O Google tem lutado para manter sua recente promessa de parar de veicular anúncios em conteúdo que promova a negação das mudanças climáticas, afirma um novo relatório do Centro para Combate ao Ódio Digital, uma organização sem fins lucrativos. Isso significa que, indiretamente, a empresa ainda está financiando artigos e organizações que negam as mudanças climáticas, através do Google Ads.

A nova pesquisa identificou cinquenta artigos que incluem mentiras sobre as mudanças climáticas e que ainda apresentavam anúncios do Google após a data em que o Google disse que seriam proibidos. Em outubro, o Google anunciou uma nova política que, supostamente, proibiria, “anúncios e monetização de conteúdo que contradiga o consenso científico bem estabelecido sobre a existência e as causas das mudanças climáticas”. A nova política também seria aplicada aos anunciantes, editores e criadores do YouTube em novembro.

A organização produziu o relatório Toxic Ten, publicado para coincidir com a conferência climática das Nações Unidas em novembro. Eles utilizaram uma ferramenta de análise social de notícias para coletar mais de seis mil artigos durante outubro do ano passado, e outubro deste ano. Com isso, identificaram uma lista de dez editores que contabilizam mais de sessenta porcento das interações do Facebook com conteúdo de negação das mudanças climáticas.

O Google não é a única empresa que falhou em cumprir suas promessas. A organização também calculou que mais de noventa porcento dos artigos analisados não haviam sido marcados como conteúdo enganoso, prejudicial ou desinformação. Além disso, nenhum dos artigos havia sido checado; ‘fact-checked’, por alguma agência especializada.

Mais de 20 milhões de reais em lucro total

A organização estimou que, por anúncios, o Google recebeu de receita por vincular tais anúncios, com sua porcentagem, em peças de negação de mudanças climáticas mais de 1,7 milhão de dólares, o equivalente a mais de 9 milhões de reais segundo o câmbio atual. Já os editores receberam mais de 3,6 milhões de dólares somados, o equivalente a mais de 20 milhões de reais atualmente.

As políticas do Google envolvendo o tema se concentram em conteúdo que contradiz, especificamente, o ‘consenso científico’, sobre a existência da mudança climática. A empresa, segundo seu porta-voz Michael Aciman, foca no contexto dos textos e traça uma linha entre o que é uma falsa afirmação — que trate algo como fato — e o conteúdo que faz um ‘debate público’ sobre as mudanças climáticas.

Quando encontramos um conteúdo que vai do debate político à promoção da negação da mudança climática, paramos de veicular anúncios nessa página ou site. Revisamos as páginas compartilhadas conosco e tomamos as medidas de aplicação apropriadas.

Michael Aciman, porta-voz do Google

Isso abre uma margem para que indivíduos mal-intencionados de tais veículos se foquem em tópicos onde não há um consenso científico, justamente pela ciência ser viva e a mudança climática um fenômeno constante, e não sofram consequências. Esqueça a conversa de que plataformas não possuem culpa por seus usuários — a partir do momento que você lucra, você é responsável.


Sabiá

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