Bruna de Lara


Entrevistamos a editora Bruna de Lara para conversar sobre o mundo do jornalismo, as eleições deste ano e feminismo.


Bruna de Lara é formada pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, editora e repórter no The Intercept Brasil. Em seus trabalhos, usa uma ótica emotiva impulsionada por uma escrita incisiva, sem medo de expor suas opiniões sobre o que considera inegociável. Com isso, foca em escrever sobre direitos da mulher e violências contra mulheres, como a violência obstétrica, doméstica e sexual. Mas, além disso, de Lara têm uma perspectiva jovial e profissional sobre o universo jornalístico. Entrevistamos a editora em três diferentes blocos: jornalismo, eleições e feminismo. 

[bloco/jornalismo]
como foi seu período na faculdade?

Foi muito bom. Estudei na UFRJ e na época você entrava para o curso de Comunicação, não Jornalismo. Os três primeiros períodos eram de aulas de teoria e depois você escolhia o que você queria aprofundar. Entrei, na verdade, para fazer Produção Editorial porque gostei sempre muito de livros — não só de ler, mas de livros mesmo — e já tinha feito alguns cursos sobre isso no ensino médio e arrumado trabalhos freelancer, mas depois do período de teoria na faculdade, percebi que o que realmente me interessava era jornalismo.

O meu primeiro período em jornalismo foi horrível. Odiei profundamente porque era muito tímida e odiava falar no telefone e tinha vontade de morrer toda vez que tinha que entrevistar alguém pelo telefone. Na faculdade tínhamos aula de radiojornalismo, onde você tinha que fazer um texto na hora e ler no microfone e sempre ficava com ansiedade. Já no segundo período, tive aula com a Fernanda da Escóssia [editora da revista piauí e professora substituta da Universidade Federal do Rio de Janeiro] e ela me fez me apaixonar por jornalismo. Não sei exatamente o que foi, mas ela me fez perder o medo. Tenho boas memórias da faculdade desse período da teoria. O currículo mudou agora, mas na época eu achava o currículo muito ruim. Depois do segundo período de jornalismo — o quinto período do curso — era uma repetição infindável de tudo o que você já aprendeu.

Em 2018 me formei. Consegui o meu primeiro estágio na redação um ano antes na revista piauí e deveria me formar naquele ano. Mas como eu havia entrado no estágio em agosto e me formaria em dezembro, achei que não iria conseguir muita experiência, então resolvi atrasar algumas matérias para continuar o estágio. Fui para estagiar no site, e na época a equipe do site e da revista impressa eram separadas, então os repórteres da revista não escreviam para o site. Entrei com a ideia de ser um estágio como repórter e escrever matérias, mas como a equipe do site era muito pequena — umas cinco pessoas — e eu era a única estagiária de jornalismo, tudo que alguém precisava fazer era um pouco chato e mecânico, ficava comigo.

Acabou que durante esse primeiro período, só escrevi uma reportagem sobre algumas pichações que estavam aparecendo aqui no Rio com a frase ‘Bíblia sim, Constituição não’. Quem fazia essas pichações era de uma igreja evangélica pequena, liderada pelo primeiro pastor brasileiro a ser condenado por intolerância religiosa no Brasil. Então no ano seguinte, comecei a fazer mais matérias que eram sobre análises de redes sociais, o que não gostava muito. Foi bom, mas não tive tantas oportunidades de fazer reportagens. Leandro [Demori, editor executivo do Intercept e ex-editor do site da revista piauí.] saiu em dezembro e em fevereiro do ano seguinte me chamou para trabalhar com ele no Intercept e comecei a trabalhar mesmo — mas ainda estava na faculdade, então meu plano original acabou sendo desnecessário e me atrapalhando um pouco.

como é seu processo para produzir reportagens?

A maior parte das reportagens que fiz tinham a ver com direitos da mulher e violência contra a mulher. A primeira matéria que fiz sobre esse tema era sobre mães que tiveram seus filhos assassinados pela polícia e como isso afetava a saúde mental e física das mães. Eu estava falando sobre violência policial onde as vítimas eram os filhos, que eram sempre  meninos ou homens, mas o meu foco era como o genocídio negro afetava essas mulheres.

Foi uma reportagem muito focada em relato. Discutimos a princípio que todo mundo sempre dá a versão dos familiares como algo incerto e a versão da polícia como a versão oficial, e queríamos fazer essa reportagem como o relato das mães como a versão oficial — até porque não estávamos investigando o assassinato em si, mas relatando como aquilo havia afetado as mães. 

