Poema da maternidade

A maternidade te pega de jeito
E não larga nunca
Você fica pelo meio do caminho
Você, aquela que era antes
De vocês nascerem
Seja bem-vinda nova eu
Você parece exausta

Eu sempre espero pelo final

Será que algum dia eu viverei o presente
E só
Eu sempre fico esperando o momento
Em que tudo dá um nó
O erro que eu não vou deixar passar
O problema que eu vou deixar aparecer
Como um furo velho na calcinha
Que não serve mais
Mas é tão confortável
E por isso eu uso
Ela cobre meus medos de dar certo
Mas o que é dar certo então
Aceitar o outro mesmo que
Seu jeito de ser me pese como um bojão?
Não é um poema direcionado
Eu sinto isso por todo mundo
Meu ódio é democrático.

Agora um poema curtinho

Eu gostei dele
Eu não sei como
A forma ainda, mas
Eu gostei demais.

Agora outro poema curtinho

Eu gosto dela
Tipo tosse
Difícil de disfarçar
Parece que você está fedendo
E com medo de todo mundo sentir
O cheiro do tanto que sinto
Por ela
A saudade que eu tava
De uma idealização.