Sasha Alex Sloan, o ponto fora da curva

A indústria musical, geralmente, tende a moldar os artistas a fim de agradar o público de massa. Gerar polêmicas, usar moldes, aplicar fórmulas; quando se trata de fama e sucesso, tudo é válido para conquistar a atenção das pessoas. Se você curte um(a) cantor(a) “mainstreaming“, é bem provável que já tenha experimentado a êxtase do vício em uma música. Aquela batida repetitiva, aquele refrão chiclete, aquele toque radiofônico, não saem da sua cabeça nem por um segundo. Isso acontece de maneira proposital e estratégica, e está tudo bem. Quer dizer, não há nenhum problema em dançar ao som de “Single Ladies“, da Beyoncé, com todos os seus amigos em uma festa; ou fantasiar com a atmosfera utópica do sonho adolescente criada por Katy Perry em 2010. Dançar é muito bom, cantar é muito melhor. “Livin’ hard just like we should” (em tradução para o português, “vivendo ao extremo, do jeito que deveríamos”), como disse Kesha na icônica “Die Young”.

Entretanto, existem algumas controvérsias nesse cenário. O mundo da fama, apesar de idealizado, às vezes pode ser assustador e trágico. Em questão da indústria musical, o problema mora onde muitos não enxergam – ou se negam a enxergar. Com muito dinheiro e uma equipe enorme envolvidos, os artistas acabam virando fantoches nas mãos dos empresários. A pressão para inovar o tempo inteiro, lançar algo novo o mais rápido possível e incompreensão dos fãs são apenas alguns fatores que atrapalham o processo criativo. Muitos artistas acabam perdendo sua essência; os projetos passam de peças autênticas para fórmulas genéricas. Sem contar as inúmeras ocasiões em que as gravadoras limitam seus cantores. Neste sentido, a popularidade mais atrapalha do que ajuda.

Por este motivo, nem sempre é bom estar sob os holofotes. Nem tudo é sobre conquistar um público de massa. De fato, existem ótimos artistas que possuem reconhecimento na indústria, mas seus nomes passam bem longe dos tabloides, eles fazem bom uso do “pseudo anonimato” , aproveitando para se conectar com os fãs de forma mais fácil e genuína. Os chamados underrated artists – termo popular em inglês utilizado para designar artistas com públicos menores – estão por toda parte. Entre eles, está a cantora e compositora norte-americana Sasha Alex Sloan, que se destaca por ser o ponto fora da curva.

Nascida em março de 1995, Sasha despertou o interesse pela música desde os cinco anos de idade, quando aprendeu a tocar piano sozinha! Aos 19, decidida a trabalhar na indústria musical, se mudou para Los Angeles. Discretamente, Sasha estreou como compositora. Nessa vertente, ao longo de sua trajetória, colaborou com grandes nomes da música, como Camila Cabello, – na marcante Never Be The Same – Idina Menzel, Charlie XCX, e até mesmo Katy Perry – em Cry About It Later.

Mas foi apenas em abril de 2018 que Sasha deixou suas inseguranças (um pouco) de lado para lançar seu primeiro projeto autoral como cantora.Sad Girl“, embora conte com apenas seis músicas, deixou ainda mais evidente seu talento e originalidade. O EP, lançado pela RCA records, teve a produção de Lotus IV, Martin Doherty e King Henry, atual noivo da cantora. As faixas “Normal” e “Ready Yet” se sobressaem sob as demais. A primeira retrata a típica exclusão de personalidade a fim de fazer parte de um grupo fútil numa festa, enquanto na segunda, ela canta sobre sua relação complicada com o pai; letras fortes que logo fariam Sloan se conectar com o público adolescente do século XXI.

E foi exatamente o que aconteceu sete meses depois. Com o lançamento de “Loser”, seu segundo EP, em novembro, Sasha Alex Sloan conquistou seus primeiros fãs sólidos com a tranquila batida eletropop da terceira faixa do projeto, “Older”. A música viralizou nas plataformas digitais e, no presente momento, conta com mais de 90 milhões de acessos apenas no Youtube. Com mais uma letra significativa, a faixa é sobre a visão compreensiva e madura que Sasha, agora adulta, possui sobre o divórcio dos pais. No refrão, um gatilho para muitos jovens: “I used to be mad but now I know sometimes it’s better to let someone go” (em tradução livre, ” eu costumava ficar brava, mas agora eu sei que às vezes é melhor deixar alguém ir”).

