Hoje, 10 de novembro, cerca de 300 jornalistas da capital paulista paralisaram por 2h — das 16h às 18h — por conta da estagnação dos salários da categoria. A principal demanda dos profissionais é o reajuste dos pagamentos por conta da inflação de 8,9%, responsável pela diminuição do poder compra dos brasileiros.

Segundo o G1, apesar do aumento de preços atingir os países de modo geral, a inflação brasileira provavelmente terminará o ano superior à de 83% dos demais países. Conforme o site Portal dos Jornalistas, as negociações entre trabalhadores, sindicatos e patrões para reajuste salarial se estendem por mais de cinco meses. E a inflação aumenta mais a cada mês.  

A jornalista Angela Pinho, repórter da Folha de S. Paulo, publicou no Twitter: “Jornalistas de jornais e revistas paralisam para exigir recomposição salarial de 8,9%. As perdas inflacionárias devem ser repostas para toda a categoria”, finalizando com a hashtag #jornalistasvãoparar, utilizada pelos profissionais para conquistar visibilidade nas redes digitais.

O político Marcelo Freixo (1,7 milhão de seguidores no Twitter), e os colunistas da Folha de S. Paulo Gregório Duvivier (1,5 milhão) e Thiago Amparo (138, 2 mil) se manifestaram a favor da greve no Twitter, contribuindo com uma maior visibilidade da paralisação, por enquanto pouco coberta pelos grandes veículos de imprensa.

Na notícia de ontem do Portal dos Jornalistas (09/11/2021), o entrevistado Thiago Tanji — presidente do SJSP — declara: “Esta primeira paralisação, mesmo que por um período de apenas duas horas, tem uma importância muito grande, pois é algo que há tempos não acontecia em São Paulo. Ela é a prova de que a categoria precisa se unir para conquistar o que é seu de direito”.

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