Em transmissão ao vivo, Lula oficializa candidatura à presidência

Hoje, 7 de maio, o ex-presidente Lula oficializou a candidatura à presidência da República. O slogan “Vamos junto(a)s pelo Brasil” é escrito com fontes diversas, com a bandeira brasileira e as cores dela misturadas com o vermelho, cor característica do Partido dos Trabalhadores e da esquerda. A composição visual reforça, portanto, as palavras de união nacional: o patriotismo e o trabalhismo dão as mãos um ao outro.   

Como antecipado há meses pela imprensa, o vice de Lula será o antes adversário político Geraldo Alckmin (PSB). A chapa conta com o apoio de sete partidos, quais sejam: PT, PCdoB, PV, PSB, Solidariedade, Rede e PSOL. Existem tentativas de aproximação com o MDB e o PSD.

Lula discursando durante uma assembleia dos Metalúrgicos no Estádio Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (São Paulo), em 1979. Fotografia por: Juca Martins

Na frente de uma bandeira do Brasil, Lula iniciou o discurso parabenizando as mulheres brasileiras pelas conquistas do passado, assim como pelas que serão realizadas no futuro. Afirmou satisfação por juntar “todas as forças progressistas” em torno de uma campanha. Segundo ele, “governar deve ser sobretudo um ato de amor”. Logo, o governante tem de “viver em sintonia com as aspirações e o sentimento das pessoas, especialmente das que mais precisam”. O pré-candidato relembrou das vitórias do “povo sofrido” durante os governos anteriores dele, valorizando programas como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, ProUni e FIES. “Combinamos o crescimento econômico com a inclusão social”. Reforçou o compromisso orçamentário com a saúde, a educação, a pesquisa e a ciência. “Tudo que fizemos e o povo brasileiro conquistou está sendo destruído pelo governo atual”, disse após acusar o retorno da fome no país e a incompetência da presente gestão.

“É mais do que urgente restaurar a soberania do Brasil. Defender as riquezas naturais brasileiras, o povo brasileiro”. Mencionou o Mercosul e o BRICS como ferramentas de inserção soberana do Brasil na ordem mundial. Para garantir o desenvolvimento nacional, defendeu as empresas estatais, como o BNDES, a Petrobras e a Eletrobras.

“É dever do Estado garantir a segurança e o bem-estar de todos os seus cidadãos”. Lula acusou o feminicídio, a homofobia, o racismo estrutural, o desemprego e a precarização como entraves para o avanço do Brasil. Insinuou uma revisão da reforma trabalhista de 2017, a fim de melhorar as condições da classe trabalhadora: “Se os trabalhadores não tem dinheiro para comprar, os empresários não terão para quem vender”. Para o ex-presidente, o empreendedorismo é um caminho para despertar o “talento” e “criatividade” do povo brasileiro.

“A cultura também tem de ser tratada como um bem de primeira necessidade”, disse Lula. Posicionou os artistas como agentes geradores de riqueza, como um dos principais patrimônios do povo. “Precisamos de livro em vez de armas. A arte preenche a nossa existência. Ela é, ao mesmo tempo, capaz de retratar e reinventar a realidade. Sem a arte, a vida fica mais dura. Vamos transformar a cultura em uma indústria de fazer dinheiro e de gerar emprego”.

Assim como Alckmin, Lula garantiu a compatibilidade da chapa: “Tenho o orgulho de contar com o companheiro Alckmin nessa nova jornada. Fomos adversários, mas também trabalhamos juntos e mantivemos o diálogo institucional e o respeito pela democracia.”

“Poucas vezes na História nossa independência esteve tão ameaçada”, alertou após denunciar os movimentos antidemocráticos de Jair Bolsonaro. Lula restabeleceu o compromisso com a Constituição de 1988 e a ordem democrática por ela restaurada. “O país precisa de calma e tranquilidade”.