Todas as entrevistas que fiz foram presenciais, nas casas, outras na redação e outras em um local público. As entrevistas duravam duas, três horas, o que era difícil porque elas se emocionaram e tinha uma regra na minha cabeça de não ser aquela pessoa que deixa a sua dor ser maior que a da outra — se não, você está sendo um vampiro e não um entrevistador. Dava vontade de chorar, mas não chorava, e precisava saber medir como aquela conversa seria um momento de acolhimento. 

Como lidava muito com vítimas de violências de todos os tipos, a minha principal regra era só conversar com pessoas que queiram conversar comigo. Nesse caso, tiveram várias mães que contactei que não sabiam ao certo se queriam falar ou topariam se eu insistisse, mas você sabia estarem hesitantes. Então, eu não queria conversar com elas, não porque eu não queria saber a história delas, mas sabia que para elas, contar a história seria uma revitimização. 

As outras matérias que eu fiz eram sempre nessa base. Quando tinha investigações mais com fatos, eram com relatos que se contradiziam. Por exemplo, uma reportagem sobre violência obstétrica com nomes de médicos que as mulheres estão denunciando — então precisava conversar com os médicos. Como pegar o relato de uma mulher que relata sobre o parto dela e tudo o que ouviu do médico, e depois entrevistar o médico que diz que nunca falou nada daquilo? 

A investigação mais dura que fiz envolveu essa questão da violência obstétrica, porque muitas vezes, os médicos diziam que aquele procedimento que eles fizeram era necessário, então como debater se o procedimento era de fato ou não se você não é um médico? Existem algumas coisas que você pode ver em pesquisas, mas ele pode alegar que, naquele caso específico, ela iria morrer se o procedimento não acontecesse. 

você ainda vê o mundo do jornalismo da mesma forma que via quando se formou?

Depende do momento. Quando saí da faculdade, já estava no Intercept, então durante esse momento que estava trabalhando e estudando eu estava muito animada com o trabalho e acreditava muito — e ainda acredito! — nessa missão de informar, dar nomes, ser incisivo. Via tudo isso como uma forma de você causar impacto na sociedade.

Aconteceram as eleições e veio um desânimo generalizado por uns meses e na pandemia também tive essa sensação várias vezes. Estou aqui me esfolando para trabalhar, lidando com assuntos muito pesados que, querendo ou não, podem impactar em um nível pessoal, para sair uma matéria muito bem apurada, onde vai vir uma pessoa e falar quatro letrinhas: fake — e aí acabou. 

Na pandemia, ainda no início, estávamos fazendo várias matérias sobre o covid e em um mês chegamos a publicar cerca de oitenta matérias onde a maioria envolvia a pandemia — algumas eram furos, outras não necessariamente furos, mas de fôlego, com uma análise aprofundada. Mas eu saí para ir ao mercado e não tinha ninguém de máscara na rua. Então pensava, porque estou me esfolando para fazer um trabalho que muitas vezes me deixa para baixo para andar na rua e perceber que a mídia não conseguiu nem ensinar as pessoas a usar uma máscara? Nessas horas, pensava que ser jornalista é quase uma coisa masoquista e que nós não tínhamos impacto nenhum na sociedade. Mas em outros momentos, como na Vaza-Jato, eu pensei que realmente estava mudando coisas — e o quanto você nunca imaginou na sua vida inteira que você teria aquele tipo de impacto. Eu tinha somente um ano e três meses de trabalho, menos de dois anos que tinha começado o meu estágio e tinha vinte e três anos. 

Citei exemplos extremos de ambos os lados, mas no dia-a-dia, eu mantenho uma visão razoavelmente parecida com a que eu mantinha na faculdade: o jornalismo não tem como salvar o mundo, nós somos apenas pessoas fazendo o nosso trabalho. Esse trabalho às vezes pode ter um impacto e às vezes podemos fazer uma grande matéria que nunca vamos entender porque não houve o impacto que deveria. 

Redação do Intercept durante a investigação em junho de 2019. Fotografia por: Christian Braga para o Intercept Brasil.

ao redor do mundo, o jornalismo local é bem conhecido por causar impacto com pautas. como que o Brasil poderia fortalecer o jornalismo local?

O jornalismo ainda é um meio muito elitizado e é uma carreira que paga muito mal no início. Na Federal do Rio de Janeiro, uma faculdade pública que fica na zona sul [zona rica da capital], eu tinha alguns colegas que passavam somente quatro horas para ir e voltar da faculdade e um milhão de colegas que estudavam perto do campus e cresceram na zona sul. 

