Não é de hoje que as pautas relacionadas às mudanças climáticas vem sendo objeto de discussão das potências mundiais, mas principalmente pelas organizações governamentais, das quais reservam momentos específicos para a discussão deste assunto relacionados a temática de mudanças climáticas e seus efeitos atuais e futuros, ramificando-se aos Direitos Humanos, Cooperativismo Internacional e Geopolítica, tendo como principais instrumentos a COP 26, o Acordo de Paris e o relatório IPCC de 2022. Por isso, busca-se aqui informá-los acerca da existência de um movimento que atua na linha de frente na passagem de informações aos cidadãos acerca do que realmente está acontecendo com o nosso sistema solar e climático, alertando-nos acerca das consequências que iremos enfrentar e implorando para que a sociedade os escute.

O 6º relatório de avaliação do IPCC sobre os Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade das Mudanças Climáticas conta com mais de 3 mil páginas, tendo cada uma sua importância no estudo da degradação do ecossistema e suas interfaces. Em um de seus capítulos, é abordada a vulnerabilidade e os seus impactos no ecossistema. Em tradução literal, temos a seguinte análise: “A vulnerabilidade é maior em locais com pobreza, desafios de governança e limitações no acesso à serviços e recursos básicos, conflitos violentos e altos níveis de meios de subsistência sensíveis ao clima (por exemplo, pequenos agricultores, pecuaristas, comunidades pesqueiras) (alta confiança). Entre 2010-2020, as mortalidade por enchentes, secas e tempestades foi 15 vezes maior em regiões altamente vulneráveis.”.  

No Brasil, o movimento “Let The Earth Breathe”, ou Deixe a Terra Respirar, não tem notoriedade, muito menos, possibilita o acesso dos curiosos a ele, uma vez que quando você busca no Google o nome do movimento em sua tradução literal (deixe à terra respirar), encontram-se músicas e apenas algumas imagens apelativas referentes a preservação do meio ambiente, não sendo encontrado nada que explique do que se definitivamente trata o movimento, muito menos notícias, nem mesmo as internacionais. 

Ao buscar sobre o movimento ativista em jornais e revistas eletrônicas, sejam essas estrangeiras ou nacionais, também não foi encontrado absolutamente nada acerca dos movimentos ativistas climáticos.  Assim, observa-se uma resistência e um combate ao movimento, uma vez que não se fala no Brasil, muito menos tem-se alguma informação acerca. Fica evidente de que se trata de um movimento externo, realizado por ativistas climáticos internacionais, tendo, por exemplo, a ativista sueca de dezoito anos Greta Thunberg como exemplo. A jovem só tomou espaço na imprensa brasileira ao decidir se alinhar aos movimentos dos cientistas climáticos, criticando políticas públicas brasileiras. Assim, apenas nesse curto lapso temporal, que o movimento teve seu minuto de fama na televisão aberta e jornais de circulação de massa.

Considerando isso, torna-se um dever trazer aqui informações acerca do que esses cientistas estão aprontando. O movimento internacional Scientist Rebellion, ou Rebelião dos Cientistas, organizou cientistas e pesquisadores que acreditam na necessidade de expor a realidade da emergência climática e ecológica contemporânea, sem a utilização de violência, mas tom de alarmismo, para que a sociedade compreenda a gravidade da situação climática.

Segundo Peter Kalmus, cientista climático da NASA e ativista, precisamos mudar para o modo de emergência climática como sociedade, pois atualmente caminhamos diretamente para o colapso civilizacional. Uma vez que os relatórios foram apresentados àqueles que estão no poder e nada foi reconhecido ou aceito pelos líderes estatais, os cientistas decidiram agir para que essas informações contidas nos relatórios chegassem até a sociedade, organizando assim mobilizações por diferentes continentes. 

O local de escolha para uma das maiores mobilizações foi o banco JP Morgan Chase, um dos maiores bancos dos Estados Unidos, já que o mesmo financia novos projetos da indústria petrolífera e combustíveis fósseis, algo que vai totalmente fora de encontro com o que é explicado no relatório do IPCC. Parte da análise do relatório aponta que as emissões da infraestrutura de energia fóssil atual já é o dobro da quantidade, vindo isso ocasionar um aumento do aquecimento global, trazendo consigo diversas consequências climáticas, como: calor devastador, queimadas, secas extremas, doenças.

Com o início das mobilizações, o poder estatal tentou frear e calar a disseminação dos estudos, vindo a prender os ativistas por protestarem, sendo Peter Kalmus um desses presos. Diante de toda a intolerância acerca do ativismo climático, cientistas se encontram desesperados, uma vez que não são ouvidos esfera pública, muito menos a esfera privada. Ainda nessa ótica, há a disseminação falsa da ideia de que profissionais da área climática querem causar apenas um pânico social em busca de recursos ou uma suposta agenda política subversiva, declarando-os como radicais perigosos. Aqui, parafraseia-se o Secretário Geral das Nações Unidas: Os radicais realmente perigosos são os países que estão aumentando a produção de combustíveis fósseis.

