Até quando o meio ambiente vai ser considerado barganha política?


Não se trata mais de uma oficina educacional qualquer na feira de ciências, trata-se de saúde pública e desenvolvimento social. 


A emissão de gases de efeito estufa, através da atividade industrial, queimadas, extração de minérios e pecuária são consideradas as principais causadoras da poluição ao meio ambiente e do agravamento do aquecimento global. Com a sociedade de consumo em que vivemos atualmente, a produção exacerbada e a obsolescência programada tem consigo um grande consumo de matérias-primas de origem natural, das quais demandam muito do meio ambiente, o qual já pede socorro.  

Ainda, as consequências da alta produção industrial não se restringem apenas ao meio ambiente. Ela também causa a desapropriação de muitos povos tradicionais brasileiros, deixando de garantir o mínimo existencial à essas pessoas, como o direito a autodeterminação e ao território. 

Muitos indígenas, por exemplo, vivem situação absurdas por conta da atividade mineradora, a qual não possui a fiscalização suficiente, muito menos no que tange aos impactos ambientais e sociais que a atividade produz, como: desmatamento, queimadas, poluição da água, desnutrição, intoxicação. 

Ademais, não podemos deixar de falar sobre como a dieta adotada na sociedade capitalista tem grande impacto no meio ambiente, sendo que até mesmo a alimentação trata-se de escolha social, ambiental e politica.  Com o alto consumo de carne animal, há a sustentação e proliferação de uma cadeia de produção muito extensa, incentivando a banalização ao meio ambiente, trazendo consigo, ainda, o incentivo ao crescimento de diversos agentes tóxicos, os quais são injetados diariamente em nossos recursos naturais. Sim, nossos. O meio ambiente, constitucionalmente falando, é de todos. Assim, todos temos responsabilidade no cuidado e fiscalização. 

Inclusive, no que se refere ao incentivo na utilização de agentes tóxicos, nesse mês (fevereiro de 2022), foi aprovada pela Câmara um novo projeto o qual flexibiliza as regras referente a esses produtos, e os nomeia como pesticidas (como se a mudança para um nome mais “bonito”, fosse mudar o efeito “feio”).

Ainda, frente ao demasiado consumo de carne, bem como, o grande incetivo politico que a agropecuária recebe, ela acabou-se por se tornar e responsável por cerca de 73% da emissão de CO₂. Na COP 26, inclusive, foi abordado o estudo sobre pegadas de carbono, carbon footprint em inglês, vindo a confirmarem que esse tipo de indústria emite atualmente 17% mais gases do efeito estufa do que a 3 décadas. 

No setor da pecuária, o desmatamento de florestas para a formação de pastos demonstra-se um dos principais contribuidores para a emissão de 16,5 bilhões de toneladas de emissão de gases do efeito estufa. O Brasil, em uma hierarquia de maiores poluidores do mundo, perde para os Estados Unidos e Indonésia, encontrando-se ao lado da China. Destaca-se, aqui, a importância de um consumo consciente, bem como, o incetivo aos pequenos produtores. Não se trata de se tornar vegano, mas sim de ter consciência do caminho que o produto faz, das pessoas envolvidas nessa produção e no impacto ambiental que aquele produto pode causar, tanto em sua produção, como no seu descarte. 

Pequenas atitudes podem sim, causar grandes efeitos. Segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira, a campanha “segunda sem carne”, quando adotado por apenas uma pessoa, poupa cerca de 3.400 litros de água e 14 kg de CO₂. 

Além disso, o cuidado com o meio ambiente não se restringe a economizar água ou luz, jogar lixo no lixo. Trata-se de comprar menos.  

 Com a sociedade capitalista, comprar tornou-se uma forma de se colocar socialmente. Ter o telefone sempre atualizado, o computador de última geração acaba por incluir socialmente os indivíduos. Dessa maneira, há um incentivo para a produção intensificada, vindo os produtos terem um prazo de validade menor, acarretando, assim, a famosa obsolescência programada, vindo a produção de lixo, principalmente o eletrônico, crescer demasiadamente. 

A falta de economia circular faz com que o meio ambiente sofra tanto na produção, como no descarte. Ao que tudo indica, jogar o lixo fora não faz sentido, pois não há o “fora” do planeta. 

Além do mais, a produção não contribui apenas à emissão de gases, mas alavanca a alta utilização de água. Segundo o Instituto Akatu:

  • Celular: consome 910 litros de água e 4.698 kWh de energia; e emite 35 kg de CO²
  • Notebook: consome 10 mil litros de água e emite 193 kg de CO²
  • Tablet: consome 1,9 mil litros de água e emite 80 kg de CO²
  • Geladeira: consome 593 kWh de energia e emite 397 kg de CO²
  • TV: emite 66 kg de CO².
  • Calças jeans: consome 3,7 mil litros de água e emite 33 kg de CO²
  • Carrinho de bebê: emite 321 kg de CO²
  • Bicicleta: emite 240 kg de CO²
  • Par de sapatos: emite 10 kg de CO²
  • Óculos de sol: emite 1,7 kg de CO²

Já com relação à legislação ambiental, o cenário atual urge por uma melhor aplicação das leis. Não trato aqui de reforma legislativa, mas sim a necessidade de atuação e aplicação. 

Não adianta nada ter legislação, mas não aplica-la, e ainda exigir novas reformas. Isso acaba apenas sucateando ainda mais o judiciário. 

Diante de tudo isso, ressalta-se a necessidade de entender que o meio ambiente não pode mais ser considerado barganha politica, muito menos chamariz em campanhas eleitorais.  Deve ser uma pauta tratada por todos os candidatos, com a devida seriedade que tem. 

Diante das situações vivenciadas nos últimos anos, o meio ambiente demonstrou-se ser um bem, o qual é facilmente negociado, por muito pouco. Há muita influência politica quando se trata de preservação ao meio ambiente. Afinal, quando a existência do aquecimento global é negada pela influência politica, que urgência se teria em impedir algo inexistente?

O cuidado com a fauna e a flora, bem como, o incetivo a educação ambiental e consumo consciente deve ser considerado igualmente como a saúde, educação e a vida, pois sem o meio ambiente, não há vida terrestre. O meio ambiente é a base do desenvolvimento social. Quando ele se desequilibra, o ser humano tende a sofrer graves consequências. 

A crise hídrica esteve presente no ano de 2021 (e em muitos locais ainda está e, na verdade, sempre foi presente) para provar não haver mais como adiar essa discussão. Muito menos ir deixando para amanhã.

Não há mais tempo. 

Não se trata mais de uma oficina educacional qualquer na feira de ciências, trata-se de saúde pública e desenvolvimento social. 


em/meio-ambiente



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