Trump, ao ser questionado sobre os planos da CIA, agência de inteligência dos Estados Unidos, para sequestrar e assassinar o jornalista Julian Assange. Uma nova reportagem explosiva, publicada inicialmente pelo site Yahoo News, revelou o limite que norte-americanos estavam dispostos a cruzar para proteger escândalos de corrupção, crimes de guerra e espionagem de suas agências estatais.

Mesmo com a ‘aprovação’ do ex-presidente Donald Trump após divulgar, através do WikiLeaks, e-mails do Partido Democrata, a vida de Julian Assange ainda foi posta em jogo pelos trumpistas. O ex-secretário de Estado e ex-diretor da CIA, Mike Pompeo, estava determinado a punir o jornalista. O motivo: em 2017, o WikiLeaks publicou uma série de documentos, apelidados de Vault 7, que expunham as ferramentas de hacking e espionagem da CIA.

A investigação do site de notícias é baseada em conversas com mais de trinta ex-oficiais da administração republicana, oito dos quais revelaram planos para sequestrar e assassinar o jornalista.

O jornalista e co-fundador do WikiLeaks, Julian Assange, discursa em frente a Embaixada do Equador em Londres. | Imagem: Jack Taylor/Getty Images.

A fúria da agência com o WikiLeaks levou Pompeo a descrever a organização como um “serviço de inteligência hostil e não estatal”. Isso, segundo o Yahoo, foi além que apenas um ponto de discussão provocativo, a designação abriu a porta para os agentes da agência tomarem ações muito mais agressivas, tratando a organização como ela trata os serviços de espionagem do adversário.

Um ex-funcionário disse ao Yahoo que o rótulo mais agressivo foi “escolhido deliberadamente e refletia a visão do governo” e permitiu que Pompeo e seus tenentes pensassem de forma mais criativa sobre como atacar Assange. Esses planos envolviam sequestro e assassinato. O governo também buscou e ganhou uma redação legislativa que respaldasse a reivindicação pela expansão do poder.

Ao longo da reportagem, é descrito, em diversos momentos, que a publicação do Vault 7 abalou o núcleo da agência de inteligência. Sentimentos de vergonha, raiva e vingança eram o principal motor da agência contra o WikiLeaks. Atualizações sobre o jornalista eram frequentemente incluídas no ‘resumo diário’ do ex-presidente Trump — tal resumo consiste em um documento ultrassecreto elaborado por agências de inteligência norte-americanas, resumindo questões críticas para a segurança nacional daquele dia.

Em poucos meses após a publicação dos documentos, espiões dos Estados Unidos monitoravam as comunicações e movimentos de vários funcionários do WikiLeaks, incluindo vigilância sonora e visual do próprio Assange.

A questão imediata enfrentada por Pompeo e a CIA era como contra-atacar o WikiLeaks e Assange. Funcionários da agência encontraram a resposta em um truque legal.

Normalmente, para que a inteligência dos Estados Unidos interfira secretamente nas atividades de qualquer ator estrangeiro, o presidente deve assinar um documento denominado “achado”, tradução livre, que autoriza tal ação secreta, que também deve ser informado aos comitês de inteligência da Câmara dos Deputados e do Senado.

Assange passou sete anos como refugiado em uma Embaixada do Equador em Londres, capital do Reino Unido. Por tal motivo, o plano de sequestrar um indivíduo de interesse internacional, por trás do maior parceiro comercial dos Estados Unidos, invadindo um edifício sagrado como uma Embaixada, se tornou um pouco complicado. Logo, para esse caso específico, oficiais da CIA estavam atrás de uma brecha.

Não só isso: a agência sabia que funcionários e associados do WikiLeaks tomavam sérias medidas de segurança — tanto cibernéticas, quanto físicas. Após a afirmação do WikiLeaks que apenas uma pequena fração dos documentos do Vault 7 haviam sido publicados, o primeiro plano da agência era roubar os drives da organização que armazenavam os arquivos e impedir a publicação dos restantes. O plano foi descartado após tomarem conhecimento que funcionários criptografavam as unidades de armazenamento, ou as guardavam em cofres.