A segunda explosão de Sasha ocorreu quando a melancólica “Dancing With Your Ghost” foi lançada. Apenas no YouTube, a faixa, que faz parte do terceiro EP da cantora, Self Portrait“, já foi reproduzida mais de 150 milhões de vezes. Se alguém ainda tinha dúvidas acerca do talento e autenticidade de Sloan, este projeto de 2019 veio com o intuito de sanar todas essas inquietações. Com 7 faixas, “Self Portrait” comprova o amadurecimento lírico, sonoro e conceitual da artista. Mais confiante, Sasha explora uma nova temática na ousada “Thank God”: sua relação com Deus. Na letra, ela confessa seus pecados e literalmente se condena ao inferno nos versos: “So If the pearl gates won’t open up for me at least I know there’s somewhere else I can go” (na tradução, “Então se os portões perolados não se abrirem para mim, ao menos eu sei que há outro lugar que eu possa ir”). Claramente, a criação do inferno é a única coisa atribuída ao Sagrado pela qual Sasha é grata.

Em 22 minutos, o EP nos conduz em uma jornada profunda e íntima pelo cotidiano fatídico e perfeitamente relacionável da cantora. Do Indie pop até baladas lentas, sua voz suave se destaca nas produções minimalistas. Além disso, a ordem impecável da tracklist apresenta uma nova abordagem que define todo o conceito do projeto. Agora, ao invés de apenas expor suas inseguranças e lidar com a ansiedade, Sasha decide tomar uma verdadeira atitude ao fechar o álbum com a inspiradora Smiling When I Die, onde expressa seu desejo de cessar as preocupações desnecessárias e viver novas experiências.

Finalmente, em 2020, Sasha Alex Sloan lança seu tão aguardado primeiro álbum de estúdio, “Only Child”.

Num ritmo pop alternativo, as 10 faixas do projeto expõem as diferentes versões da compositora, – desde o lado romântico até o controverso – focando na temática principal: ser filha única, como o próprio título sugere, pode ser bem solitário. “House With No Mirrors“, o segundo single da era, é um dos destaques. O videoclipe em preto e branco acompanha a letra sobre a narrativa delicada de Sasha fazendo suposições de uma vida perfeita, onde seu transtorno de imagem seria inexistente. A intimista “Santa’s Real” carrega o duro choque da realidade de se tornar adulto e perceber que a magia da infância evaporou. “Is It Just Me”, que mais tarde ganhou um dueto com Charlie Puth, é cheia de personalidade e controvérsias. “Weddings are outdated, the show ‘Friends’ was overrated” (em português, “Casamentos são ultrapassados, a série ‘Friends’ foi superestimada”); são apenas algumas polêmicas do single audacioso já presente em um álbum de estreia! Ao final de tudo, “Only Child” foi aclamado pela crítica e bem recebido pelo público.

Os conceitos estéticos e líricos predominantes em seus trabalhos suprem as necessidades de conexão e identificação não apenas de adolescentes, mas também de qualquer pessoa que viva no século XXI, em que a baixa autoestima e a depressão, por exemplo, são questões pertinentes.

A boa notícia é que Sasha Alex Sloan está prestes a lançar seu segundo álbum de estúdio, “I Blame The World“.

Previsto para 13 de maio, Sloan, desta vez, vai apostar num pop eletrônico explosivo e dançante que remete as batidas do icônico 1989, de Taylor Swift (2014). Até agora, o novo projeto já conta com mais dois singles além da faixa título, chamados “WTF” e “New Normal“. Nos dois primeiros singles, a cantora embarca numa narrativa de crise existencial ao questionar- se das coisas mais simples até as mais complexas, como pintar as unhas e ter o coração partido; enquanto o último é sobre lidar com a dolorosa partida de alguém.

Se você leu esta matéria até o final, significa que agora pode afirmar que Sasha Alex Sloan é mesmo o ponto fora da curva. Ela pode não ser tão reconhecida como Katy Perry, Beyoncé ou Kesha, mas vai te fazer dançar e cantar do mesmo jeito. Ela pode nunca ter ganhado um Grammy ou ter desfilado no tapete vermelho, porém entrega trabalhos brilhantes do mesmo jeito. Isso porque, independente da fama ou sucesso, o importante é o conceito, o amor genuíno, a conexão, a autenticidade e, o mais relevante, a essência.

2 respostas para “Sasha Alex Sloan, o ponto fora da curva”

  1. Sasha é uma pequena gênia dentro dessa indústria! Muito bom ver matérias reconhecendo isso!!!

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