Sunshine


“Você sempre soube que eu não sou um cara de planos, metódico até, mas não de planos.”


Você sempre soube que eu não sou um cara de planos, metódico até, mas não de planos. Resolvi te buscar quando eram quase 4 da manhã e, bem, você mora do outro lado da cidade, mas só de ouvir sua voz baixinha já valeu minha madrugada.

Fui de doido mesmo, sem carteira de motorista e sem querer guardar saudade no peito. Daqui do Costa Azul pro seu lado me custaram alguns minutos e um pouco de ansiedade, mas valia a pena, logo eu tava na sua portaria. Você veio andando bem devagarzinho até o carro usando um moletom, mais linda impossível e só minha opinião importa agora. “E aí, cara pálida?”, só uma besteirinha já foi o suficiente para tirar aquele seu jeito de séria e fazer seus olhinhos mais claros sorrirem e ficarem pequenos. “Onde a gente vai?”, você faz perguntas difíceis demais, “Sei lá. Tu faz muitas perguntas e eu tenho respostas de menos”, mais uma risadinha só para garantir seu humor. Eu te tirei da cama, né? Não posso arriscar.

Liguei o rádio e dirigi sem rumo pelas ruas perto do teu condomínio. Eu adoro ouvir rádio, sabe? Ouvir por “streaming” é legal, mas tem um gostinho especial sentir que uma canção chega em você por acaso, acho que o Paulinho Moska falou isso uma vez, se não, é coisa da minha cabeça mesmo.

Uns cinco minutos andando por ali e fazendo graça, abrindo voz em alguma música do Clube da esquina (Aquele falsetinho mesmo), lembrei de um lugar que costumava ir à Barra quando queria pensar um pouco. Não sou de apresentar meus lugares especiais, mas você merece. Tenho alguns desse tipo: para fumar, escrever e conversar um pouco comigo mesmo, mas esse podia ser nosso. Além disso, era pertinho, então não custava nada te levar lá.

Estacionei o carro com a maestria de um não habilitado e te puxei pela mão. A gente subiu aquele morrinho que tem uma vista maravilhosa (Salvador, né?) e sentou por lá. Parece até miragem nós dois numa paisagem a sós, dois sóis, mesmo sendo madrugada, só aproveitando a companhia um do outro, falando pouco. Você gosta de ser quieta e eu também (Bom, nem sempre, mas sim), é bom só estar, prestar atenção na sensação do seu moletom roçando no meu braço, seu cabelo no meu ombro e ouvir sua respiração (Dava para ouvir bem, isso que dá fumar e subir morro).

Sinto que a gente podia só ficar lá, atrasando o amanhã, não existiria pós e por mim o amanhecer congelava e era só nosso. Te fazer rir por besteira e ganhar um selinho em troca no meio do sorriso (vai rindo, boba). É só isso mesmo, “Sunshine”, nem gosto de inglês, mas essa música lembra você. Obrigado por também me fazer o homem que sou, obrigado por ser.


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