Em doses homeopáticas

Más allá del amor por el mate, por el dulce de leche y por el fainá, herdei de meu pai (que de tão argentino preservou os mullets praticamente até a calvície completa) também a loucura pelo Racing Club de Avellaneda. De minha mãe, porém, herdei não mais do que a simpatia pelo Corinthians, coisa de família, sabe como é, dessas que se passam de uma geração à outra mais na base do sentimento do que do pensamento. Acontece que dia desses estava fuçando num sebo pé-de-rato aqui na Vila Mariana, quando encontrei um livrinho chamado “A Emoção Corinthians”, escrito por Juca Kfouri e publicado em 1983. Tomei o pequeno volume e o abri, por acaso, na página nove para encontrar o que julgo agora ser uma das passagens mais lindas da literatura brasileira: “O delírio foi indescritível e suas imagens estão até hoje embaçadas. Um grito tomou conta da cidade na madrugada de sexta-feira: ‘Corinthians campeão! Pau no cu do meu patrão!’. Ninguém foi trabalhar.” A minha intenção era gastar um total de zero reais, mas saí de lá com “A Emoção Corinthians” debaixo do braço.


Por falar em mãe, no passado dia oito de maio cheguei para almoçar na casa da minha com um beijo, um desejo de feliz dia e um estômago roncando. Mas não vá o leitor e a leitora pensar que sou filho desnaturado, cretino, sem vergonha. O presente demorou um pouco mais do que eu gostaria, mas chegou em grande estilo: depois de muito esforço e paciência, finalmente consegui comprar ingressos para a última sessão de música que Milton Nascimento fará ao redor do mundo. Minha mãe, minha esposa e eu nos despedimos de Bituca aqui mesmo em São Paulo, no dia 25 de setembro.


De volta às províncias unidas do Sul, recentemente descobri uma série argentina que é totalmente excelente, falo com tranquilidade. Mas, como eu detesto esse tipo de gente que diz que eu T-E-N-H-O que assistir tal e tal séries por causa disso, daquilo e daquilo outro, não vou dizer que você, meu caro leitor e minha cara leitora, precisa assistir “Porno y Helado””. A única coisa que vou fazer é deixar a recomendação aqui, no ar, livre, leve e solta. Uma vez perguntaram a um homem muito inteligente qual era a importância da dança na sociedade e a resposta foi: “nenhuma, dança quem quer.” Portanto, se você me perguntar qual é a importância de “Porno y Helado” na sociedade, vou responder: nenhuma, assiste quem quer.

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