A realidade do mundo é complexa e, por isso, é preciso enxergar essa complexidade. É preciso de responsabilidade e ética; é preciso de jornalismo.

Nas discussões que envolvem o papel do jornalista e do jornalismo na sociedade, é natural a questão do dever de informar ser o principal tema entre os destaques. Para si, o jornalista deve tomar o ato de informar como uma das mais essenciais funções na sua profissão.

Além disso, não apenas informar, mas há um papel social no jornalismo que permite criar reflexões, dar voz e transformar o mundo, mas que exige tamanha responsabilidade que nem todos os comunicadores possuem.  O papel social do jornalismo pode, a partir desses aspectos, influenciar, de forma positiva ou não, milhares de pessoas. A realidade do mundo é complexa, e o jornalista age, então, como um intérprete desses fatos concretos, podendo auxiliar os receptores da mensagem a compreender melhor o que ali foi apresentado.

A responsabilidade social e a ética que o jornalista precisa ter é fundamental para a profissão, exigindo conhecimento sobre como o seu trabalho pode afetar as pessoas individualmente, de tal forma como isso também pode influenciar a sociedade num quadro geral. É comum, aliás, vermos muitos comunicadores não tratarem os fatos com devida responsabilidade, seja pela falta de apuração dos fatos ou não abordarem eles da maneira correta. Por consequência disso, milhares de pessoas são influenciadas de formas diversas por consumirem, diariamente, essas dezenas de informações que deviam passar por todo esse processo antes de ser publicada.

No geral, os jornalistas escrevem para pessoas, e essa característica que se relaciona com o fator humano de seus textos e suas interpretações é que o torna transformador. Toda e qualquer reflexão ou o poder dado a um grupo de ter voz permite um contato de grande importância e essencialmente humano entre o jornalismo e a sociedade.

Entre os fatores que devem ser pensados quanto à responsabilidade e a ética do jornalista, está em como a informação será transmitida. Desde o princípio, o jornalismo deve ser pensado na forma que os fatos devem ser pensados e interpretados. Mas, além disso, é preciso pensar em como transmiti-los. Com o advento da internet, essa habilidade passou a ser mais estudada e a ter diversos autores que se reconhecem enquanto especialistas da área.

No livro “Discurso das Mídias”, de Patrick Charaudeau, o autor trata sobre as instâncias de informação, estas que passam pelas de produção e recepção. Em síntese, elas se misturam e dizem respeito às formas de produzir as informações e como elas devem ser transmitidas, almejando objetivos específicos para o receptor da mensagem. Essa é uma habilidade que trabalha os sentimentos, base de dados do indivíduo ou mesmo as plataformas de transmissão. Esta última, aliás, é uma que liga tudo aquilo que resultará na mensagem final. São meios de transmitir mensagens totalmente diferentes, que utilizam da oralidade, textos ou imagens, e que se diferenciam a depender daquilo que o transmissor almeja.

Considerando os meios de transmissão, é preciso reconhecer a responsabilidade nas escolhas feitas para que a produção aconteça. A escolha de determinadas imagens, por exemplo, pode afetar completamente a mensagem transmitida ao receptor. Com isso, é possível dar a impressão errada e a imagem guiar para um caminho totalmente distinto ao do discurso. Seja por isso, pela entonação da voz, a responsabilidade no uso das informações e as formas de transmiti-las é uma questão que deve ser muito ressaltada e pensada com cautela. Cada vez mais os estudos quanto a isso crescem, excepcionalmente pelas grandes mudanças que a internet causou. Esses estudos devem ser apreciados pelos jornalistas e aqueles que almejam ser, utilizando dessa responsabilidade e da ética jornalista como apoio para propagação da informação.

Para além da questão das ferramentas de propagação, o discurso é uma das peças fundamentais no âmbito da responsabilidade e ética jornalística, principalmente por participar de todos os diversos meios de transmissão. Utilizando um discurso que procure atingir um objetivo mais racional na mensagem final, é natural que o público seja mais específico e, a depender, menor.

É possível procurar as reações emocionais, isto é, utilizar de frases e informações que atinjam o receptor com base em seus sentimentos e reações que ele pode ter para com a informação. Infelizmente, fazendo uso desse tipo de discurso, há muito sensacionalismo, muito conhecido por “jornalismo de sensações”. Esse termo, em poucas palavras, se refere a apresentação de informações de maneira tendenciosa, com o intuito de causar fortes reações no receptor da mensagem. Seria, então, um método, muito utilizado por diversos meios de comunicação, cujo objetivo seria gerar interesse no público, mas que recorre a formas irresponsáveis e que não seguem a ética jornalística.

Em geral, o sensacionalismo está ligado ao exagero, à intensificação, valorização da emoção; à exploração do extraordinário, à valorização de conteúdos descontextualizados; à troca do essencial pelo supérfluo ou pitoresco e inversão do conteúdo pela forma.

Márcia Franz sobre sensacionalismo em seu livro ‘Jornalismo Popular’

Baseado nisso, pode-se dizer que existe um padrão de linguagem e estética, que podemos ver em muitos canais de comunicação, para esse sensacionalismo que trata as informações de forma superficial e as intensifica, desvalorizando todos os padrões de ética do jornalismo.

Em síntese, se empenhar a ter um jornalismo responsável e ético é um dever de todo aquele que diz ou gostaria de ser um jornalista. É fazer, em todos os âmbitos, um jornalismo que respeite os fatos, tenha objetivos e lute para eles serem cumpridos. Não se trata apenas de transmitir informações, mas também como fazer isso. É necessário pensar no discurso, no meio de propagação e o objetivo que o jornalista terá com isso. A realidade do mundo é complexa, e para tratar sobre ela, é preciso enxergar essa complexidade. É preciso de responsabilidade e ética; é preciso de jornalismo.


referências

CHARAUDEAU, Patrick; DISCURSO DAS MÍDIAS
AMARAL, Márcia Franz ; JORNALISMO POPULAR