O Instagram apresentará novas medidas para afastar jovens de conteúdo prejudicial e encorajá-los a dar uma pausa na plataforma, segundo o vice-presidente de assuntos globais, Nick Clegg. Clegg fez os comentários em um programa de televisão norte-americano, pouco tempo após Frances Haugen, ex-funcionária da empresa e whistleblower; ou denunciante, testemunhar no Congresso dos Estados Unidos sobre uma pesquisa interna do Instagram, comprovando o efeito negativo do aplicativo na saúde mental de jovens.

“Vamos apresentar algo que acho que fará uma diferença considerável, sendo onde nossos sistemas veem que um adolescente está vendo o mesmo conteúdo repetidamente, e é um conteúdo que pode não ser favorável ao seu bem-estar, vamos incentivá-los a olhar para outro conteúdo”, disse Clegg.

“A pesquisa sobre os efeitos das mídias sociais no bem-estar das pessoas é mista, e nossa própria pesquisa reflete a pesquisa externa. A mídia social não é inerentemente boa ou ruim para as pessoas. Muitos acreditam ser útil em um dia e problemático no outro. O que parece mais importante é como as pessoas usam as mídias sociais e seu estado de espírito ao usá-las.”

Trecho retirado de um comunicado postado pelo Instagram em 14 de setembro, sobre as pesquisas que comprovam um impacto negativo do uso da plataforma na saúde mental de jovens.
O trecho não condiz com diversos estudos — incluindo um realizado pela própria plataforma e divulgado por Haugen — que, de fato, comprovam efeitos extremamente negativos em jovens, sobretudo mulheres e meninas, sendo eles: aumento de casos de disformia corporal, aumento de pensamentos suicidas, entre outros.

Ele acrescentou que, além de pausar os planos de um aplicativo criado somente para crianças abaixo de treze anos (a idade mínima para usar a plataforma, segundo os termos de uso) e dar aos pais controles adicionais para supervisionar jovens, a empresa planeja introduzir um recurso chamado “fazer uma pausa”. Segundo Clegg, “estaremos pedindo aos adolescentes que simplesmente façam uma pausa usando o Instagram”.

O Facebook tem sofrido críticas intensas nas últimas semanas, após reportagens do Wall Street Journal com base em documentos internos fornecidos por Haugen, uma ex-funcionária de alto escalão da empresa. Haugen testemunhou perante o Congresso dos Estados Unidos na última terça-feira, em uma audiência focada na pesquisa interna da empresa que mostrou que o Instagram pode ser tóxico, especialmente para meninas adolescentes. Mark Zuckerberg contestou a conta de Haugen, dizendo ser ilógico para uma empresa que depende de anunciantes para divulgar conteúdo que irrita as pessoas para obter lucro.

Sabiá

revista o sabiá é uma revista independente, digital e sem fins lucrativos. Surgimos com o propósito de democratizar o acesso à informação de qualidade para a juventude brasileira, seja ela a informação acadêmica, jornalística, científica ou cultural.

Acreditamos que tanto o jornalismo como a comunicação possuem o potencial de mudar o mundo, sendo necessário reaver a sua função social. Ao longo da história moderna, o senso comum costuma lembrar do lado negativo que a imprensa ao contribuir ou participar de narrativas políticas polêmicas. Nós, pelo contrário, gostamos de pensar que a imprensa teve um papel essencial em eventos como o Maio de 1968, a Primavera Árabe e muitos outros.