Vault7 e a espionagem norte-americana

Em 2017, houve mais um vazamento de documentos secretos em série por parte do WikiLeaks. Denominados de “Vault 7”, os documentos mostraram ao mundo a enorme capacidade de espionagem por parte da maior agência de inteligência do mundo, a CIA. Esta matéria é mais uma da série sobre o WikiLeaks e Julian Assange, já que…

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Mesmo com alguns planos frustrados, a agência obteve vitórias. Em meados de 2017, espiões norte-americanos possuíam excelente inteligência sobre diversos membros, funcionários e associados do WikiLeaks, não apenas sobre Julian Assange.

Eles traçaram e captaram inteligência sobre os padrões de vida e comportamento dos indivíduos, como o que essas pessoas estavam dizendo e para quem, para onde estavam viajando ou onde estariam em determinada data e hora, em quais plataformas essas pessoas se comunicavam. Além disso, com o intuito de ‘flagrar’ uma parceria entre o WikiLeaks e a Rússia, oficiais de inteligência captaram vasto conhecimento das viagens de funcionários do WikiLeaks na Europa, em específico, viagens para a Rússia ou países na órbita russa.

Na agência, a nova designação de “um serviço de inteligência hostil e não estatal” significava que Assange e WikiLeaks passariam de “um alvo de coleta a um alvo de interrupção”, segundo um ex-oficial ao Yahoo. As propostas começaram a se infiltrar na agência para realizar várias atividades disruptivas — o núcleo da “contra-informação ofensiva” — contra o WikiLeaks. Isso incluiu paralisar sua infraestrutura digital, interromper suas comunicações, provocar disputas internas na organização ao plantar informações prejudiciais e roubar dispositivos eletrônicos de membros do WikiLeaks, de acordo com três ex-funcionários.

Infiltrar o grupo, seja com uma pessoa real ou inventando uma pessoa cibernética para ganhar a confiança do grupo, foi rapidamente descartado como improvável de ter sucesso porque as figuras seniores do WikiLeaks eram muito preocupadas com a segurança, de acordo com ex-funcionários da inteligência. Semear a discórdia no grupo parecia um caminho mais fácil para o sucesso, em parte porque “aqueles caras se odiavam e brigavam o tempo todo”, alega um ex-oficial de inteligência.

Mesmo assim, infiltrar a organização não seria uma ideia nova. Como já foi reportado por esta revista, a principal testemunha dos Estados Unidos no atual caso de extradição do jornalista, Sigurdur Ingi Thordarshon, foi infiltrado no grupo por alguns meses para trabalhar junto a agências de inteligência e segurança dos Estados Unidos. Thordarshon foi recrutado pelas autoridades norte-americanas para construir um caso contra Assange após induzi-los a acreditar que ele era um colega próximo do ativista. Na realidade, ele se ofereceu limitadamente e temporária para arrecadar dinheiro para o WikiLeaks e, quando teve essa oportunidade, usufruiu dela para desviar mais de cinquenta mil dólares da organização.

Mesmo assim, muitas das outras ideias “não estavam prontas para o horário nobre”, alega um ex-oficial de inteligência ao Yahoo. “Um cara afiliado ao WikiLeaks estava se movendo ao redor do mundo e eles queriam roubar seu computador porque pensaram que ele poderia ter” arquivos do Vault 7, disse o ex-funcionário. Ele não conseguiu identificar aquele indivíduo. Mas algumas dessas propostas podem ter sido eventualmente aprovadas.

Em dezembro de 2020, Andy Müller-Maguhn, um hacker alemão intimamente afiliado ao WikiLeaks que ajudou nas publicações do Vault 7, afirmou que houve uma tentativa de arrombamento de seu apartamento, que ele havia protegido com um elaborado sistema de bloqueio. O hacker também disse que foi perseguido por figuras misteriosas e que seu telefone criptografado foi grampeado.

“Isto não é Paquistão ou Egito — estamos falando de Londres”.

Em reuniões entre altos funcionários da administração Trump após a publicação dos documentos do Vault 7, Pompeo começou a discutir o sequestro de Assange.

