Ontem, 25 de novembro, os jornalistas paulistanos conquistaram o reajuste salarial de acordo com a inflação, demandado à exaustão por seis meses – como noticiado anteriormente pela Revista O Sabiá. Pouco coberta pela mídia, a movimentação se destacou no Twitter com a hashtag #JornalistasVãoParar.

Por meio da luta sindical, garantiram o ajuste de 8,9% nos salários de até R$ 10 mil a partir do mês de dezembro, como também um valor fixo de 890 reais para os demais.

Existia a intenção da categoria de realizar outra paralisação na quinta-feira, mas que foi cancelada devido à recente conquista dos trabalhadores. Logo em seguida, jornalistas publicaram tweets em comemoração, com as hashtags #JornalistasUnidos, #JornalistasSalvamVidas, entre outras.

A jornalista Angela Boldrini, por exemplo, publicou no Twitter: “Foi longa, cansativa, teve mais assembleia do que quando eu tava na USP (e tinha muita rs), mas é histórica a mobilização dos jornalistas: reposição salarial pela inflação pra grande parte da categoria e reposição fixa mais justa pros demais!”.

Os profissionais, contudo, mantém-se unidos para reivindicar direitos em 2022. Em carta, eles afirmam ter sido o resultado não necessariamente justo, “mas o possível de se alcançar após meses de desgastantes negociações”. No desfecho do escrito, indicam: “Diante da pandemia e dos crescentes ataques a jornalistas, desafios que os repórteres encararam de frente, a cada vez mais necessária defesa da democracia passa pela valorização dos profissionais”. A íntegra do documento está disponível no site do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo.

Vale relembrar: dois jornalistas, o russo Dmitry Muratov e a filipina Maria Ressa, foram contemplados com o prêmio Nobel da Paz de 2021. Ambos exercem o jornalismo independente em países hostis à cobertura jornalística. “O jornalismo livre, independente e baseado em fatos serve para proteger contra o abuso de poder, mentiras e propaganda de guerra (…) liberdade de expressão e a liberdade de informação ajudam a garantir um público informado”, afirmou o comitê norueguês.

Sabiá

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