Texto escrito em abril/2014

Acordei atrasada, como de costume. Amo mais aqueles cinco minutinhos do que a sexta-feira. Tentei esquecer que dia era hoje, me olhei no espelho e fui tomada pelo pensamento de que hoje não era dia nenhum. Cheguei ao trabalho, e hoje era que dia mesmo? 19 de abril de 2014. E onde estava eu a um ano atrás? – Não importa! Não quero mais lembrar. Eu deveria estar em qualquer lugar, e, ao mesmo tempo, em nenhum lugar. Tentei cortar as conexões de antes de se lembrar e agora, mas foi inútil. Sempre que isso acontece não consigo fingir que nada aconteceu, era preciso entregar de vez, como se diz: – Vamos lá, falaremos sobre o assunto. Mas falar com quem? Sinto preguiça de mim pelas pessoas. Essa história chata, desconexa e louca só me fazia parecer mais anormal do que eu já era. É, assim eu estava me sentindo. E a culpa era toda sua, porque sempre precisa existir um culpado e o culpado é você.

Tanto silêncio quebrado por algumas mensagens em dias aleatórios, com o intuito de marcar assento no local mais estratégico do cinema. Era isso que eu sentia de você. E ainda sinto.  O que você chama de amor, eu chamo de egoísmo. E o que eu chamo de amor, você chama de chiclete sem gosto. Mas meu, quais eram suas prioridades? Eu tinha lindos planos pra nós, um a vida inteira, e planejei tudo isso enquanto você jogava sorrisos ao vento, na espera de encontrar alguém melhor do que eu, e sempre volta. É porque seu mundo parece meio alegre, mas só dura até 6h da manhã e você finge não se importar com isso.

A pouco tempo me caiu a ficha de que o amor para alguns é algo que eu não entendo, e por isso não sei explicar. Mas era uma dessas historinhas horríveis que existem com tempo certo para dar errado, duas pessoas sem conversar, uma raiva que não passa, e um dos envolvidos sofrendo. Era assim que você via? Eu não! Eu sonhava com a pureza dos contos de fadas e seus mais belos finais felizes. Eu queria você, porque para mim não existia ninguém melhor. Eu queria você porque seu sorriso é mais bonito do mundo e nenhum outro me satisfazia. Eu queria você porque eu final acreditei ter encontrado alguém para ficar o resto da vida, nesse eterno clichê, mas eu amo esse clichê e você não.  Nós tínhamos tudo para dar certo se não existisse esse seu pouco interesse.  O que você não sabe, é que a gente se acostuma com tudo nessa vida. O silêncio que até então era perturbador para de perturbar, a ausência não incomoda como antes, os planos ganham novos horizontes e até essa raiva de você vai diminuindo. A gente aceita que não era pra ser e com isso você logo se inclui nesse montante que representa o grupo dos “não se envolva sentimentalmente”. Você desocupa o lugar de único e volta a ser qualquer um. Ainda bem que eu sempre tive medo de ser qualquer uma para alguém, eu quero ser a diferença e por isso já somos diferentes. Eu quero ser a prova viva de outras teorias, a teoria que dá certo e a teoria do para sempre. E com isso já estamos longe o suficiente para não precisarmos uma da outra. Feliz um ano, de qualquer coisa.