Agradeceu a presença de Dilma Rousseff, “que tem a grandeza de ser a primeira mulher a ser presidenta do Brasil”. O publico interrompeu com gritos: “Dilma! Dilma! Dilma!”. Assim Lula se despediu: “Adeus companheiros! Que Deus abençoe todos nós. Que Deus abençoe o país. Do fundo do coração, um beijo para todos vocês!”.

Diversidade e Alckmin à distância

Realizado em São Paulo, o evento para 4.000 pessoas apresentou pessoas diversas: homens e mulheres negras, indígenas, sem-terra, sindicalistas, líderes de movimentos sociais, jovens, artistas e trabalhadores

Como testou positivo para covid-19, Alckmin apareceu ao vivo por meio de um telão. No discurso anterior ao de Lula, saudou as mulheres, reforçou a importância das vacinas e do sistema público de saúde. “Nada, absolutamente nada, servirá de razão para que eu deixe de apoiar e defender com toda a minha convicção a volta de Lula à presidência do Brasil”, garantiu o antigo opositor do ex-presidente. “Obrigado, presidente Lula, por me dar o privilégio da sua confiança. Muito obrigado. Serei um parceiro leal. Lula é hoje a esperança que resta ao Brasil. É a única via”.

Segundo Alckmin, a defesa da democracia impõe a formação de alianças. Com o convite de Lula, “mais que um sinal de reconciliação entre dois adversários históricos, vi um verdadeiro chamado à razão”. Classificou o governo Bolsonaro como o “mais cruel e desastroso” do Brasil. Prometeu um governo “realmente democrático”, que construa prosperidade para todos os brasileiros. De acordo com ele, a chapa estimulará o empreendedorismo, o investimento e a produção, bem como uma “relação mais justa e vantajosa” entre trabalhadores e empresários. Alckmin recusou a “falsa dicotomia” entre liberdade e igualdade: “A política pode e deve ser instrumento para a promoção da igualdade sem prejuízo da liberdade.”

Geraldo Alckimin, ex-governador do estado de São Paulo e pré-candidato à vice de Lula. Fotografia por: Ivan Pacheco/VEJA

Antes de Lula aparecer, os apoiadores receberam Dilma Rousseff com aplausos: “Dilma! Guerreira! Do povo brasileiro!”, gritavam entusiasmados. No palanque, estavam Gleisi Hoffman (presidenta do PT), Fernando Haddad, Guilherme Boulos, Cristiano Zanin Martins (um dos advogados de Lula), Jessé de Souza (escritor), Celso Amorim (diplomata), representantes do catolicismo, do budismo, dos evangélicos, das religiões de matriz africana, além de outros atores da sociedade brasileira. Houve uma execução acústica do hino brasileiro, acompanhada de um passeio das bandeiras dos estados pelo telão do palco.

Abertura da transmissão, outros aliados e comunicação da campanha

Antes dos discursos, a âncora da transmissão antecipava a retórica da campanha presidencial. Em sintonia com os gritos “Brasil! Urgente! Lula presidente!”, lançado por apoiadores, afirmou ser 7 de maio de 2022 “um dos dias mais importantes da História, da política do Brasil”. A apresentadora também entrevistou populares presentes. “O Cavalheiro da Esperança vai voltar!”, gritou um apoiador transferindo o apelido do líder trabalhista brasileiro Luís Carlos Prestes (1898 – 1990) para Lula. Outros políticos compareceram ao evento, como os deputados federais Alessandro Molon (PSB/RJ), Marcelo Freixo (PSB/RJ) e Paulo Pimenta (PT/RS). Em um tweet, Freixo afirmou que Lula e Alckmin derrotarão o bolsonarismo, devolverão a esperança aos brasileiros e reconstruirão o Brasil. O marketing da campanha será comandado pelo baiano Sidônio Palmeira. A comunicação do partido pelo deputado federal Rui Falcão (PT/SP) e pelo prefeito de Araraquara, Edinho Silva (PT/SP).

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