A extradição do fundador do Wikileaks, Julian Assange, para os Estados Unidos, está cada vez mais perto depois que seu pedido de permissão para apelar na Suprema Corte foi negado. “O pedido foi recusado pela Suprema Corte e a razão dada é que o pedido não levantou uma questão de direito discutível”, disse um porta-voz do tribunal.

A Ministra do Interior e Secretária de Estado Priti Patel deve agora ratificar a decisão de extradição, informou a agência Reuters. Após a ratificação, Assange poderá apelar a decisão novamente por meio de uma revisão judicial, que provavelmente não será aceita.

As autoridades norte-americanas querem que Assange, nascido na Austrália, de 50 anos, seja julgado por 18 acusações relacionadas à divulgação pelo WikiLeaks de vastos tesouros de registros militares confidenciais dos EUA e telegramas diplomáticos que, segundo eles, colocaram vidas de oficiais e militares norte-americanos em perigo. Ao longo de mais de uma década de atuação, nenhuma causalidade jamais foi reportada em razão de documentos publicados pelo WikiLeaks.

Fitas amarelas são amarradas na porta do tribunal de Belmarsh em Londres, em homenagem a Assange e protesto ao seu julgamento. Fotografia por: Chris J Ratcliffe para Getty Images.

Em dezembro, o Supremo Tribunal de Londres revogou a decisão de um tribunal inferior de que ele não deveria ser extraditado porque seus problemas de saúde mental significavam que ele estaria em risco de suicídio. A juíza de primeira instância Vanessa Baraitser decidiu em janeiro de 2021 que Assange não deveria ser extraditado em razão das “condições opressivas das prisões dos Estados Unidos”.

O escritório de advocacia que representa Assange, Birnberg Peirce, afirmou em declaração que ainda não esgotaram sua capacidade de apelação em relação à “outras questões importantes que ele levantou anteriormente” naquela decisão do tribunal inferior.

Representantes também lamentaram que “não tenha sido aproveitada a oportunidade para considerar as circunstâncias preocupantes nas quais os Estados requerentes podem fornecer garantias cautelares após a conclusão de uma audiência probatória completa”. A declaração da firma refere ao argumento inicial de recurso, voltado para o momento em que Assange teria garantias e seria tratado humanamente em uma prisão dos EUA caso fosse extraditado, julgado e considerado culpado.

Caso extraditado, a prisão de Assange levanta diversos problemas para a imprensa mundial – mas sobretudo norte-americana. Você pode ler mais sobre isso aqui:

Sabiá

Somos uma publicação digital e independente lançada em 15 de julho de 2020 por um grupo de jovens brasileiros que querem democratizar o acesso à informação no Brasil. Nossa redação funciona remotamente e sem financiamento ou fins lucrativos, com mais de 40 integrantes e colaboradores.