A advogada e parceira de Julian Assange, Stella Moris, alertou nesta segunda-feira sobre a saúde do fundador do WikiLeaks. “Ele está em péssimas condições”, disse Moris pouco antes de os tribunais britânicos revisarem o recurso dos EUA contra a rejeição de sua extradição. “No sábado passado, vi Julian na prisão de Belmarsh e ele parecia muito mal”.

“Esperamos que seja o fim” de tudo isso, disse Moris, antes da audiência marcada para quarta e quinta-feira. “Julian não sobreviveria a uma extradição”, continuou Moris, considerando “aterrorizante” a impossibilidade de reverter a decisão.

Em janeiro deste ano, uma juíza do Tribunal Distrital bloqueou a extradição de Assange, jornalista e co-fundador do WikiLeaks, para os Estados Unidos, alegando que enviá-lo para as condições adversas das prisões americanas o colocaria em risco, mental e fisicamente. Após isso, o Ministério Público entrou com pedido de recurso da decisão, estando a audiência do recurso marcada para 27 e 28 de outubro – quarta e quinta-feira desta semana, respectivamente.

Nos últimos dias da administração Trump, promotores entraram com um pedido de apelação da decisão ao Tribunal Superior do Reino Unido, solicitando permissão para apelar com base em cinco argumentos diferentes. Um juiz da Suprema Corte concedeu aos Estados Unidos permissão limitada, em três dos cinco fundamentos para apelação.

Em uma audiência preliminar, em 11 de agosto, dois juízes da Suprema Corte ouviram a promotoria e decidiram se haveriam condições de fundamentar as outras duas linhas de argumentos para apelação. O jornalista pode receber uma sentença de cento e setenta e cinco anos caso seja extraditado e condenado.

Em setembro deste ano, novas revelações feitas pelo Yahoo mostraram os planos de agências governamentais para assassinar o jornalista — com, ao que tudo indica, apoio do ex-presidente Donald Trump. A investigação do Yahoo se baseou em conversas com mais de trinta ex-oficiais da antiga administração, oito dos quais revelaram a existência de planos para sequestrar e assassinar Julian Assange.

A história tem dois personagens principais, a CIA e seu ex-diretor Mike Pompeo. Após a publicação de uma série de arquivos vazados da agência, expondo aos menores detalhes os setores de espionagem e hacking, Pompeo descreveu o WikiLeaks como um “serviço de inteligência hostil e não estatal”.

Ainda nesta semana, uma coalizão com mais de vinte organizações de liberdade de imprensa e direitos humanos pediu ao governo Biden que retire todas as acusações contra Julian Assange. A declaração, entregue na semana passada ao procurador-geral de Biden, Merrick Garland, refletindo a oposição popular generalizada à tentativa de processar Assange nos Estados Unidos por expor crimes de guerra liderados pelo Estado, operações de vigilância e intrigas diplomáticas globais. O documento também aborda as novas acusações de assassinato do jornalista.

Pollack, um dos advogados do jornalista, afirmou em entrevista que se Assange for extraditado para enfrentar o julgamento, “a natureza extrema do tipo de má conduta governamental que você está relatando certamente seria um problema e potencialmente motivo para demissão”.

Ele também comparou as medidas impostas ao seu cliente com o que aconteceu com Daniel Ellsberg, responsável por divulgar centenas de milhares de documentos ao New York Times, que posteriormente se tornaram conhecidos como Pentagon Papers.

Esta semana, preparamos um guia com tudo o que você precisa saber do caso antes da nova audiência. Nele, você acompanha uma entrevista com o jornalista norte-americano Kevin Gosztola, além da cobertura das últimas atualizações do caso. A audiência está marcada para quarta-feira e quinta-feira, 27 e 28 de outubro, pela manhã.

Sabiá

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