Pompeo e outros membros da agência propuseram sequestrar Assange da embaixada e trazê-lo sub-repticiamente de volta aos Estados Unidos através de um terceiro país — um processo conhecido como rendição. A ideia era “invadir a embaixada, arrastar [Assange] para fora e trazê-lo para onde queremos”, disse um ex-funcionário da inteligência. Outra versão da proposta envolvia agentes dos Estados Unidos roubando Assange da embaixada e entregando-o às autoridades britânicas.

Tais ações certamente criariam uma tempestade diplomática e política, já que envolveriam a violação da santidade da Embaixada do Equador antes de sequestrar o cidadão de um parceiro crítico dos Estados Unidos — a Austrália — na capital do Reino Unido, o aliado mais próximo dos Estados Unidos. Tentar apreender Assange de uma embaixada na capital britânica pareceu “ridículo”, afirmou um ex-funcionário da inteligência ao Yahoo. “Isto não é Paquistão ou Egito — estamos falando de Londres”.

O consentimento britânico estava longe de ser garantida. Os ex-funcionários divergem sobre o quanto o governo do Reino Unido sabia sobre os planos de rendição da CIA para Assange, mas em algum momento, os funcionários norte-americanos levantaram a questão com seus colegas britânicos. “Houve uma discussão com os britânicos sobre dar a outra face ou desviar o olhar quando uma equipe entrou e fez uma rendição”, disse um ex-oficial sênior da contra-espionagem ao Yahoo. “Mas os britânicos disseram: ‘De jeito nenhum, você não está fazendo isso em nosso território, isso não está acontecendo’.”

Já outros funcionários estavam preocupados com a legalidade do sequestro. Ironicamente, os oficiais afirmavam que não estavam mais no mesmo período da Guerra ao Terror — onde os Estados Unidos invadiram e massacrou diversos países do Oriente Médio em nome do falso combate ao terrorismo.

Outras discussões foram além do sequestro e tocaram no ponto do assassinato do jornalista. Segundo um de três ex-oficiais que confirmaram a pauta, ele foi informado sobre uma reunião na primavera de 2017 onde o ex-presidente Donald Trump questionou se a CIA poderia assassinar Julian Assange e fornecer-lhe “opções” de como fazê-lo. Não fica claro o quão sérias as propostas para assassinar Julian Assange eram, nem para o Yahoo, nem para os ex-funcionários. Mesmo assim, os ex-oficiais testemunham para o site que executivos da agência solicitaram e receberam rascunhos de planos para assassinar o jornalista e outros membros do WikiLeaks baseados na Europa que tinham acesso aos materiais do Vault 7.

Enquanto as autoridades americanas debatiam a legalidade do sequestro de Assange, elas passaram a acreditar estarem correndo contra o relógio. Relatórios de inteligência advertiram que a Rússia tinha seus próprios planos para tirar o líder do WikiLeaks da embaixada e levá-lo de avião para Moscou. Os Estados Unidos “tinham uma coleção primorosa de seus planos e intenções”, alega Evanina ao Yahoo, o principal oficial da contra-espionagem dos Estados Unidos de 2014 até o início de 2021. “Estávamos muito confiantes de que podíamos mitigar qualquer uma dessas tentativas [de fuga].”

As autoridades ficaram particularmente preocupadas quando suspeitos de agentes russos em veículos diplomáticos próximos à embaixada do Equador foram observados praticando uma manobra de “explosão estelar”, uma tática comum para serviços de espionagem, em que vários agentes repentinamente se espalham para escapar da vigilância, de acordo com ex-funcionários. Isso, segundo o site, pode ter sido uma corrida prática para retirar o jornalista, potencialmente coordenada com os equatorianos, para tirar Assange da embaixada e levá-lo para fora do país. “Os equatorianos avisariam aos russos que iriam soltar Assange na rua, e então os russos o pegariam e o levariam de volta para a Rússia”, disse um ex-oficial de segurança nacional.