Infelizmente, o aviso foi totalmente ignorado. Potências mundiais, independentemente do seu espectro ideológico ou nível de democracia, continuam investindo em novas infraestruturas de combustíveis fósseis e prendendo ativistas climáticos.

Rose Abramoff foi mais um cientista preso entre os 7 manifestantes encaminhados pela polícia. Mesmo depois de liberados,  dois dias depois da primeira prisão, ocorreu mais uma em sequência. Ambas as manifestações tinham como pauta a necessidade de maior rapidez nas ações climáticas, atuação dos governos mundiais e o fim da queima de combustíveis fósseis. 

Neste momento, o aquecimento já passou de 1 grau, e está cada vez mais perto de atingir 1,5 graus. Caso não seja freado o consumo dos combustíveis fósseis, o aquecimento para 2 graus será muito possível, tornando insustentável a vida humana na terra. “Não faz sentido para os cientistas ficarem em silêncio quando sua ciência os informa sobre o risco existencial de um perigo claro e presente que está aumentando muito, muito rapidamente”, diz Kalmus, mesmo com algumas divergências na comunidade científica acerca do ativismo. O cientista ainda confessa que se sente desesperado e aterrorizado com o caminho de mudanças climáticas devastadoras que estamos trilhando sem um líder político global interessado em participar do cuidado do planeta, mas principalmente, em lidar com a indústria de combustíveis fósseis, nicho o qual envolve grandes empresários e a concentração de capital.

Com todo o cenário apresentado, é possível identificar uma atuação do Estado totalmente contrária a preservação ambiental e climática, uma vez que estes apoiam a supressão do direito de protesto e informação, por consequência, o negacionismo acerca da real situação que se encontra no agora e que nos espera no futuro. Urge a necessidade de apoio às causas e movimentos que expõem as emergências climáticas, mas, acima de tudo, incentivar a diminuição das emissões globais, pois se continuar como está, segundo o relatório do IPCC, iremos atingir o pico em até 2025. 

No Brasil, o movimento não é conhecido, muito pelo fato de que os movimentos ambientais são totalmente desqualificados diante da realidade social e governamental que vivemos. Os índios, por exemplo, abordam muito essa pauta e sustentam a conservação ambiental como fonte de enriquecimento da fauna e flora, como também restauração ambiental, e o resultado disso é o aumento significativo de homicídios de indígenas. O desmatamento, os garimpos, as queimadas e a poluição da água e do solo, são situações centrais no âmbito da luta ambiental, principalmente porque a Amazônia, conhecida como “pulmão do mundo”, já não tem a força necessária para sustentar a flagelação que sofre, diariamente, em sua estrutura. 

A própria COP 26 divulgou que nos últimos 20 anos, a Amazônia perdeu cerca de 350.000 km² e emitiu 13% a mais de co2 (dióxido de carbono) do que absorveu, mesmo composto químico que a queima de combustível fóssil acarreta, sendo o principal alerta dos ativistas do movimento. Ainda, é sugerido pela imprensa britânica e brasileira que em 2022 houve um aumento exponencial no desmatamento, tendo o INPE informado que só em fevereiro 199 km² estavam sob o alerta de desmatamento, sendo 47% maior do que a média dos anos de 2016 e 2021. Estudiosos britânicos também destacaram que imagens de satélite sugerem que o dobro do período de 2010-21 da floresta amazônica foi perdida apenas em 2022.

Com isso, observa-se que o cerne do problema ambiental está, além da falta de conscientização científica, na relativização social de grupos minoritários, como gênero, etnias, classe social, tendo um reflexo maior quando trata-se da vulnerabilização dos povos indígenas e demais povos tradicionais. Vejamos, assim, que o problema ambiental que o mundo enfrente trata-se de uma cadeia ramificada. Não podemos mais dizer que a educação de base é suficiente, uma vez que já enfrentamos as consequências do aquecimento global no atual momento. 

A educação básica deve ser considerada o mínimo para conscientização da reestruturação do meio ambiente, não a única saída, pois, se continuar da forma que está, àqueles que estão no inicio da vida, não terão nada para salvar no futuro. Surge a necessidade de priorização em pautas políticas, mas acima de tudo, fiscalização. O meio ambiente não deve ser barganha de voto, mas deve ser pauta base e principal dos governantes. Os relatórios apresentados pelas potências organizacionais e cientistas precisam ser credibilizadas, assim como os próprios cientistas. De nada adianta exigir da ciência uma posição e simplesmente ignorá-la ou calá-la. A onda política moderna de negacionismo faz com que os cientistas sejam silenciados e intitulados de “loucos”, quando, na verdade, eles querem dizer o que esta bem em nossa frente e não queremos acreditar: o meio ambiente está colapso e precisa de ajuda já.


A pauta deste artigo fora enviada por um leitor nas redes sociais. Aqui, o agradecemos pessoalmente.