Apesar de para ser jornalista você não precisar oficialmente de um diploma, você disputa uma vaga onde ter uma faculdade no currículo acaba fazendo diferença. Acredito que precisamos democratizar os cursos de jornalismo e concordo com a não obrigatoriedade do diploma. Devemos pensar em cursos de comunicação comunitária ou popular, e analisar como que pessoas que aprendem com esses cursos ou com a prática possam ter uma carreira onde, em termos de salário, seja o mesmo que de um profissional formado na faculdade. 

Tínhamos um período noturno que começava às quatro horas da tarde. Como que alguém que trabalha pode sair do seu local de trabalho — mesmo que trabalhe do lado da faculdade — às três e quarenta? Não se dá condições para que pessoas possam se manter e trabalhar durante a faculdade, fazerem a faculdade. 

Precisamos conversar sobre a obrigatoriedade do diploma, porque apesar disso ter sido decidido há vários anos, ainda é uma discussão que rende muito e muitos são contra — e acredito haver bastante corporativismo nisso. É preciso fazer com que as pessoas compreendam que, apesar de termos popularizado as universidades nas últimas décadas, a faculdade ainda é um lugar elitizado. Como você pode ter uma mídia local forte se não há cursos fora das universidades, ou pessoas fora delas, que sejam levadas a sério? 

para os jovens e adolescentes que queiram fazer jornalismo, é importante participarem ou criarem projetos antes de entrarem na faculdade?

Eu era muito adepta de blogs quando era adolescente e falava muita besteira, mas tudo bem falar besteira, porque era jovem. Acho super bacana porque também existe uma liberdade de temas. 

Sempre quis ser jornalista e só depois quis trabalhar com produção editorial. Com treze, ainda queria ser jornalista, então pensava que se queria ser jornalista devia me acostumar a estar escrevendo o tempo inteiro, mesmo que sem motivação ou ideia. O que escrevia seriam considerados ensaios, mas uma vez tentei fazer uma entrevista com um ator que gostava bastante e foi uma aventura muito divertida. 

Eu decidi querer entrevistar o Josh Hutcherson. Eu assistia filmes com ele e esperava o filme terminar para ver as produtoras do filme, e mandava e-mail para as produtoras. Comecei com e-mails falando que queria fazer uma entrevista com ele e que precisava do contato do agente dele, e em algum momento um dos estúdios me respondeu e me passou o nome da publicitária dele. Consegui falar com ela, e ela disse que não trabalhava mais com ele, mas me passou um número de telefone.

Como odiava falar no telefone — e agora tinha que falar ao telefone em inglês, com treze anos, com um adulto que era o agente do ator que eu era fã. Então, como eu tinha muita vergonha, fui passear com minha cachorra na rua e sentei na calçada e liguei, mas aí descobri que meu telefone estava bloqueado para chamadas internacionais — porque né, eu tinha treze anos. Então liguei para a operadora e desbloqueei as chamadas, sem contar para os meus pais. Eles desbloquearam e liguei. Um assistente atendeu e me transferiu para o agente, que era um super estereótipo de um agente de Hollywood que falaria ‘não me faça perder meu tempo’. Então, ele disse precisar ver o blog e eu deveria enviar alguns links para um e-mail tal e disse: “aqui é show business, então você vai precisar entender o e-mail da primeira vez”. Eu anotei, mas não existia o e-mail! E aí pensei, será que eu não entendi? 

Eu não poderia ligar outra vez, porque ele disse que eu deveria entender da primeira vez. Então esperei passar um mês e liguei novamente fingindo ter outra voz, porque não queria ser a pessoa idiota que não entendeu o e-mail, e consegui falar com o agente de novo, que confirmou o endereço. Com certeza ele percebeu que eu era a mesma pessoa, porque me perguntou: “você pode me responder certa coisa, ou tem motivo para você estar sendo tão vaga?”. 

Obviamente nunca consegui entrevistar a pessoa, mas foi uma experiência incrível — eu consegui chegar até o agente! Acho incrível para quem possa fazer, não só porque você ganha prática, mas, porque é uma forma de saber se você de fato gosta disso fazendo de uma forma mais livre.

alguns veículos brasileiros estão caminhando para o apoio de uma ‘liberdade de expressão irrestrita’ como nos Estados Unidos. isso pode ter um impacto no futuro?