Os norte-americanos desenvolveram vários planos táticos para impedir qualquer tentativa do Kremlin de libertar Assange, alguns dos quais previam confrontos com operativos russos na capital britânica. “Pode haver qualquer coisa, desde uma briga de socos a um tiroteio e carros batendo uns nos outros”, disse um ex-funcionário sênior do governo Trump ao Yahoo. “Uma proposta para iniciar um acidente de carro para parar o veículo de Assange não era apenas um curso de ação “limítrofe” ou “extralegal” — “algo que conduziríamos no Afeganistão, mas não no Reino Unido” — mas também era particularmente sensível, visto que Assange era provavelmente será transportado em um veículo diplomático russo”. Se os russos conseguissem colocar Assange em um avião, agentes americanos ou britânicos o impediriam de decolar, bloqueando-o com um carro na pista, pairando um helicóptero sobre ele ou atirando em seus pneus, de acordo com um ex-funcionário sênior da administração Trump. No caso improvável de os russos conseguirem decolar, as autoridades planejaram pedir aos países europeus que negassem ao avião o direito de sobrevoo.

No final de 2015, o Equador contratou uma empresa de segurança espanhola chamada UC Global para proteger a Embaixada do país em Londres, onde Assange já havia passado vários anos administrando o WikiLeaks de sua residência. Sem o conhecimento do Equador, no entanto, em meados de 2017, a UC Global também estava trabalhando para a inteligência dos Estados Unidos, de acordo com dois ex-funcionários que testemunharam em uma investigação criminal espanhola relatada primeira vez pela pelo jornal El País.

A empresa espanhola estava fornecendo às agências de inteligência dos Estados Unidos relatórios detalhados das atividades e visitantes de Assange, bem como vigilância por vídeo e áudio de Assange a partir de dispositivos instalados secretamente na embaixada, testemunharam os funcionários. Um ex-oficial de segurança nacional confirmou ao Yahoo que a inteligência norte-americana tinha acesso a vídeos e áudio de Assange na embaixada, mas se recusou a especificar como os adquiriu.

Em dezembro de 2017, o plano para levar Assange à Rússia parecia estar pronto. A UC Global soube que Assange “receberia um passaporte diplomático das autoridades equatorianas, para deixar a embaixada e transitar para um terceiro estado”, disse um ex-funcionário. Em 15 de dezembro, o Equador nomeou Assange como diplomata oficial daquele país e planejava designá-lo para sua embaixada em Moscou, segundo documentos obtidos pela Associated Press. Em 21 de dezembro, o Departamento de Justiça secretamente acusou Assange, aumentando as hipóteses de extradição legal do Reino Unido para os Estados Unidos. No mesmo dia, segundo o El País, a UC Global gravou uma reunião realizada entre Assange e o chefe do serviço de inteligência do Equador para discutir o plano de fuga de Assange. “Horas depois da reunião”, o embaixador dos Estados Unidos comunicou seu conhecimento do plano aos seus homólogos equatorianos.

Os funcionários da inteligência dos Estados Unidos acreditaram que a Rússia planejava retirar Assange, supostamente na véspera de Natal. Segundo o ex-funcionário da UC Global, o chefe da empresa discutiu com seus contatos americanos a possibilidade de deixar a porta da embaixada aberta, como que por acidente, “o que permitiria a entrada de pessoas de fora da embaixada e sequestrar o asilado”. O mesmo funcionário relatou ao jornal britânico The Guardian que a empresa discutiu o envenenamento do jornalista.

Pollack, o advogado de Assange, disse ao Yahoo News que se Assange for extraditado para enfrentar o julgamento, “a natureza extrema do tipo de má conduta governamental que você está relatando certamente seria um problema e potencialmente motivo para demissão”. Ele comparou as medidas usadas para atingir Assange àquelas implantadas pelo governo Nixon contra Daniel Ellsberg por vazar os documentos do Pentágono, observando que as acusações contra Ellsberg também foram rejeitadas.

Assange está atualmente em uma prisão em Londres lutando contra uma tentativa de extradição dos Estados Unidos. Os tribunais britânicos bloquearam a tentativa, mas os norte-americanos apelaram e ganharam recursos — o mais recente, o direito de questionar evidências psiquiátricas que reforçam a fragilidade do estado mental e físico do jornalista.


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