‘Algo a dizer?’ A arte que diz muito sobre a coragem de Assange, Manning e Snowden


O silêncio grotesco de jornalistas que não se pronunciam sobre denunciantes que já contribuíram para seus trabalhos.


Anything To Say?” é uma escultura de bronze em tamanho natural, retratando três figuras, cada uma delas em pé em uma cadeira. A quarta cadeira está vazia, pois, segundo o artista Davide Dormino, “é a nossa cadeira”. Aquele em que devemos nos levantar para nos expressarmos ou simplesmente ficar ao lado de Edward Snowden, Julian Assange e Chelsea Manning, que tiveram a coragem de dizer não à vigilância global e às mentiras que levam à guerra. “Amados e odiados, eles escolheram perder a zona de conforto de suas vidas para falar a verdade”, descreveu Dormino.

A ideia também foi desenvolvida por Charles Glass, autor, jornalista e locutor, e concretizada por Davide, que acredita no poder da Arte Pública:

“Essa escultura tem o poder de fazer crescer e mudar o ponto de vista das pessoas. A cadeira tem um duplo significado. Pode ser confortável, mas também pode ser um pedestal para subir mais alto, para ter uma visão melhor, para aprender mais. Todos eles escolheram subir nas cadeiras da coragem. Eles se moveram apesar de se tornarem visíveis, assim ameaçados e julgados. Alguns pensam serem traidores. A história nunca teve uma opinião positiva sobre os revolucionários contemporâneos. Você precisa de coragem para agir, para ficar de pé naquela cadeira vazia porque dói muito.”

A vida real das três figuras que Dormino retratou em sua arte não é um grande motivo para otimismo. Edward Snowden ainda vive em exílio na Rússia, Julian Assange está isolado em uma cela na prisão de segurança máxima de Belmarsh, no Reino Unido, e Chelsea Manning, embora livre, já tentou o suicídio e está endividada devido a custas judiciais.

É claro que a luta pela liberdade de Julian Assange se tornou uma luta por sua vida, e esse conhecimento deu ao evento, de forma esperançosa, um peso inegável e sombrio. Evidentemente, as mesmas instituições que deveriam agir de acordo com os direitos humanos, a dignidade humana e ao sistema jurisdicional internacional estão rejeitando suas responsabilidades. 

Uma possível conclusão é que, se as pessoas de dentro das instituições não têm poder para mudar o resultado, apenas uma massa crítica de fora pode fazer a diferença. Só a voz unida da maioria pode exigir justiça e pressionar as instituições. Figuras proeminentes constroem plataformas para que possamos nos manifestar. Especialistas escrevem livros para munir essa causa de conhecimento, para que assim, seja possível falar com segurança a verdade com base nos fatos e perder o medo de cometer erros sobre algo que é absolutamente certo, que é: jornalismo não é crime e ‘whistleblowing’ é um dever indispensável à sociedade se a informação for de interesse público.

É claro que precisamos saber se nossos governos infringem leis ou matam pessoas inocentes. Não apoiar as pessoas que expõem a má conduta do governo é, na verdade, não apoiar os próprios direitos e liberdades dos quais tanto dependemos. Aqueles que denunciam e contribuem com a verdade e soam o alarme se tornaram o foco da discussão, enquanto os verdadeiros criminosos caminham em liberdade – vemos seus crimes sendo esquecidos tão rapidamente quanto são revelados.

Vivemos diariamente com o fato de que um publicador e jornalista está, atualmente, correndo o risco de extradição e cárcere nos EUA por 175 anos. É importante lembrar aqueles jornalistas que assistiram, apontando, rindo, confortáveis com o conhecimento de que seu trabalho nunca produziria o impacto nem o risco do WikiLeaks — e então nada disseram, pois, o direito à liberdade de imprensa foi removido em plena luz do dia.


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