Em um ano em que fui ao congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo onde a convidada era a jornalista Nikole Hannah-Jones, repórter do New York Times especializada em cobrir questões raciais. Em algum momento alguém fez uma pergunta semelhante, onde ela respondeu e foi muito irredutível ao falar que você nunca deveria censurar um comentário racista. Há uma tradição na imprensa dos Estados Unidos onde não é polêmico você dizer algo assim — não diria um consenso, mas algo comum. 

Talvez se essa visão passar a ser comum em nossos jornais brasileiros, talvez seja um posicionamento que acabe sendo consolidado como foi lá. Por enquanto, não acredito que seja, tanto que tivemos o posicionamento dos jornalistas da Folha sobre a coluna de Antônio Risério. Mas pode acontecer, caso não seja freado esse pensamento que todos devam expressar o que pensam, até mesmo se envolver um crime, como no caso do racismo ou nazismo. 

Vemos também que aguentar consequências aqui no Brasil apenas é receber muitas críticas, e mesmo assim alguns não aceitam essas consequências. 

como podemos estimular que esses profissionais aceitem críticas? 

Acredito que, novamente, o problema está no corporativismo. Às vezes a pessoa em questão nem é jornalista, porque muitas vezes estamos falando de colunistas formados em outras áreas, mas que acabam sendo protegidos pelo corporativismo jornalístico por estarem publicando em um veículo de imprensa. 

Falar nas redes sociais sobre quando uma pessoa está expressando opiniões racistas e até quando a pessoa comete erros que podem ser apontados como erros básicos, automaticamente significa que você receberá várias mensagens de jornalistas te questionando por fazer uma crítica — não necessariamente a pessoa, mas ao produto final, o que saiu no veículo. Várias pessoas já vieram me falar que cada um fazia o seu, no sentido em que eu deveria parar de falar mal do trabalho de alguém, como se estivesse criticando a pessoa somente por criticar ou por ter uma superioridade moral, e não porque acredito que existam coisas que devemos discutir enquanto imprensa. 

Existem coisas bobas, por exemplo, após o falecimento da Aretha Franklin, a Ariana Grande foi abusada durante o funeral e não só havia um vídeo do que aconteceu, como foi transmitido ao vivo. Todos os veículos queriam dar essa notícia, e todos falavam nas manchetes que os fãs estavam apontando assédio. O primeiro erro é categorizar como fãs, já que isso implica que seriam pessoas que defendem a cantora até a morte e não pessoas normais que viram algo explícito. O segundo erro foi colocar que “pessoas enxergavam assédio” sendo que estava claro. Não havia dúvidas ali, e a manchete deveria ser que ela foi abusada durante o funeral. Fiz essa crítica, já que ninguém estava fazendo, e recebi vários comentários falando que cada um deveria fazer o seu, ou que não era bem assim, ou que ‘juridicamente’ seria de outro jeito. E acredito que faltou integridade e coragem em colocar o título correto, até porque tudo isso aconteceu nos Estados Unidos e ninguém iria vir ao Brasil processá-los. 

As pessoas não conseguem aceitar críticas sobre coisas básicas, quanto mais sobre opiniões que elas têm muito enraizadas e controversas. Precisamos parar com essa visão de que jornalista não pode criticar outros jornalistas e produtos jornalísticos.

após a saída de Donald Trump, a imprensa norte-americana usa o período do ex-presidente como ‘desculpa’ para se blindar de críticas. após a saída de Bolsonaro, o mesmo poderá acontecer aqui?

Lembro que no ano passado vi muita gente comentando nas redes sociais sobre como a crise da imigração nos Estados Unidos foi tratada com palavras diferentes após o Biden assumir. Se parou de falar em gaiolas e começou a se falar em crianças presas em centros de imigração, sendo que a situação era exatamente a mesma e nada havia mudado. É possível acontecer aqui e sim, precisamos alertar os leitores sobre isso. Por esse governo ser um trauma, às vezes, no meio do trauma, você não percebe que está fazendo isso — deixando de ser tão vigilante quanto era antes, ou colocando culpabilidade em uma pessoa que não é culpada. É completamente possível também porque o Bolsonaro é mais traumático que o Trump. 

[bloco/eleições]
por que dizem sempre que o jornalismo é importantíssimo em ano de eleições?

As eleições abrem a possibilidade de investir em certas pautas que você não investiria em outros anos porque as pessoas não prestariam atenção, e no caso do Intercept, porque temos recursos humanos e financeiros muito mais limitados do que a grande imprensa. 

Em 2018, o Intercept fez duas matérias sobre pessoas que haviam enriquecido mais durante o mandato, percentualmente e em termos absolutos. Eram pessoas dos interiores, e a Amanda Audi [ex-repórter do Intercept em Brasília e atual repórter no Brazilian Report] foi conhecer e saber a cidade em que ele governava. É uma matéria muito grande que envolveu uma viagem para o interior, então todos os gastos com avião, ônibus, às vezes carro alugado, para falar sobre uma cidade que nas grandes capitais nunca ouviram falar, sobre alguém que nunca ouviram falar, mas que naquele mundo, que é a realidade da maior parte do Brasil, o cara era o rei da cidade. Não só politicamente, mas era dono da maior parte dos comércios, então praticamente todos os habitantes da cidade trabalhavam para ele. É uma matéria onde as pessoas não leriam em um período comum porque primeiro, não gera tanto interesse, e segundo, não gera tanto impacto. 

Na época não éramos um veículo conhecido, mas de nicho, então quando aparece uma jornalista que passa dias na cidade acompanhando o homem que é ‘dono’ da cidade, todos ficam curiosos e querem ler a matéria. Então, você consegue tratar um tema que é muito importante, mas não teria visibilidade alguma. As pessoas não se interessaram. Então com as eleições, você tem a oportunidade de falar sobre temas que são muito característicos do Brasil, mas como temos essa fossa entre o que é a maior parte do país e as capitais brasileiras, não tratamos sobre essas questões em outros momentos. 

Além dessa importância, tem o furo. Para você conseguir um furo durante eleições, você está falando de figuras nacionalizadas que são incrivelmente visíveis o tempo inteiro e que todos estão falando sobre, mas onde esse é o momento onde você tem mais chance de causar algum impacto quando você fala dessa pessoa. 

houve o caso do jornal O Globo, que alega ser imparcial, dando descontos em assinatura quem assistisse prévias do PSDB.
você acredita que o jornalismo moderno deva assumir posições políticas de forma não declaratória, mas que transpareça aos leitores? 

Acredito que sim. Inclusive, para mim, é absurdo o consenso de que não existem coisas que são inegociáveis. Deveriam existir coisas consideradas como indiscutíveis, que para mim, são direitos humanos no sentido mais amplo possível: o direito à moradia, transporte, a vida — no sentido de que você não deveria morrer por conta do bairro em que você mora — e outros. São coisas extremamente óbvias, mas que grandes jornais não veem dessa forma. O fato de até hoje termos matérias como reclamando do trânsito por conta de protestos de moradores contra o assassinato de alguém é um exemplo disso. Para mim, escrever uma matéria dessa é negociar algo que é inegociável, sendo a vida de um ser humano. Em outros casos, que talvez alguns não concordem, é a comparação entre queimar pneus, o que acontece em algumas manifestações, e o assassinato. Você realmente quer comparar a vida de alguém com um pneu queimado como se fosse imparcial por conta disso? 

Também não acredito que seja questão de reafirmar na introdução de forma declaratória que sou a favor disso ou daquilo, mas a partir do momento que houvesse o consenso da existência de coisas inegociáveis, você nem precisaria dessa introdução, porque você já deixaria de fazer certas pautas.

existem formas para facilitar a transparência de opiniões?

Questão de prática. Por exemplo, uma pessoa que escreve uma matéria sobre trânsito e os pneus queimados em um protesto pode só estar cumprindo seu horário de trabalho querendo ir para casa e nunca parou para pensar que talvez esteja comparando um pneu a um ser humano. Mas da mesma forma que você faz isso, sem dizer que você acredita que um pneu e um ser humano são comparáveis, você pode fazer o inverso, deixando claro que aquilo não é comparável. Acredito que fazemos isso bem no Intercept por sermos muito incisivos e termos muito espaço para opinar em colunas, deixando muito claro o que é inegociável para nós sem sermos declaratórios. 

A escolha da pauta em si também é um posicionamento. Por exemplo, quando eu e a Amanda fizemos uma entrevista com uma médica que criou um manual sobre redução de danos em abortos ilegais e a partir da entrevista, fizemos uma série de dez imagens resumindo o processo que ela detalhava no vídeo manual. Quando fazemos isso, estamos dando voz a uma médica interessada em reduzir as mortes por aborto, não precisamos dizer que somos a favor da legalização do aborto. 

como você e o Intercept se preparam para cobrir eleições?

Pessoalmente não gosto de cobrir política institucional, mas infelizmente temos uma equipe pequena então na cobertura de eleição todos são envolvidos. Essa será a primeira vez que irei cobrir como editora. As conversas já começaram desde o segundo semestre do ano passado. São conversas com a equipe inteira: os jornalistas, pessoal do financeiro, administrativo, da arrecadação. Pensamos que um jornalista pode ter a mania de escrever reportagens para jornalistas, onde só eles se interessam, entendem, e até fazem isso sem perceber por conta da convivência. Por isso, gostamos de debater com toda a equipe onde os que não são jornalistas às vezes reparam coisas extremamente óbvias e nós não.

Há também um planejamento orçamentário porque temos repórteres da casa, mas uma equipe pequena, então trabalhamos muito com freelancer. Então em um ano de eleições precisamos pensar como gastar nosso dinheiro, observando que existe um curso natural de interesse e desinteresse sobre as eleições conforme elas vão se aproximando e existe um fluxo maior de matérias durante o período eleitoral, porque existe uma correria maior do que outros anos já que não sabemos o que pode acontecer. 

Também é preciso pensar que tipo de análise queremos fazer. Por exemplo, falamos sobre as matérias onde fizemos os recortes sobre os parlamentares que mais enriqueceram durante o mandato, para fazer esse recorte, nós havíamos estabelecido cidades com até tal número de habitantes e precisamos contratar alguém para minerar esses dados, porque a sede brasileira não possui nenhum programador. Se fossemos fazer isso, precisaríamos pensar se contrataríamos alguém de dados para fazer esse levantamento e criar pautas a partir disso, como foi daquela vez. 

Começamos a cobertura deste ano com uma matéria da Nayara Felizardo [repórter do Intercept] sobre a cidade de Nova Pádua. Foi uma ideia muito básica, voltamos à cidade que mais votou em Bolsonaro e na cidade que mais votou no Haddad nas últimas eleições e medimos o clima político. 

[bloco/feminismo]
você acredita que o período conservador afetará a percepção de adolescentes sobre o feminismo?

Sendo honesta, não sei. Existe uma questão de pesos e contrapesos: sempre que temos uma onda feminista, temos logo em seguida uma onda conservadora e anti-feminista muito forte. É inegável o quanto o feminismo se tornou uma pauta passível de discussão nos últimos anos. Se você parar para pensar, em 2015, quase não se falava sobre feminismo. Haviam livros incríveis do tema vendidos somente em inglês, que a única tradução havia sido feita na época de publicação e todos haviam sido vendidos. Hoje, você entra em uma livraria e existe uma secção ou mesa sobre feminismo, outra para livros sobre raça e classe, algo impensável sete anos atrás. 

Fiz parte por alguns anos do coletivo Não Me Khalo e éramos convidadas para fazer debates em escolas, porque a maior parte do nosso público eram adolescentes — até quando lançamos nosso livro, normalmente quem falava conosco sobre eram adolescentes ou mães de adolescentes. Nosso livro foi lançado em 2016 e eu havia me formado no ensino médio em 2013, e ficava espantada de como o clima havia mudado completamente em somente três anos. Estudei em um colégio federal, que mesmo sendo público era visto como parte de uma elite intelectual, e nós íamos em colégios públicos em Campo Grande, zona oeste do Rio, uma região onde ninguém dá atenção, onde mais tem atuação de milícias e bastante fundamentalismo religioso. Era o completo oposto de onde eu estava fazendo a faculdade e de onde estudei, e o jeito que as meninas falavam com os meninos, se impondo e levantando quando eles falavam besteiras, me deixou impressionada. Duvido muito que isso não tenha crescido.

O feminismo se popularizou desde aquela época, e apesar dessa onda conservadora, acredito que ele a cada ano se torna um tema mais debatido. No entanto, existe o risco de você não entender o que é feminismo de fato e rotular vários comportamentos como feminismo ou empoderamento — uma palavra que perdeu completamente o seu sentido original. 

existem muitas mulheres que dizem ‘não sou feminista, sou feminina’, mas que fazem tudo o que foi obtido pelo feminismo — votam, trabalham. isso significa que de alguma forma falhamos na linguagem, ou comunicação, para existir esse discurso ou é algo natural?

Acho que são ambos. Como falei, sempre que há uma onda feminista há uma contra onda conservadora e antifeminista. Todas essas ondas antifeministas, considerando que existem aqueles que dizem que atualmente vivemos a quarta onda do feminismo, são ridículas. Os argumentos usados contra as sufragistas são os mesmo usados hoje, com o esteriótipo da feminista feia que não usa maquiagem e não se arruma. É impressionante como o feminismo precisa explorar novos assuntos, mas o antifeminismo só tem as mesmas falas há quase duzentos anos. Então, acredito que também estamos falhando em nos comunicar se ao longo dos anos precisamos enfrentar exatamente a mesma crítica. 

O feminismo de mercado é elitista. Uma coisa é vender empoderamento com maquiagem, fazendo comerciais dizendo que maquiagens te empoderam e colocar uma executiva ou presidente usando maquiagem, outra coisa é entender o feminismo de fato e o que ele te propõe e que ele é essencialmente um movimento político. Transformar o feminismo em um movimento apolítico é transformar ele em outra coisa, da mesma forma que o feminismo é inerentemente anticapitalista, daí que ‘vender o feminismo’ é algo tão contraditório. Ter esse tipo de discussões é muito mais complexo do que falar que beijar quem quiser ou se vestir como quiser é empoderamento, porque são coisas mais fáceis de serem debatidas. Não temos linguagem para debater as coisas que importam do feminismo. 

A Juliana Gonçalves, que trabalhou vários anos no Intercept como editora de redes sociais, faz parte de um coletivo chamado Minas Da Baixada em referência a Baixada Fluminense, uma região metropolitana do Rio que é historicamente uma região do Estado abandonada pela política pública apesar de serem cidades enormes, onde elas faziam vários eventos presenciais com mulheres da região para falar sobre violência doméstica. Em nenhum momento elas usavam a palavra feminismo porque sabiam que se elas usassem, nada do que elas falavam seria considerado.

Temos essa discussão um pouco teórica onde talvez essa mesma mulher que entenda a discussão central seja a mesma que diz que não é feminista e sim feminina. Só que, por outro lado, com certeza é mais importante informar essa mulher sobre violência doméstica e como se proteger e agir, do que transformar ela em alguém que declara ser feminista, porque temos essa barreira com a palavra em si. Nós fizemos uma entrevista com a Patrícia Hill Collins [renomada professora norte-americana, escritora e feminista] onde ela dizia abertamente que se a palavra feminismo virar um obstáculo, precisamos parar de usar e inventar outra palavra. 

Ao mesmo tempo, se você tem uma campanha difamatória contra feminista que dura décadas, onde as falas são as mesmas, é óbvio que não iremos mudar um pensamento tão enraizado em alguns anos. Sempre vai existir quem caia nesse discurso fácil porque as pessoas gostam de discurso fácil. Às vezes a mesma pessoa que gosta do ‘maquiagem me empodera’ tem, do outro lado do espectro, a pessoa que diz ‘sou feminina e não feminina’, porque são dois discursos fáceis. 

algo que me incomoda é discutirmos se, por exemplo, Anitta é feminista por rebolar, não por serem uma grande artista e empresária.
como podemos mudar a visão que a sexualização excessiva não é empoderamento, nem feminismo?

Acredito que precisamos mudar a concepção de que feminismo é ter poder de escolha sobre tudo e que todas as suas escolhas são consequentemente feministas. 

É o mesmo que o debate da maquiagem: há quem diga que feministas não devem usar maquiagem porque ela foi feita para ser um meio de opressão e tudo bem, isso é verdade, mas não tem problema se existem mulheres que se sintam bem usando maquiagem, o problema está se existem aquelas que se sintam péssimas usando e continuam usando.  

Se você se diverte em uma festa dançando e rebolando, tudo bem, mas não diga que isso é feminista. Nós sempre caímos em debates superficiais, onde fica difícil de falar sobre as estruturas. Discutir sobre você se filmar rebolando não muda o fato que existe uma estrutura que, ao mesmo tempo, te incentiva e desincentiva a fazer isso — existe a parte da sexualização, onde as pessoas querem ver isso, e a parte de que se você fizer isso, é uma piranha. 

Não tenho uma resposta porque acho que é complexo, nos perdemos nos discursos fáceis. 

é a questão do feminismo liberal, onde se nega a questão da classe.

É isso mesmo. Acabamos definindo o feminismo como ações muito individualistas, o rebolar ou o usar, ou não maquiagem, que no grande escopo, são coisas que não impactam tanto a vida social da mulher. Usar ou não maquiagem e se depilar ou não, não muda o fato de que um número específico de mulheres serão estupradas hoje. Não devemos descartar que várias mulheres começam a conhecer o feminismo através dessa parte individual e sua afirmação individual, e que a partir daí, podem se interessar pelo resto do movimento. O problema é quando se para na questão individualista, por essas questões serem somente a porta de entrada — e se você não saiu da porta, você não entrou.  

qual é o papel da ótica feminista no jornalismo?

Acredito que nas escolhas de pauta e abordagem, e em meio a suas ‘questões inegociáveis’, como falamos antes, já que se estamos falando do feminismo que enxerga a estrutura do capitalismo, você acaba enxergando mais questões inegociáveis. Também está na postura, como falei no início de só conversar com mulheres que queiram conversar comigo em reportagens, é algo que aprendi enquanto feminista. A maioria das matérias que fiz enquanto estava na faculdade e o meu trabalho de conclusão de curso eram sobre violência contra a mulher, principalmente violência sexual, mas também física. É muito fácil revitimizar uma mulher sobrevivente de violência sexual. 

Nessa época da faculdade, houve um caso de uma menina estuprada por sete homens, mas que a princípio haviam dito que seriam mais de trinta pessoas. Uma reportagem foi publicada no O Globo sobre a vida da vítima, que tinha dezesseis anos. No jornalismo, existe a questão de humanizar a sobrevivente e não reduzir ela ao que aconteceu, mas, não tem porque comentar sobre a vida de uma menina que não é uma adulta. A forma que a reportagem foi escrita, não sei se foi a intenção, dava a entender haver um julgamento, porque escreveram que ela gostava de ir para festas todo dia e teve um filho com catorze anos — o que não tinha relação com a notícia que precisava ser dada. Pode não ter sido a intenção do repórter, mas você precisa saber para quem está escrevendo. No mesmo ano, houve uma pesquisa falando que 30% da população acreditava a vítima era culpada por ser estuprada. É com essas pessoas que você está falando, então como que você consegue fazer uma reportagem sobre um estupro coletivo onde, se a vítima ler, ela se sentirá ainda pior?

Essa é a pior coisa que um jornalista pode fazer: fazer com que uma pessoa que tenha sido violentada, independentemente de qual tipo de violência, se sinta pior. Se a pessoa enfrentou um trauma imenso e você consegue fazer com que ela se sinta pior, você está muito errado no seu trabalho. Dessa leitura feminista veio a minha observação sobre a revitimização, onde não irei falar com mulheres violentadas de qualquer forma que não queiram falar comigo, não importa se falar com elas seja o furo da semana. Existem momentos em que um jornalista deva insistir, como quando insistir a falar com um político, mas isso muda completamente quando estamos falando de vítimas.

Não devemos revitimizar também no sentido onde esses eventos definissem a vida dela. Existe uma questão muito teórica também sobre chamar vítima ou sobrevivente — eu opto por chamar sobrevivente. Mais importante, além disso, é saber se no seu texto como você irá tratar a pessoa.

O nosso olhar também é importante.

Na pandemia houve uma matéria que insisti muito para fazer onde havia uma distinção clara onde as mulheres da redação viam como importante e os homens achavam desnecessário, sobre como seria o acesso aos contraceptivos quando o sistema de saúde colapsasse. Era um momento onde ainda havia dúvida se gestantes eram grupo de risco ou não e durante a apuração foi estabelecido que sim, o que aumentou a necessidade de falarmos sobre o assunto já que não era um momento de engravidar. Buscamos saber se estava havendo distribuição de contraceptivos e se procedimentos anticonceptivos estavam ocorrendo. Se tudo isso não estava acontecendo, significa que você tem mulheres que estavam se cuidando antes da pandemia e agora não, e que essas mulheres não parariam de fazer sexo durante a pandemia, então você tem mais mulheres engravidando e quando você fala em situação de vulnerabilidade, também significa mais adolescentes engravidando. De fato, a disponibilidade havia caído muito, principalmente do DIU. Deu audiência? Não. Mas seria uma pauta que eu nunca pensaria em fazer se não fosse feminista.

existem temas no jornalismo que precisam ter uma ética feminista?

Acredito ser semelhante ao que falei sobre a reportagem do Globo. Você precisa ser vigilante nesse sentido, porque, novamente, não conheço quem escreveu a reportagem e ela pode ter tido todas as boas intenções do mundo escrevendo, mas ela não soube ler o público dela. Se você não entende que está situado em uma sociedade patriarcal, você pode falar coisas que reafirmam essas convicções. Além da ética, é uma questão de saber olhar além da sua bolha e não escrever para jornalistas.


Agradecimentos especiais a editora Bruna de Lara pela entrevista.
Leia as suas reportagens aqui, compre seu livro aqui.

Uma entrevista em homenagem à Maria Clara Aguiar.


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